Nem toda a temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 promete surpresas positivas.
Os estrategistas Ricardo Peretti e Alice Corrêa, do Santander, mapearam as empresas com maior risco de ficar abaixo das expectativas — e a lista reúne sete nomes de setores distintos.
O denominador comum é conhecido: ambiente macroeconômico adverso, consumo fraco, chuvas acima do normal e base de comparação difícil.
Ambev e varejo discricionário
A Ambev (ABEV3) abre a lista das possíveis decepções.
“Projetamos um trimestre novamente desafiador para a Ambev, marcado pela desaceleração dos volumes entre 5% e 6% na comparação anual, impulsionada por chuvas acima do normal, além de custos ainda em patamares elevados pressionando as margens”, afirmam Peretti e Corrêa.
O consenso projeta queda de apenas 3% nos volumes — o que coloca o Santander consideravelmente mais pessimista que o mercado.
No varejo discricionário, a Azzas 2154 (AZZA3) deve registrar queda de receita de 6,5% na comparação anual, com Ebitda recuando 11%.
“Embora esperemos continuidade na busca por eficiência operacional, ainda antecipamos alguma desalavancagem operacional”, destacam os estrategistas.

Bancos e seguros sob pressão
O Banco do Brasil (BBAS3) deve entregar mais um trimestre difícil, com lucro líquido estimado em R$ 3,5 bilhões.
“As provisões devem seguir elevadas, com pouco alívio em crédito e pressão sazonal nas margens. Os negócios de Cartões e Varejo continuaram a deteriorar ao longo de março, com melhor visibilidade esperada apenas para o segundo trimestre de 2026”, apontam Peretti e Corrêa.
A BB Seguridade (BBSE3) também deve decepcionar. O Santander projeta lucro líquido de R$ 2,075 bilhões — queda de 9% na comparação trimestral e resultado 4% abaixo do consenso.
“A queda sequencial será impulsionada principalmente por resultados financeiros mais fracos na BrasilPrev e pela desaceleração dos resultados de subscrição na BrasilSeg”, detalham os estrategistas.
O IRB (IRBR3) completa o trio do setor financeiro, com lucro menor na comparação anual diante de resultado financeiro estável e SG&A ainda pressionado.

Varejo de alimentos e mineração
O Grupo Mateus (GMAT3) deve registrar SSS (Vendas nas Mesmas Lojas) de -1,2% no trimestre, com margem Ebitda caindo cerca de 140 pontos-base na comparação anual para 6,4% — reflexo de desalavancagem operacional e despesas com novas iniciativas.
Na mineração, as chuvas sazonais pesam sobre a CSN Mineração (CMIN3), com volumes caindo 18% na comparação trimestral.
“Projetamos Ebitda consolidado da CSN (CSNA3) em R$ 2,549 bilhões, com margem de 25%, queda de 23% na comparação trimestral e alta de 2% na anual”, concluem Peretti e Corrêa — encerrando um mapa de riscos que cobre praticamente todos os grandes setores da Bolsa brasileira.
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