A ABB, gigante global de engenharia focada em eletrificação e automação industrial, reportou um trimestre recorde no primeiro trimestre de 2026 — e os números reverberam positivamente sobre as perspectivas da Weg (WEGE3). Para os analistas Daniel Federle e Ricardo França, do Bradesco BBI, os resultados da companhia suíça fornecem uma leitura cruzada construtiva para a fabricante brasileira.
“Os resultados da ABB fornecem uma perspectiva positiva para a Weg”, afirmam Federle e França de forma direta.
Os pedidos comparáveis do grupo avançaram 24% na comparação anual, enquanto as receitas cresceram 11% na mesma base. A carteira de pedidos atingiu um recorde de US$ 27,5 bilhões — 22% acima do período anterior —, levando a administração a revisar para cima o guidance de receita para 2026, com crescimento esperado de um dígito alto a dois dígitos baixos.
Motion e GTD como termômetros da Weg
O segmento mais relevante para a leitura sobre a Weg é a divisão de Motion da ABB — o mais próximo do negócio de Eletrificação e Intervenção Elétrica (EEI) da fabricante brasileira.
“A divisão de Motion apresentou melhora na relação entre pedidos e faturamento em relação ao ano anterior, atingindo 1,19 vez, com crescimento de receita comparável acelerando pelo segundo trimestre consecutivo, chegando a 7%”, destacam os analistas.
PublicidadePublicidade
A demanda de ciclo curto expandiu em ritmo de um dígito alto, distribuída entre segmentos e regiões, sem impacto visível do conflito no Oriente Médio.

No segmento GTD (Geração, Transmissão e Distribuição), os pedidos avançaram 44% em termos comparáveis — aceleração em relação aos 33% registrados no quarto trimestre de 2025. O motor do crescimento são os data centers, que expandem a taxas de três dígitos.
“A administração destacou um pipeline robusto, sustentado por uma demanda final genuína, sem sinais de antecipação”, ressaltam Federle e França.
Cobre como risco transitório
O principal ponto de atenção identificado pelo Bradesco BBI é a pressão de custo gerada pela alta nos preços de cobre e prata. A ABB relatou diferença temporária entre custos e preços, com expectativa de normalização até o segundo semestre de 2026.
“A Weg pode enfrentar um vento contrário transitório semelhante na margem no primeiro trimestre, dada sua exposição comparável ao cobre e ao aço elétrico”, projetam os analistas.
Contudo, a avaliação é clara: “isso deve ser visto como uma questão de tempo, e não como uma erosão estrutural do poder de precificação”. A margem Ebitda de Eletrificação da ABB expandiu 0,80 ponto percentual na comparação anual, para 24%, mesmo diante da pressão de commodities — sinal de que o setor mantém poder de repasse de preços.






