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BRF (BRFS3) reporta bons números; BTG (BPAC11) tem recomendação neutra

BRF (BRFS3) reporta bons números; BTG (BPAC11) tem recomendação neutra

Redação EuQueroInvestir

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23 Fev 2022 às 15:30 · Última atualização: 23 Fev 2022 · 4 min leitura

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23 Fev 2022 às 15:30 · 4 min leitura
Última atualização: 23 Fev 2022

BRF (BRFS3)

O BTG Pactual (BPAC11) analisou o ativo BRF (BRFS3) em seu portfólio e optou pela recomendação Neutra com preço-alvo em R$ 25,00 por ação até o final de 2022.

De acordo com o banco de investimentos, a processadora de alimentos obteve resultados referentes ao quarto trimestre de 2021 em linhas com as expectativas do mercado.

Também divulgou um EBITDA ajustado de R$ 1,7 bilhão, 4% acima da estimativa – embora beneficiado por um ganho de R$ 50 milhões com a venda e baixa de alguns ativos – traduzindo em uma margem de 12,3% ( -70bps a/a, 60bps acima da estimativa).

Já a margem bruta de 22,8% ficou 50bps acima do número do banco, mas principalmente devido à depreciação abaixo do esperado, e as economias de escala (menores despesas gerais e administrativas) foram novamente destaques.

Por fim, o lucro foi mais forte em R$ 933 milhões com reversão substancial do imposto de renda, permitiu que a BRF encerrasse o ano com lucro de R$ 517 milhões.

“A alavancagem líquida (IFRS16) encerrou o trimestre em 3,8x LTM EBITDA com queima de fluxo de caixa no trimestre, ou 2,8x considerando o follow-on recente. Pior em qualidade, mas com algumas tendências positivas no ciclo”, destacou.

E acrescentou que o fato de a divisão brasileira ter apresentado margens mais fracas (12% EBITDA e 23% de margem bruta – queda a/a e t/t apesar da sazonalidade favorável) é algo que os investidores podem se preocupar.

“Isso levou o EBITDA do Brasil a ficar 15% abaixo da estimativa e 14% menor a/a, sugerindo que o resultado mais forte do terceiro trimestre foi um pouco pontual”, ressaltou.

Também os volumes de FPP (processados) mais baixos e ganhos de preço t/t mais suaves também colocam um ponto de interrogação sobre a possibilidade de ganhos adicionais de preço.

“Dito isso, observamos algumas tendências animadoras internacionalmente, como o EBITDA Halal que superou nossas expectativas em 10% para R$ 301 milhões em volumes e margens sólidas, refletindo ganhos de market share e melhoria da demanda na região; bem como as exportações diretas que tiveram uma grande recuperação da margem EBITDA para 14,3% (+900bps t/t). Como esse segmento normalmente opera com um time-to-market mais curto, acreditamos que isso poderia destacar um ciclo de aves melhor à frente para os outros segmentos. Por fim, as margens da Ásia permaneceram pressionadas, enquanto a divisão de ingredientes/pet food contribuiu com boas margens, embora o EBITDA por tonelada tenha ficado abaixo do esperado.”

BRF e Marfrig

Ainda de acordo com o BTG, mais ou menos importante que os resultados, a BRF publicou ontem um fato relevante informando que a Marfrig (MRFG3) propôs uma chapa com novos membros do conselho de administração (CA) para ser votada no dia 28 de março na assembleia geral ordinária.

A chapa, que foi aprovada pela maioria dos membros do atual CA da BRF (notícia informou 9 votos a favor e 1 abstenção), é formada por Marcos Molina (acionista controlador da Marfrig) como Presidente; Sergio Rial (ex-presidente do Santander Brasil e da Marfrig) como VicePresidente; Márcia dos Santos (também controladora da Marfrig); Augusto Cruz; Deborah Stern Vieitas; Flávia Bittencourt; Oscar Bernardes; Pedro de Camargo Neto; Altamir Batista da Silva; e Eduardo Augusto Pocetti.

“Apenas dois membros da chapa proposta já fazem parte da atual Diretoria (Augusto Cruz e Flávia Bittencourt), o que significa uma das mais profundas reorganizações na composição da Diretoria desde 2013”, disse.

E complementou que a chapa traz nomes fortes, o motivo por que o vemos como positivo. De fato, uma forte experiência no setor e um alinhamento total com o novo acionista de referência da BRF é algo que sempre esperamos ver.

Desde a sua criação, a BRF enfrentou várias mudanças estratégicas, incluindo tensão contínua entre os principais grupos de acionistas.

“Ter uma direção estratégica clara e de longo prazo para uma empresa que lida com uma cadeia produtiva tão longa e integrada, grandes pressões competitivas e um balanço ainda relativamente alavancado é algo para se comemorar. Embora a BRF tenha visto um ambiente mais estável desde que o atual CA e a equipe de gestão assumiram o cargo em 2018, ela nunca atingiu todo o seu potencial. Agora que a Marfrig deixou oficialmente claro que não será mais apenas um investidor passivo, algo que sempre acreditamos que aconteceria, a questão agora e se as mudanças serão profundas”, ressaltou.

E disse mais: “também acreditamos que uma fusão entre BRF e Marfrig poderia ser novamente uma alternativa plausível, embora ainda não esteja claro se os acionistas controladores da Marfrig estariam dispostos a ter seu poder de controle diluído em favor de uma fusão.”

Empresa se tornou menos arriscada

Para o BTG, a oferta recente tornou a BRF mais forte e menos arriscada, embora não tanto quanto o banco esperava inicialmente. Embora as alterações propostas ao seu conselho de administração, juntamente com um acionista de referência, devam marcar um novo capítulo e dar-lhe maior flexibilidade para perseguir suas ambições de longo prazo, a falta de clareza sobre para onde ela seguirá agora permanece.

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