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Por dentro do crédito privado: CRA, CRI, debênture e Oferta 476. Entenda!

Por dentro do crédito privado: CRA, CRI, debênture e Oferta 476. Entenda!

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

01 Fev 2022 às 15:14 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 7 min leitura

Redação EuQueroInvestir

01 Fev 2022 às 15:14 · 7 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

crédito privado

Reprodução/Pixabay

Nas minhas duas colunas anteriores, expliquei sobre a forma de remuneração das aplicações de renda fixa e um pouco sobre os títulos de emissões bancárias, que são os mais conhecidos do mercado. Hoje vamos falar um pouco mais sobre os títulos de crédito privado.

O crédito privado é um título de dívida emitido por empresas privadas que estão buscando captar recursos para financiar projetos, expandir suas operações, ampliar sua capacidade produtiva ou até mesmo investir em novas tecnologias.

Para tornar esse projeto realidade, é necessário despender de certo valor em capital. Assim como os bancos vendem CDBs para se capitalizar, empresas privadas podem fazer o mesmo.

Em termos práticos, o crédito privado possibilita a emissão de títulos de renda fixa que beneficiam investidores (que buscam rentabilizar seu capital) e empresas (que buscam capital para colocar em prática seus projetos).

Se você está buscando investimentos com retornos mais interessantes comparados a outros produtos de renda fixa, os títulos que iremos falar abaixo podem ser uma boa opção, pois geralmente oferecem melhores taxas de rentabilidade.

Mas, é importante ficar atento à solidez da companhia emissora para avaliar os riscos da aplicação. Isso porque esses títulos não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) que mencionamos na outra coluna.

Debênture

Imagine que uma empresa quer viabilizar um projeto novo que terá um custo de R$ 500 milhões. Em vez de solicitar crédito ao banco, ela pode emitir títulos de sua dívida para obter esse financiamento desejado.

Nesse caso, o investidor compra os títulos da debênture através da plataforma de um banco ou corretora, emprestando seu capital em troca de uma taxa de juros.

O tipo de rendimento, as taxas, o vencimento, o investimento mínimo e as garantias variam conforme a empresa. Todas essas informações constam na escritura de emissão, que pode definir até mesmo onde serão investidos os recursos captados com as debêntures.

Como você pode notar, as debêntures são títulos bastante distintos entre si. Afinal, podem trazer vencimento, remuneração, rendimentos, garantias e riscos variados, dependendo do caso. Por isso, cada opção deve ser analisada com cautela e se possível em conjunto com seu assessor de investimentos.

O prazo de investimento pode variar bastante de uma debênture para outra, de acordo com as características do financiamento buscado pela empresa, mas geralmente são prazos mais longos. Há títulos de alguns meses ou mais de 10 anos.

É importante lembrar que, não necessariamente o investidor precisa carregar uma debênture até o final do período, afinal ela pode ser negociada no mercado secundário. O mercado secundário é uma forma de oferecer liquidez aos títulos, o valor pago pelo comprador do ativo é recebido pelo vendedor e não pela empresa emissora, dessa forma os investidores podem trocar de mãos os ativos.

Debênture Incentivada

As debêntures incentivadas são aquelas com isenção fiscal, ou seja, o investidor não precisa pagar imposto de renda sobre a rentabilidade. Normalmente, esse benefício é dado aos títulos que buscam financiar atividades em segmentos específicos, que tenham relação com o desenvolvimento da economia.

Alguns exemplos: construção de portos e aeroportos, transmissão de energia, melhoria de rodovias e ferrovias, logística e saneamento básico.

Garantias

As espécies e garantias são dois aspectos muito importantes ao analisar o investimento em debêntures. Caso haja algum problema na hora de honrar os pagamentos, os investidores podem recorrer às garantias.

Garantia real: oferece bens da empresa emissora ou de terceiros como garantia de pagamento. Isso é feito com hipoteca ou penhor e, nesse caso, a empresa não pode negociar alienar ou onerar o bem durante o prazo do título. Esse tipo de garantia traz mais segurança ao investidor e é considerado como garantia forte.

