As dívidas dos servidores públicos bateram todos os recordes em 2019. De acordo com dados do Banco Central, publicados em reportagem do Correio Braziliense, as dívidas do funcionalismo atingiram R$ 222,2 bilhões somente no crédito consignado, aquele em que as prestações são descontadas direto na folha de pagamento.
O aumento em relação a 2018 foi de R$ 33,6 bilhões, ou 17,8%. Isso significa dizer que foram contratados R$ 2,8 bilhões em débitos por mês, na média, ou R$ 133,4 milhões por dia útil.
Quando comparada à dívida dos trabalhadores do setor privado no mesmo período, a discrepância dos números dos servidores em 2019 fica ainda mais evidente.
Os débitos dos trabalhadores da iniciativa privada no mesmo período somaram R$ 23 bilhões, 46% menos do que o aumento das dívidas dos servidores públicos de 2018 para 2019.
De acordo com os especialistas consultados pela reportagem do Correio Braziliense, essa diferença existe porque os bancos preferem concentrar os empréstimos consignados para o setor público, que oferece uma estabilidade de emprego muito maior do que no privado.
Outro lado da moeda
Se por um lado os servidores públicos têm maior facilidade para obter empréstimos consignados, por outro eles também apresentam tendência de se “enrolar” por conta das dívidas.
A reportagem do Correio Braziliense conversou com funcionários da Esplanada dos Ministérios e constatou que alguns colegas da Casa estão apresentando sinais de depressão por não saberem lidar com as dívidas.
“Sabemos de colegas que estão passando por sérias dificuldades por causa do excesso de dívidas. Primeiro, começaram com o consignado. Depois, mergulharam no empréstimo pessoal, no cartão de crédito e no cheque especial”, comentou uma delas, que não quis se identificar.
“Nesses casos, as faltas são frequentes. Basta ir às áreas de Recursos Humanos dos ministérios para ouvir relatos de superendividamento de servidores”, complementou.
As dívidas, inclusive, não são para arcar com prioridades, conforme relato de outro funcionário. “Sei de pessoas que ganham R$ 30 mil por mês, mas devem R$ 700 mil ou mais a bancos. E, nessa conta, não há financiamento da casa própria. Ou seja, é dívida para consumo ou emergências”.





