Educação Financeira
arrow-bc
Notícias
arrow-bc
Como a Guerra na Ucrânia afeta a economia brasileira? Entenda todo o cenário

Como a Guerra na Ucrânia afeta a economia brasileira? Entenda todo o cenário

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

09 Mar 2022 às 18:31 · Última atualização: 09 Mar 2022 · 8 min leitura

Redação EuQueroInvestir

09 Mar 2022 às 18:31 · 8 min leitura
Última atualização: 09 Mar 2022

Guerra; Ucrânia

Reprodução/Pixabay

Antes mesmo de iniciar a Guerra na Ucrânia, o Brasil já enfrentava algumas dificuldades na economia com uma inflação na casa dos dois dígitos e uma tendência de alta na taxa básica de juros, a Selic. Apesar disso, vale ressaltar que o país conseguiu recuperar no ano passado grande parte das perdas em 2020, que foi arrasado com o impacto do início da pandemia de covid-19. 

O conflito militar entre Rússia e Ucrânia está provocando um temor geral nos mercados do mundo inteiro, com as sanções aplicadas contra os russos e a sua possível retaliação contra o ocidente. Mas como será que isso afeta a economia brasileira? O objetivo deste artigo é apresentar um panorama geral sobre a situação. 

Qual é o cenário atual da Guerra na Ucrânia na economia?

O Brasil deve ser impactado com a invasão russa no território ucraniano por conta das sanções impostas contra a Rússia. Isto porque os russos são um dos principais parceiros comerciais dos brasileiros, sendo o 6º país que mais exporta para cá. 

Os principais produtos comercializados são aqueles relacionados com o agronegócio, principalmente trigo, milho e os fertilizantes. Com o comércio afetado, a tendência é um aumento nos preços das commodities agrícolas. 

Outro fator que está influenciando o debate econômico no país é a questão dos combustíveis, sobretudo petróleo e gás natural. O continente europeu é bastante dependente das commodities energéticas dos russos. De acordo com especialistas da área de petróleo, quase metade do petróleo e gás usados na Europa tem origem russa.

Além disso, desde o começo do conflito os preços do petróleo Brent, usado como base pela Petrobras (PETR3; PETR4) em sua política de preços tem crescido de forma exponencial.

Leia também: Guerra na Ucrânia: até onde o preço do petróleo pode chegar?

Com a aliança entre a Rússia e a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), a tendência é a manutenção atual da produção de petróleo. Logo, os preços devem escalonar ainda mais como consequência das sanções contra a Rússia. 

Na terça-feira (8), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que irá fechar os portos americanos para importação do petróleo russo. Além disso, o governo britânico informou que deve eliminar as importações de petróleo e seus derivados até o final de 2022. 

Estes fatos devem impulsionar ainda mais o preço do barril de petróleo tipo Brent, referência global para negociações do ouro negro. O barril do tipo Brent aumentou 6,84% e fechou, ontem, a US$ 131,64 em termos nominais, o maior valor desde 2008.

Como a guerra afeta a economia brasileira?

Diante do que foi descrito, o conflito deve produzir impactos na economia brasileira com um aumento maior ainda nas taxas de inflação, puxadas pelas possíveis altas dos combustíveis (que promove um efeito cascata na precificação de todos os produtos na economia) e alimentos. 

Com a inflação alta, o Banco Central deve manter a política de aumento da taxa de juros para controlar a inflação. Anteriormente, a expectativa do BC era promover mais um aumento na Selic, na casa dos 12% ao ano, e com a queda da inflação prevista no segundo semestre, iniciar um movimento de arrefecimento nos juros. Entretanto, as consequências da guerra devem adiar os planos originais do Bacen. 

Leia também: Os ciclos econômicos e os melhores investimentos para cada momento: entenda agora!

Outra consequência do conflito é a cotação do dólar. A moeda norte-americana estava enfrentando uma onda de desvalorização desde o início de 2022, mas com o início do conflito entre russos e ucranianos já provocou uma inversão no gráfico. 

Quando a guerra começou, o dólar estava cotado a R$ 5,01 e chegou até R$ 5,16, uma valorização de 2,90% em apenas dois dias. Apesar disso, a moeda americana voltou a cair e hoje está na casa dos R$ 5,06, mas ainda maior do que antes do conflito. 

Com o panorama geral apresentado, confira abaixo como a Guerra na Ucrânia deve influenciar em alguns setores da economia.