Garantia flutuante: o investidor tem a prioridade em relação a outros credores em caso de falência da empresa emissora. Caso algumas dívidas sejam pagas, a sua tem maior chance de ser honrada. É considerada uma garantia fraca.

Quirografária (sem preferência): ela não concede prioridade sobre ativos da empresa emissora, ou seja, o investidor concorre com os demais credores em caso de falência. Nessa modalidade, o valor de emissão das debêntures é limitado ao capital social integralizado da companhia. É um tipo comum de debênture no Brasil.

Sem garantia subordinada: em caso de liquidação da sociedade, oferece prioridade de pagamento apenas em relação aos acionistas, no que se refere aos ativos da companhia. Não há limite no valor da emissão. Essa é a de menor garantia.

debêntures

CRA e CRI

Os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) são títulos de crédito privado emitidos por securitizadoras que geram um direito de crédito ao investidor.

Assim, quem compra um CRI ou CRA tem direito a receber uma remuneração do emissor, aplicando em um produto que, por sua vez, capta recursos para financiar projetos de investimento no mercado imobiliário ou do agronegócio para uma companhia específica.

A principal vantagem dessas aplicações é que, por se tratar de setores essenciais para o desenvolvimento da economia, não há cobrança de imposto de renda nem incidência de IOF sobre esses investimentos.

Assim como as debêntures, esses títulos não contam com a garantia do FGC, o que exige bastante atenção por parte do investidor em relação ao risco de crédito do emissor.

Pagamento de Juros

Uma característica comum entre os títulos de crédito privado é a antecipação do pagamento de juros e a flexibilidade com que os pagamentos são feitos.

Tanto as debêntures como os CRAs e CRIs podem fazer uma emissão de crédito com pagamento de juros Mensais, Semestrais ou Anuais, a partir do início da emissão ou de uma data específica.

Exemplo 1: Investidor comprou uma debênture com prazo de vencimento em 10 anos e pagamentos de juros mensais a partir do segundo ano, nesse caso ele já sabe que a partir do segundo ano irá receber os juros desse título todos os meses na conta corrente do banco onde o título estiver custodiado.

Exemplo 2: Investidor comprou uma debênture com prazo de vencimento em 5 anos e pagamentos de juros semestrais desde o início da emissão, nesse caso ele irá receber os juros desse título a cada 6 meses na conta corrente.

Ofertas restritas para Investidores Profissionais (Oferta 476)

Primeiramente, vamos esclarecer que investidor profissional é o investidor pessoa física ou jurídica que declara ter mais de R$ 10 milhões em investimentos no mercado financeiro.

As ofertas 476 são bastante restritas e com ticket de aplicação mais elevado, nas quais a aplicação mínima geralmente varia de R4 500 mil a R$ 3 milhões ou R$ 5 milhões.

Por se tratar de investidores que detém um grande conhecimento de mercado, as ofertas têm menos burocracia e na maioria das vezes não contam com análise de rating do emissor.

Cada uma dessas aplicações é de um emissor diferente e conta com uma série de garantias propostas que trazem mais segurança para o investidor. Na maioria das vezes, as taxas de rentabilidade são bastante superiores em comparação às ofertas abertas a público geral.

Após serem concretizadas, as ofertas 476 passam por um período de lock up de 90 dias, no qual o investidor não pode fazer nenhuma movimentação.

Muitas vezes o investidor profissional compra o ativo via oferta 476 e depois diminui a posição no ativo vendendo uma parte com ágio no mercado secundário.

Por se tratar de um produto com taxa de remuneração diferenciada e pouco acessível via oferta devido ao ticket mínimo que é bastante elevado, quando algum IP disponibiliza para venda no mercado secundário a demanda é sempre muito alta e os slots geralmente encerram em pouco tempo.

Afinal, qual dos ativos é o melhor investimento?

Não existe uma resposta, vai depender muito do objetivo de cada investidor e das oportunidades no mercado, o ideal é você contar com a ajuda de um assessor de investimentos para te ajudar a identificar as melhores opções disponíveis e minimizar os riscos de crédito, optando por ativos de bons emissores e com garantias fortes.

Darlin Agazzi, Agente Autônomo de Investimentos

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