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O mercado torce pela paz, mas o VIX não acredita

O mercado torce pela paz, mas o VIX não acredita

Apesar do rali nas bolsas com expectativas de acordo entre EUA e Irã, índice do medo segue elevado e sinaliza que os investidores subestimam os riscos à frente

Wall Street e o mercado está com FOMO — o “medo de ficar de fora”, na tradução livre do inglês — de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã. As bolsas subiram a máximas históricas na expectativa de uma resolução diplomática para o conflito no Oriente Médio. Mas uma leitura mais atenta dos indicadores de mercado revela que a superfície calma esconde tensões que os investidores podem estar ignorando.

O principal termômetro é o VIX, o índice de volatilidade da Cboe, conhecido como o “índice do medo”. Apesar do clima de euforia, o indicador segue próximo ao nível 20 — a fronteira que, historicamente, separa períodos de menor e maior incerteza.

Mais revelador ainda é o comportamento dos contratos futuros do índice: “os futuros do VIX negociam a 21 em junho e acima de 22 em agosto, permanecendo acima de 22 pelo resto do ano”, segundo o relatório do Charles Schwab.

Não é um salto dramático, mas está bem acima dos valores entre 14 e 15 que prevaleciam no fim do ano passado, quando o cenário geopolítico era mais tranquilo.

A estrutura do VIX — quando os contratos futuros são mais caros do que o nível atual — indica que ao menos uma parcela dos investidores acredita que a guerra e seus efeitos sobre o petróleo terão impacto duradouro.

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“Isso sugere que o mercado acionário pode não estar levando o risco de aumento da incerteza suficientemente a sério”, alerta o relatório.

Futuros do petróleo

No mercado de energia, o quadro é igualmente cauteloso.

Os futuros de petróleo da CME mostram queda ao longo do ano, mas “não chegam nem perto dos níveis pré-guerra abaixo de US$ 65 por barril.”

O petróleo para setembro negocia acima de US$ 80 e o contrato de dezembro está pouco abaixo de US$ 76 — números que, embora muito inferiores aos US$ 94 atuais, estão longe de precificar uma normalização.

E mesmo que um acordo seja fechado, os efeitos práticos demorarão a chegar.

“Independentemente de o estreito reabrir ou não, os preços de energia levarão tempo para se normalizar”, afirmou Michelle Gibley, diretora de pesquisa e estratégia de renda variável internacional do Charles Schwab.

Segundo ela, “poderia levar vários meses, no mínimo, para voltar ao ‘normal’ em algumas partes do mercado, e os danos à produção de gás natural liquefeito no Catar poderiam levar vários anos para se normalizar.”

Gibley também ponderou sobre a própria viabilidade de um acordo: “as restrições políticas nos EUA às vésperas das eleições de meio de mandato e a capacidade do Irã de sobreviver sem receita de petróleo e GNL poderiam manter um acordo dentro do horizonte possível.”

O mercado torce pela paz. Mas os números sugerem que prefere não apostar nela.

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