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IGP-M tem deflação pelo 2º mês seguido em junho

IGP-M tem deflação pelo 2º mês seguido em junho

IGP-M acumula queda no ano, puxado por baixa nos preços no atacado e desaceleração da inflação ao consumidor. Saiba mais!

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente utilizado como referência para reajustes de aluguéis e contratos em geral, registrou queda de 1,67% em junho, de acordo com dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Essa é a segunda deflação consecutiva do índice, após a retração de 0,49% em maio, e representa uma intensificação no movimento de queda dos preços.

Com o resultado de junho, o IGP-M acumula queda de 0,94% no ano de 2025. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o índice mostra alta de 4,39%. Apesar de ainda estar positivo nesse recorte anual, o número representa uma desaceleração importante em relação a períodos anteriores, especialmente se comparado ao mesmo mês do ano passado, quando a alta acumulada era de 2,45% e o índice ainda estava em trajetória de aceleração.

IPA aprofunda trajetória de queda com forte recuo de 2,53%

O principal motor da deflação do IGP-M em junho foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que recuou 2,53% no mês. O IPA representa 60% da composição do IGP-M e acompanha a variação dos preços no atacado. Em maio, esse mesmo índice já havia apresentado queda de 0,82%, mas o recuo se intensificou em junho, puxado por uma forte desvalorização de matérias-primas brutas e produtos agropecuários.

Segundo especialistas do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, o movimento está ligado ao avanço da oferta agrícola e à redução dos preços de commodities no mercado internacional. Produtos como soja, milho e minério de ferro vêm apresentando recuos consistentes, o que acaba pressionando para baixo os preços ao produtor. Essa dinâmica reflete diretamente no custo de produção das empresas e, consequentemente, nos preços praticados no restante da cadeia produtiva.

IPC desacelera com alívio nos preços dos alimentos

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), responsável por 30% do cálculo do IGP-M, subiu 0,22% em junho. Embora ainda positivo, esse número representa uma desaceleração em relação a maio, quando a alta foi de 0,37%. A desaceleração se deve, principalmente, ao comportamento dos preços dos alimentos in natura, como hortaliças, frutas e tubérculos, que vêm caindo com o avanço das safras.

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A maior oferta desses alimentos no varejo tem resultado em quedas mais generalizadas nos preços ao consumidor. Além disso, a estabilidade de outros grupos de consumo, como transporte e habitação, também contribuiu para o resultado mais moderado. Apesar disso, o IPC ainda se mantém em território positivo, o que indica que a inflação para o consumidor final segue presente, mas com menor intensidade.

Custo da construção civil segue em alta puxado por mão de obra

Na contramão dos demais componentes do IGP-M, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,96% em junho, frente ao avanço de 0,26% no mês anterior. O INCC tem peso de 10% no índice geral, mas seu impacto é relevante, principalmente para os setores de infraestrutura e habitação. A principal pressão veio dos custos com mão de obra, que seguem em alta devido a reajustes salariais fechados por meio de acordos coletivos.

Esse aumento dos custos trabalhistas tem elevado o custo total das obras, mesmo em um contexto de arrefecimento nos preços de insumos como cimento e aço. Para o setor da construção civil, isso representa um desafio, pois encarece projetos e pode comprometer margens em obras públicas e privadas. A tendência é que os custos sigam elevados enquanto os reajustes salariais forem repassados ao consumidor final.

Perspectivas: deflação pode continuar no curto prazo

O comportamento atual do IGP-M sinaliza um ambiente de menor pressão inflacionária para os próximos meses, especialmente se a tendência de queda nos preços no atacado continuar. A maior oferta de alimentos e matérias-primas deve seguir exercendo influência sobre o IPA e, indiretamente, sobre os demais componentes do índice.

No entanto, é importante acompanhar com atenção o movimento do INCC, que pode exercer pressão de alta no índice se os aumentos salariais e os custos da construção se mantiverem elevados. Para o consumidor, a deflação no IGP-M pode significar, na prática, reajustes menores nos contratos de aluguel, impactando diretamente o bolso de quem vive de locação.