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O que é hiperinflação?

O que é hiperinflação?

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

29 Ago 2022 às 12:15 · Última atualização: 12 Set 2022 · 7 min leitura

Redação EuQueroInvestir

29 Ago 2022 às 12:15 · 7 min leitura
Última atualização: 12 Set 2022

ilustração de pilhas de moeda e gráfico apontando alta

Desconhecida pelos brasileiros mais jovens, mas vivenciada pelos mais experientes, a hiperinflação é um fenômeno da economia que pode levar um país a uma crise sem precedentes.

Ela tem estado presente em diferentes países ao longo do tempo e impacta diretamente a vida de investidores. Mas, o que ela tem a ver com o Brasil atual e como pode afetar seus investimentos? Leia o texto até o fim para entender tudo isso e muito mais!

O que é hiperinflação

Conceitualmente, hiperinflação é o nome dado ao cenário em que um país convive com  índices de inflação que atingem mais de 50% ao mês. Ou seja, é um fenômeno inflacionário que ultrapassa os níveis considerados como adequados, comumente ocorrido em economias que possuem sérios problemas estruturais. Mas, quais são os níveis adequados?

Saiba mais sobre o que causa a inflação.

Na prática, a hiperinflação gera uma alta exorbitante dos preços dos bens de consumo e corrói o poder de compra da moeda local. Com isso, o resultado costuma ser o da recessão econômica (retração do PIB) aliada a um temor, do mercado em geral, de que o dinheiro perca o seu valor. 

Esse aumento incessante de preços pode se dar por diversos motivos. Dentre eles, destacam-se o desequilíbrio da demanda em relação à oferta, isto é, mais pessoas querendo comprar do que produtos e serviços sendo vendidos, o aumento nos custos de produção, a inércia inflacionária e expectativas de inflação, e o aumento de emissão de moeda, uma vez que, quando se tem mais moedas no mercado, elas valem menos.

História da hiperinflação no Brasil e no mundo

Felizmente, a hiperinflação no Brasil é apenas uma vaga lembrança. Para fins de ilustração, a inflação no ano passado ficou em 10,06% no país, o que é considerado um valor alto, superando, inclusive, muitos anos anteriores, o que impacta bastante a vida das pessoas. Porém, em 1989, a inflação do Brasil bateu 1.782% no ano, um resultado 177 vezes mais elevado. Falaremos mais do Brasil a seguir, mas, se quiser se aprofundar sobre a inflação brasileira no último ano, leia mais sobre os efeitos da inflação.

Antes, vale dizer que a hiperinflação também está muito vinculada à guerra. A literatura sobre o assunto levanta diversas situações em que conflitos bélicos, de escala global ou mesmo internos, levaram a esse cenário. O caos institucional de um país também pode ser notado como possível motivo para a hiperinflação. A Hungria, em 1948, o Zimbábue, em 2006, a Iugoslávia, em 1994, a República Sérvia, Estado que existiu durante pouco tempo durante a Guerra da Bósnia, em 1994, e a Alemanha, à época chamada República de Weimar, em 1923, formam o top 5 do ranking da hiperinflação na história.

Hiperinflação alemã de 1923

O período da hiperinflação na República de Weimar aconteceu entre 1921 e 1923. Ou seja, ele se deu logo após a Primeira Guerra Mundial. Diz-se que a hiperinflação alemã daquele momento, inclusive, é resultado das políticas econômicas e de todo o cenário criado durante o conflito.

A saída da Alemanha da Primeira Guerra ocorreu de modo que o país ficou com dívidas a pagar aos vencedores, pois este foi um dos pontos acordados ao fim do conflito. Mas, o que também deve ser percebido, uma vez que a situação pode ser replicada em países que não estão em guerra, foi a seguinte opção: o governo alemão pediu um empréstimo ao seu banco central, que imprimiu um grande volume de dinheiro em papel.

Como você pode imaginar, com a economia em frangalhos e a emissão descontrolada de dinheiro, o valor da moeda teve uma queda brusca. Entre janeiro de 1922 e dezembro de 1923, a taxa acumulada de inflação ascendeu a um bilhão por cento. Em outubro de 1923, o aumento de preços chegou ao ápice, atingindo a taxa de 29.500% ao mês, ou 20,9% ao dia.

Hiperinflação brasileira

Por aqui, a hiperinflação se deu entre os três primeiros meses de 1990, quando as taxas mensais de inflação atingiram  71,9%, 71,7% e 81,3%, em sequência. Assim, por mais que a década de 1980 tenha sido marcada pela constante alta dos preços, só naquele momento o país alcançava a hiperinflação — resultado de um comércio exterior limitado, de uma alta dívida pública externa e de medidas preventivas fracassadas.

A ação governamental, aliás, se valeu de uma série de intervenções no período que se sucedeu à hiperinflação, na tentativa de controlar os preços. Dentre elas, as mais marcantes vão na linha do congelamento de preços, uma prática que chegou a conseguir manter artificialmente a alta controlada por alguns períodos. O resultado mais efetivo e consolidado, porém, só viria com o Plano Real, em 1994.

Hiperinflação 2021/2022

Verificamos casos importantes na história, mas engana-se quem pensa que a hiperinflação é coisa do passado. A hiperinflação segue presente nos dias atuais e, inclusive, está neste momento assombrando alguns vizinhos brasileiros.

Quando se trata deste assunto, não dá pra deixar de mencionar o caso venezuelano. Atolado em crise política há anos, o país conseguiu deixar o quadro de hiperinflação em 2021. Na ocasião, o país registrou 12 meses seguidos com a inflação abaixo dos 50%, como determina o conceito. 

A Argentina também é outra nação a se preocupar com a alta dos preços. Com economia altamente dolarizada e, portanto, dependente da moeda estrangeira, o país é suscetível às instabilidades do mercado internacional e tem sofrido com as tensões dos conflitos no Leste Europeu. A Guerra na Ucrânia, aliás, acrescenta incertezas à economia global e deixa a hiperinflação no horizonte, mesmo que distante, de todos os países e investidores atentos.

Impacto da hiperinflação nos investimentos

Inflação muito alta é, como todos sabem, ruim para a economia. Mas, vale ressaltar que, antes de chegar a patamares exorbitantes que mereçam a alcunha “hiper”, ela propicia oportunidades. Então, é importante ter atenção para entender como aproveitar os cenários existentes.

A grande sacada está em perceber que se um investimento rende um patamar menor do que a inflação, não há rendimento real, mas apenas nominal. Nesse sentido, períodos de altas taxas de inflação podem ser aproveitados a partir de investimentos atrelados à inflação, isto é, que garantem ganhos acima da perda do poder de compra sofrido pela moeda.

No caso da hiperinflação, bom, aí o país passa a ser realmente pouco atrativo para os investimentos. Dito tudo isso, vale olhar para o cenário e tentar perceber se o que se tem é uma realidade com margem para ganhos ou se é preciso, de fato, pensar em levar o seu investimento para outras bolsas. Seja como for, o ideal é que você conte com ajuda especializada.

Então, para conseguir montar uma carteira de investimentos adequada à atual realidade econômica do Brasil, simule seus investimentos com um especialista EQI. Fale já com um assessor.

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