A MBRF (MBRF3) deve reportar um primeiro trimestre de 2026 sazonalmente mais fraco em todas as suas unidades de negócio. A projeção é da XP Investimentos, cujos analistas Leonardo Alencar e Pedro Fonseca estimam Ebitda ajustado consolidado de R$ 2,8 bilhões — queda de 12% na comparação anual e de 18% em relação ao quarto trimestre de 2025.
“Projetamos que a Marfrig reporte resultados sazonalmente mais fracos, com queda sequencial de Ebitda em todas as unidades de negócio“, afirmam Alencar e Fonseca.
A receita líquida consolidada estimada é de R$ 40,2 bilhões, alta de 4% na comparação anual, mas recuo de 8% na sequencial. A queima de caixa projetada é de R$ 524 milhões no trimestre.
BRF sustenta margem apesar do Brasil fraco
A BRF é o principal componente da consolidação da Marfrig e apresenta um quadro misto no trimestre. No mercado doméstico, a XP projeta queda de 5% nos volumes e retração de 10% na receita na comparação anual, reflexo de um ambiente de consumo enfraquecido no Brasil e de preços mais baixos de produtos in natura. Entretanto, a operação internacional compensa parte do impacto.

“Estimamos crescimento de 5% nos volumes internacionais, refletindo exportações robustas, enquanto o Ramadã também deve atuar como importante vetor de demanda”, destacam os analistas.
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Os volumes destinados ao Oriente Médio não foram significativamente afetados no trimestre, pois a empresa contava com estoques no exterior e conseguiu ajustar as rotas de exportação.
Como resultado, “apesar dos ventos contrários no mercado doméstico, projetamos margem de Ebitda ajustado praticamente estável em 14,9%”, o que equivale a Ebitda ajustado de R$ 2,3 bilhões.
National Beef e América do Sul sob pressão
As demais divisões operacionais da Marfrig enfrentam cenário mais difícil. A National Beef, operação americana, deve encerrar o trimestre com Ebitda próximo do ponto de equilíbrio — deterioração significativa ante a margem de 0,8% registrada no quarto trimestre de 2025.
“Projetamos queda sequencial de margens em ambas as operações, refletindo demanda sazonalmente mais fraca e preços mais altos do gado em função do avanço do ciclo pecuário”, explicam Alencar e Fonseca.
A operação da América do Sul deve registrar Ebitda ajustado de R$ 546 milhões, queda de 20% na comparação trimestral, com margem de 9,6% — recuo de 110 pontos-base em relação ao quarto trimestre de 2025, ainda que com alta de 20% na comparação anual.
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