O Bank of America enxerga uma melhora nas condições técnicas do mercado brasileiro a um mês das eleições, mesmo mantendo a leitura cautelosa sobre os fundamentos. O Ibovespa já cede 9% em relação à máxima do ano, e o fluxo de saída do capital estrangeiro estancou nas últimas duas semanas.
“O sentimento e as condições macroeconômicas seguem fracos, mas achamos que as condições técnicas melhoraram na margem”, apontam os analistas do Bank of America, em relatório liderado por David Beker.
A leitura vem acompanhada de uma mudança na carteira. A Localiza (RENT3) saiu por falta de gatilhos, e a Motiva (MOTV3) entrou por valuation. A alocação segue concentrada em geração de caixa, empresas grandes e líquidas, com balanços sólidos e histórico de execução comprovado.
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Atividade em desaceleração e juros restritivos
“A atividade brasileira continua moderando à medida que a política monetária restritiva pesa sobre a demanda doméstica. As tendências recentes apontam para indústria mais fraca, perda de ritmo em serviços e um esfriamento gradual da economia”, observam os analistas.
As projeções desenham essa trajetória. O banco espera o PIB desacelerando de 2,3% em 2026 para 1,3% em 2027 e 1,0% em 2028. Na política monetária, a aposta é de mais um corte de 25 pontos-base em setembro, seguido de uma pausa prolongada, com a Selic encerrando 2026 em 13,75%, caindo para 12,75% em 2027 e 11,75% em 2028.
Desconto no preço, risco no lucro
O Ibovespa excluindo as commodities negocia com desconto de 15% ante a média histórica. O contrapeso está nos resultados: as projeções de consenso para 2026 já foram revisadas para baixo de forma relevante, e o banco enxerga risco considerável de novos cortes nas estimativas para 2027, com os juros altos pressionando as margens dos setores domésticos.
“Continuamos preferindo bancos selecionados, que parecem mais bem posicionados para um ambiente de crédito mais difícil e oferecem risco relativamente baixo de frustração nos lucros em um cenário de Selic elevada”, dizem os analistas do Bank of America, em relatório liderado por David Beker.
“A incerteza fiscal após as eleições segue como a principal preocupação. A dívida pública em alta exige um ajuste relevante, ainda que a estrutura rígida de gastos do Brasil limite o espaço para consolidação fiscal”, projetam os analistas.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro, e o banco reconhece que a visão neutra pode ser desafiada tanto por um resultado eleitoral binário quanto pela percepção do mercado sobre as propostas dos candidatos.