Petróleo

Como destacamos anteriormente, uma das principais consequências da guerra é a escalada nos preços do barril do petróleo no mercado internacional. Na última terça-feira (03), o barril do tipo Brent atingiu o maior valor dos últimos 14 anos. 

No Brasil, a Petrobras (PETR3; PETR4) ainda não repassou este aumento para as bombas de combustíveis no país. Inclusive, a estatal não promove um crescimento nos preços há mais de 50 dias. 

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) estima que já há uma defasagem no preço do litro da gasolina no Brasil de 30% e 40% do diesel. A maior desde que a Petrobras iniciou a paridade de preços dos combustíveis com o mercado internacional. 

Para segurar os preços e não promover uma inflação mais alta ainda, o governo federal estuda algumas soluções para subsidiar os preços dos combustíveis: 

  • Há uma proposta de usar diminuir os dividendos dos acionistas para financiar o subsídio; 
  • Há uma outra proposta reduzir os impostos sobre os combustíveis, com a adoção de um alíquota fixa para ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para os estados;
  • Além de um projeto de lei que cria uma conta de estabilização para os preços dos combustíveis, estabelece diretrizes para a política de preços da Petrobras e institui um imposto de exportação para os combustíveis. 

Leia também: Preços dos combustíveis podem ter subsídios do governo

Agronegócio

O agronegócio é um dos setores mais afetados pela crise russo-ucraniana devido à questão dos fertilizantes. Cerca de 20% do insumo utilizado no país por ano é importado dos russos. Além disso, 65% do adubo usado por aqui também vem da Rússia.

A falta de adubo e fertilizante deve atrapalhar a produção da soja. Vale destacar que a commodity é o carro-chefe do agronegócio brasileiro e abastece o mercado interno com óleo comestível e óleo para produção de biodiesel, além de ser utilizado na alimentação de suínos e aves.

Com isso, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, acalmou os mercados afirmando que o Brasil tem estoque suficiente de fertilizantes até o início do plantio da próxima safra, em outubro. Por sua vez, a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) estimou a duração dos estoques em três meses. 

A exclusão da Rússia do maior sistema bancário mundial, o Swift, pode influenciar negativamente o mercado do agronegócio brasileiro. Uma vez que o sistema é utilizado para efetuar os pagamentos para as importações e exportações. Sem ele, o comércio ficaria inviabilizado pelos produtores. 

Alimentos

Tanto Ucrânia quanto Rússia são consideradas potências agrícolas no mundo. O conflito entre eles irá prejudicar a produção de alimentos no mundo. Os ucranianos vendem cerca de 17% do milho do mercado mundial. Ainda vale mencionar que os dois países juntos exportam 30% do trigo comprado pelo resto do planeta. 

O trigo chegou a US$ 9,26 por bushel (27,2 kg) na abertura da Bolsa de Chicago no dia do início da invasão russa. Sem contar que quando as tensões aumentaram, o cereal já acumulava uma alta de 17,4%. 

Parte da valorização do trigo foi motivada pelas crises climáticas na América do Sul e em países do Mediterrâneo que promoveram uma queda na produção do grão. 

O Brasil é um dos maiores importadores de trigo do mundo e pretende comprar no exterior cerca de 6,5 milhões de toneladas do cereal em 2022. 

Dessa forma, os preços dos alimentos relacionados a grãos e carnes, visto que os cereais são base das rações, devem aumentar ainda mais nos mercados brasileiros. 

Câmbio

E por último, o câmbio. A valorização das commodities pode amenizar a queda da cotação do dólar, já que o Brasil é um dos principais destinos de investimento estrangeiro de commodities. Este movimento ocorre devido ao aumento de negociações de moedas americanas no país. 

Por outro lado, em momentos de crise, diversos investidores adotam uma postura mais conservadora e fogem de mercados emergentes, que possuem maior volatilidade e risco. Assim, as cotações do dólar, do ouro e do petróleo disparam.

A procura por segurança global por parte dos investidores levou à alta do dólar. A moeda subia mais de 0,5% em relação à cesta de moedas dos seus parceiros comerciais. Em contrapartida, o euro está em uma tendência de desvalorização em relação ao real. 

Por fim, o movimento prejudicou também os mercados de criptomoedas. O Bitcoin atingiu o fundo dos US$ 37 mil, um dos menores nos últimos dois meses. 

newsletter
Receba informações exclusivas em seu email

Últimas notícias