A Multiplan (MULT3) voltou ao centro das atenções do mercado após ter seu preço-alvo elevado para R$ 45 para 2026, com recomendação reiterada de outperform (compra) e status de “Top Pick” entre as empresas do setor de shoppings. O movimento reflete uma combinação de valuation considerado atrativo, resiliência operacional e perspectivas de crescimento sustentado nos próximos anos.
Segundo relatório do banco Santander (SANB11), o ajuste nas estimativas foi realizado após a incorporação dos resultados do quarto trimestre de 2025, além de novas premissas macroeconômicas e discussões estratégicas com a administração da companhia, incluindo eventos recentes com investidores.
Na avaliação dos analistas, a Multiplan segue negociando a múltiplos descontados, com P/AFFO projetado para os próximos 12 meses em 12,6x, abaixo da média histórica de 15,4x. Esse desconto, aliado à qualidade do portfólio, sustenta a visão construtiva para o papel.
Outro ponto de destaque é a expectativa de rendimento de fluxo de caixa livre (FCL) de 7,7% em 2026, reforçando o potencial de geração de valor ao acionista mesmo em um cenário macro ainda desafiador.
Operação resiliente
A companhia também se beneficia de um portfólio composto por ativos considerados dominantes, o que contribui para maior previsibilidade de receitas e resiliência de lucros ao longo do ciclo econômico.
Além disso, a governança corporativa segue como um diferencial relevante, fator frequentemente destacado por analistas como elemento-chave para sustentar o prêmio de longo prazo da empresa frente aos pares listados.
As novas projeções incorporam uma melhora na margem de NOI ao longo de 2026, impulsionada pela recuperação de despesas operacionais e pela retomada na cobrança de aluguéis em atraso.
Outro vetor relevante é a expectativa de revisões positivas adicionais nas estimativas de AFFO para 2027, especialmente diante dos potenciais impactos benéficos da reforma tributária baseada no IVA.
Expansão e reciclagem
No campo operacional, a Multiplan deve avançar com novos projetos de expansão, com destaque para o BH Shopping, que terá uma ampliação de aproximadamente 13 mil m².
Adicionalmente, a companhia prevê a venda de uma participação de 10% no ativo, o que deve gerar ganhos extraordinários e reforçar a estratégia de reciclagem de capital.
Os planos de investimento também foram atualizados, com a retomada de expansões em outros ativos relevantes, como o Jundiaí Shopping e o ParkShopping São Caetano, embora com metragem revisada para baixo em relação às estimativas anteriores.
Com isso, o capex projetado para 2027 foi elevado para R$ 536 milhões, representando um aumento de 40% frente às projeções anteriores, refletindo uma estratégia mais ativa de crescimento.
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