Depois de atingir o menor patamar da série histórica em junho, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), registrou avanço de 6,6% em julho.
Dessa forma, o Icec avançou de 66,7 pontos para 69,3 pontos.
Assim, este foi o primeiro avanço mensal do Icec em quatro meses.
Entretanto, na comparação com mesmo mês de 2019, o índice recuou 39,5%.
Além disso, mesmo com o resultado positivo em julho, o Icec segue abaixo dos 100 pontos, na zona de avaliação pessimista.
O índice está também 59 pontos abaixo do nível pré-crise.
Efeitos pandemia no comércio
José Roberto Tadros, presidente da CNC, avalia que os comerciantes ainda sentem os efeitos da pandemia.
Conforme ele, entre março e o fim de junho, os prejuízos do setor alcançaram R$ 240,8 bilhões.
Em nota, afirmou que, “apesar da reabertura gradual do comércio em algumas cidades, a paralisação da maioria das empresas durante a pandemia continua impondo reduções à atividade dos diferentes setores da economia, em especial ao comércio e aos serviços.”
Reversão das expectativas
Principal responsável pela alta do Icec em julho foi o indicador relativo às expectativas.
Com crescimento mensal recorde de 21,1%, o subíndice chegou a 106,4 pontos, retornando para a zona positiva.
De acordo com a CNC, o avanço se deu tanto em relação à economia (+25,1%) quanto em relação ao comércio (+19,8%), e à própria empresa (+19,1%), “refletindo o otimismo dos comerciantes para os próximos meses”.
Por outro lado, a satisfação dos empresários com as condições atuais, seja da economia (-8,1%), do comércio (-6,5%) e da própria empresa (-7,6%), foi novamente o item negativo – recuando a 34,2 pontos (-7,1%) de queda mensal.
No entanto, a queda foi de menor magnitude ante junho (-46,6%) e maio (-26,5%).
Pequeno comércio
Para a economista da CNC, Izis Ferreira, a situação é mais complicada para o comércio de menor porte, pela dificuldade no acesso ao crédito.
“Garantias exigidas pelas instituições financeiras chegam a superar os valores das operações de crédito, o que tem dificultado o acesso aos recursos pelas empresas menores, prejudicando ainda mais o giro financeiro e comprometendo a capacidade de pagamento de despesas e de realizar investimentos”, resumiu.
O destaque positivo ficou por conta do aumento das intenções de contratar funcionários no comércio.
Isto ocorre após quatro meses de reduções intensas.
FGV
Outro indicador que apontou melhora foi o da confiança do empresário e do consumidor brasileiro.
Segundo sondagem da FGV, a Confiança Empresarial (ICE) deve subir 7,3 pontos em julho, chegando a 87,7.
Por sua vez, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) deve subir 4,8 pontos, chegando a 75,9 pontos.






