O Banco Mundial manteve suas projeções de crescimento global de PIB deste ano mais baixo do que em 2022, devido ao cenário de taxas de juros elevadas, ainda que tenha revisado para cima os números médios do planeta e também sua projeção para o crescimento brasileiro. Segundo o relatório do Banco Mundial divulgado nesta terça-feira, o crescimento médio mundial do PIB em 2023 será de 2,3%, ante 3,1% em 2022.
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A previsão anterior, feita em janeiro, era ainda menor, de 1,7%. No caso do Brasil, os números também subiram 0,4 p.p., de 0,8% para 1,2%. Para 2024, contudo, a projeção foi reduzida, de 2% para 1,4%, alegando preocupações com o controle dos gastos públicos, depois de o país conseguir reduzir as pressões inflacionárias..
Segundo o release do banco, o crescimento global desacelerou acentuadamente e o risco de estresse financeiro em mercados emergentes e economias em desenvolvimento (EMDEs, na sigla em inglês) está se intensificando em meio a taxas de juros globais elevadas, de acordo com o último relatório. No caso das EMDEs excetuando-se a China, a previsão de crescimento médio é 2,9%, ante 4,1% em 2022.

“A maneira mais segura de reduzir a pobreza e espalhar a prosperidade é por meio do emprego – e o crescimento mais lento dificulta muito a criação de empregos”, disse o presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga. “É importante ter em mente que as previsões de crescimento não são um destino. Temos a oportunidade de virar a maré, mas isso exigirá que todos trabalhemos juntos”, completou o executivo.
Com condições de crédito globais cada vez mais restritivas, o Banco Mundial alerta que os países em desenvolvimento vêm encontrando dificuldade no acesso aos mercados internacionais de negociação de títulos públicos.
“A economia mundial está em uma posição precária. Fora do Oriente e do Sul da Ásia, está muito longe do dinamismo necessário para eliminar a pobreza, combater a mudança climática e reabastecer o capital humano”, afirmou Indermit Gill, economista-chefe e vice-presidente sênior do Grupo Banco Mundial.
Segundo ele, o comércio ainda não recuperou o dinamismo dos anos anteriores à pandemia de covid-19. “Nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento, as pressões sobre a dívida pública estão crescendo devido às taxas de juros mais altas. As fraquezas fiscais já levaram muitos países de baixa renda a problemas de endividamento. Enquanto isso, as necessidades de financiamento para atingir as metas de desenvolvimento sustentável são muito maiores do que as projeções mais otimistas de investimento privado”, completa o executivo.
O relatório aponta que os choques sobrepostos provocados pela pandemia e pela invasão russa da Ucrânia, aliadas à desaceleração provocada pela tentativa de combater a inflação, deve manter as economias emergentes desaceleradas inclusive em 2014.
O cenário não deve ser diferente nas economias avançadas, que encabeçam a alta de juros nos últimos meses para tentar segurar a inflação. No caso dos EUA, as projeções do Banco Mundial são de 1,1% em 2023 e de 0,8% em 2024. O texto também aponta que a política monetária de juros altos adotada pelo Fed, o banco central norte-americano, afeta as economias mundo afora.
De acordo com o relatório, esse tipo específico de aumento das taxas de juros está associado a efeitos financeiros adversos nas economias em desenvolvimento, que têm maior vulnerabilidade econômica e vê subir o custo de seus empréstimos.
Ao mesmo tempo, o texto alerta para o risco de uma política fiscal frouxa nesses países que já apresentam um cenário de forte endividamento público. “Os pagamentos de juros estão consumindo uma parcela crescente das limitadas receitas dos governos, em países que já gastam pouco com seus cidadãos mais vulneráveis, o que pode levar a situações de extrema pobreza”.
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Relatório do Banco Mundial: Brasil e o risco fiscal
No capítulo sobre América Latina, o relatório do Banco Mundial adverte o Brasil dos riscos de descontrole nos gastos públicos, depois de o país conseguir reduzir a ameaça da inflação, mas aponta para uma possível queda da Selic, a taxa básica de juros, ainda neste ano.
“As taxas de juros devem diminuir no segunda metade do ano, à medida que a inflação recua ainda mais, permitindo a recuperação em 2024, mas a incerteza sobre a política fiscal continua prejudicando a confiança empresarial e o investimento”, aponta o texto.
O banco aponta ainda que a expectativa de safra recorde aumenta a projeção de exportações para o ano, “por causa das robustas safras de soja e milho”, mas avisa que a falta de demanda externa deve impedir um crescimento mais significativo.
Além disso, o texto pede atenção com a dependência em relação à China, principal destino de exportações não só do Brasil, mas de toda a região. “Apesar da recuperação do crescimento da China neste ano, o setor imobiliário segue fraco, travado por problemas estruturais, o que pode afetar significativamente os preços do minério de ferro, o que é particularmente relevante para Brasil, Chile e Peru”, diz o texto.
Outro motivo de alerta é o risco de alterações climáticas, cujo impacto cai sobretudo em países fortemente dependentes do agronegócio e da mineração. “Eventos climáticos extremos ainda podem afetar significativamente a produção agrícola em toda a região e o aquecimento global aumenta a probabilidade desses eventos extremos, No médio a longo prazo, o crescimento econômico parece suscetível de ser significativamente afetado por mudanças mais permanentes”, escreve o Banco Mundial.
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