O BTG Pactual (BPAC11) publicou um relatório de análise, nesta sexta-feira (18), para atualizar o valor do preço-alvo do Assaí (ASAI3) para R$ 19. Atualmente, a cotação do papel está na casa dos R$ 13,30.
Os analistas do banco de investimentos relatam que há perspectivas menos atraentes para os varejistas de alimentos no curto prazo. Visto que o setor enfrenta uma forte concorrência, margens apertadas e uma inflação alta nos preços dos alimentos, que diminui o poder de compra da população brasileiro.
Entretanto, uma desaceleração da inflação no segundo semestre aliado com os efeitos iniciais da conversão dos hipermercados Extra para o formato de atacarejo que proporcionam maior crescimento de vendas, deve proporcionar uma perspectiva mais positiva para o Assaí.
Com potenciais cortes na taxa de juros a partir de 2023, podem aliviar a pressão sobre os resultados financeiros da rede de atacados, após o Assaí aumentar a sua alavancagem para iniciar o negócio do GPA (PCAR3).
“Vemos a ação em 20x P/L 2022 e 11x P/L 2023 (43% de potencial de valorização com base em nosso novo preço-alvo de R$ 19 para o final de 2022 vs. R$ 21 antes)”, indica o relatório do BTG Pactual.
Assaí tem fortes perspectivas de crescimento
De acordo com o relatório, o varejo alimentar brasileiro registrou ciclos de aumento de volumes e queda nos preços, ou vice-versa, que pressionam margens e crescimento nos últimos anos. Porém, o pagamento do Auxílio Emergencial para a população mais carente, em 2020, apresentou um cenário raro de preços e volumes mais altos. Fato que ajudou todo o setor de atacados no Brasil.
Contudo, no segundo semestre de 2021, encerra-se o Auxílio Emergencial em outubro e chega uma inflação forte, principalmente alguns alimentos, que pressionaram a demanda pelos produtos. Com isso, os atacarejos tiveram que alterar as dinâmicas do jogo.
Mas 2022 promete um ambiente mais favorável para o setor. “Com a melhora gradual da economia neste ano, principalmente no quesito inflação, estamos atualizando os números do Assaí, nosso Top Pick no varejo alimentar”, afirma o BTG.
Deste modo, os analistas compreendem que a ação ainda está bem pressionada no curto prazo, diante dos resultados mais fracos que devem ser continuados no primeiro semestre. Porém, “[…] a aceleração esperada no SSS (vendas nas mesmas lojas) aliada aos resultados iniciais das 70 conversões de lojas nos próximos dois anos sustentam nossa visão positiva sobre a ação no médio/longo prazo (negociando a um atrativo 11x P/L 2023)”, avaliam os analistas.
Potencial de conversão da loja após o ruído de governança
Em outubro de 2021, o Assaí aceitou comprar 70 hipermercados Extra pelo valor de até R$ 5,2 bilhões. Segundo o relatório do BTG Pactual, essas lojas juntas tiveram vendas, nos últimos 12 meses, de R$ 8,7 bilhões. Além de, aproximadamente, R$ 270 milhões de EBITDA.
A conversão de lojas de hipermercados para atacarejo era comum antes da cisão do Assaí e do GPA, em março de 2021. Apesar disso, o acordo entre partes relacionadas levantou inicialmente questões de governança.
Além da discussão sobre governança, os analistas do BTG Pactual calculam que as lojas convertidas representam R$ 5 do preço-alvo, de R$ 19, e 32% e 22% em média do total de vendas e EBITDA da empresa, respectivamente, nos próximos cinco anos.
“Enquanto isso, estimamos que 45% das lojas a serem convertidas estejam em cidades com renda média acima de R$ 2.000 (vs. 32% da base atual do Assaí e 23% do segmento total de cash-and-carry), abrindo um novo crescimento caminho para a empresa em meio à crescente saturação do formato de atacarejo. Assim, vemos o sucesso das conversões como um elemento chave para desbloquear valor nos próximos anos’, conclui o relatório.






