O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que o ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos deve prosseguir ao longo do segundo semestre, com novos aumentos nas taxas de juros dos EUA nos próximos encontros do Fomc, o comitê de política monetária do banco central norte-americano.
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Na última reunião, há duas semanas, o Fomc decidiu manter a taxa no intervalo entre 5% e 5,25% ao ano, depois de dez altas consecutivas desde março de 2022. Embora parte das casas de análise e bancos de investimento viessem projetando o início de um afrouxamento na política monetária, os dirigentes do Fed decidiram manter a postura “hawkish”, deixando claro que novos aumentos virão, uma vez que a inflação, embora tenha caído, permaneça longe da meta de 2% ao ano.
“Acreditamos que há mais restrições chegando, já que a pressão inflacionária permanece, e o que está impulsionando isso é um mercado de trabalho muito forte”, afirmou Powell durante debate sobre política monetária com presidentes de outros Bancos Centrais, em Sintra, Portugal.
A tendência sinalizada pelo Fomc é que os juros cheguem ao máximo de 5,75% ao ano, com mais duas altas de 0,25 p.p. nas reuniões que terão anúncios marcados para 27 de julho e 1º de novembro, com uma manutenção na reunião de 20 de setembro. O próprio Powell não descartou, porém, a possibilidade de duas altas consecutivas: “Eu não tiraria a possibilidade de mudança em reuniões consecutivas do board”, disse.
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Taxa de juros dos EUA: inflação persistente
O presidente do Fed alega que os aumentos ainda não conseguiram influenciar totalmente a atividade econômica, que permanece em crescimento, embora num ritmo menor que em 2022, assim como o mercado de trabalho segue aquecido, com forte ritmo de contratações, ainda que os aumentos de salário estejam tendo ritmo reduzido.
“Vai levar algum tempo para mudarmos de direção. A inflação provou ser mais persistente do que esperávamos e não menos”, apontou Powell. O PCE, índice inflacionário dos EUA mais usado pelo Fed, foi de 0,4% em abril, na última divulgação, com acumulado de 4,4% nos últimos 12 meses.
Analistas apontam que a persistência do Fed em combater a inflação apenas com aperto monetário possa provocar uma recessão, além de representar riscos ao sistema bancário, depois da falência de três bancos em março.
“Existe uma possibilidade significativa de desaceleração. Não é o caso mais provável, mas certamente é possível. A disponibilidade de crédito bancário e o crédito podem cair um pouco com um pouco de atraso. Então, estamos observando cuidadosamente para ver se isso aparece”, destacou.
A presidente do BCE (Banco Central Europeu), Christine Lagarde, disse que sente que “ainda temos terreno a percorrer” e que “muito provavelmente iremos subir novamente” os juros na reunião marcada para julho. Até mesmo o diretor do Banco do Japão, Kazuo Ueda, disse que sua instituição poderia endurecer sua política se a inflação não diminuir no país, que é conhecido por ter uma taxa de juros negativa.
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