Por meio de auditoria interna, a Via Varejo (VVAR3) diz ter encontrado indícios de fraudes contábeis no balanço do quarto trimestre, que somam R$ 1,19 bilhão.
A investigação iniciou após a companhia receber denúncias anônimas em setembro do ano passado.
O relatório que evidencia a suposta fraude elenca manipulação da provisão para processos trabalhistas, adiamento indevido na baixa de ativos e contabilização de passivos fora de suas respectivas competências mensais.
E traz mais: falhas de controles internos resultando em erros nas contas de provisão para processos trabalhistas e depósitos (garantias) judiciais.

Ajustes contábeis
De acordo com fato relevante, após a apuração interna a companhia reajustou a contabilidade e promoveu avaliações.
“Os achados, incluindo efeitos de fraudes, erros e mudanças de estimativa, é de R$ 1,190 bilhão (R$ 786 milhões líquidos de impostos), estando assim dentro do range divulgado por meio do fato relevante”, informou.
Segundo a companhia, não será necessária reabertura de exercícios anteriores a 2019 para realização dos ajustes.
Isso porque a empresa concluiu que os efeitos sobre as demonstrações financeiras do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2018 não são materiais para justificar a realização de ajustes retrospectivos, sendo corrigidos no próprio exercício de 2019.
Montante
Conforme a Via Varejo, do montante total a ser ajustado nas demonstrações financeiras do quarto trimestre de 2019, aproximadamente R$ 1,169 bilhão são débitos na demonstração do resultado do exercício de 2019 e se referem à correção de erros e de mudanças de estimativa.
“Já os R$ 20,8 milhões remanescentes se referem aos efeitos das fraudes identificadas ao longo da Investigação.”
E diz mais: “em relação aos trabalhos de riscos e oportunidades noticiados no fato relevante, a companhia registrou ajuste de R$ 188,8 milhões líquidos, a débito na demonstração do resultado do exercício de 2019.”
Conforme a empresa, os ajustes contábeis não impactarão de maneira adversa e relevante o fluxo de caixa, a condição financeira e operacional ou a capacidade de honrar compromissos.
Balanço
No período de outubro a dezembro, o prejuízo líquido contábil foi de R$ 875 milhões, ante perdas de R$ 282 milhões no mesmo intervalo de 2018.
Já desconsiderando os ajustes não recorrentes, o lucro líquido teria somado R$ 78 milhões.
Veja a conciliação dos ajustes

Já os ajustes não recorrentes foram formados da seguinte maneira:
- Contingências, R$ 1,314 bilhão;
- Créditos (ICMS PIS/Cofins), (R$ 19 milhões);
- Despesas com investigação, R$ 13 milhões;
- Provisão CNova, (R$ 16 milhões);
- Impairment imobilizado e intangível, R$ 76 milhões;
- IMPACTO LAIR: R$ 1,369 bilhão
- IR & CSLL, (R$ 416 milhões)
- IMPACTO TOTAL: R$ 953 milhões.






