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Vale investir na Tupy (TUPY3)? Empresa foca no multicombustível e estima receita anual combinada em R$ 8 bi com Teksid

Vale investir na Tupy (TUPY3)? Empresa foca no multicombustível e estima receita anual combinada em R$ 8 bi com Teksid

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

02 Nov 2021 às 19:00 · Última atualização: 02 Nov 2021 · 7 min leitura

Redação EuQueroInvestir

02 Nov 2021 às 19:00 · 7 min leitura
Última atualização: 02 Nov 2021

A joinvilense Tupy (TUPY3) estima receita anual combinada em R$ 8 bilhões com a Teksid agregada à companhia. Trata-se de empresa europeia especializada na produção de ferro e peças fundidas para a indústria automotiva, adquirida por quase 68 milhões de euros.

Com a aquisição, anunciada em julho, a Tupy expande sua capacidade operacional em 40%, chegando a 950 mil toneladas de componentes de ferro fundido por ano.

A companhia se prepara agora para apresentar no Congresso de Viena, em 2022, um motor híbrido para trabalhar com gasolina e álcool. Isso porque a Tupy já visualizou que o futuro dos seus negócios se dará no segmento multicombustível.

Werner Roger aponta bom momento da empresa durante a Money Week

Durante a realização da Money Week, evento sobre investimentos da EQI, Werner Roger, sócio fundador da Trígono Capital, revelou possuir a ação da Tupy na carteira da gestora e justificou: “Estamos no terceiro melhor ano da história da indústria automobilística no Brasil e há pedidos até abril. A Tupy é a maior empresa do mundo em seu seguimento e comprou a segunda, vai faturar 12 bi em dois anos, pode gerar um lucro de 1,2 bi e vale menos de 3 bi hoje”, afirmou.

Ele ainda acrescenta os bons números da companhia: “A Tupy tem 1 bi em caixa e não tem dívidas nos próximos 10 anos, 80% de suas receitas são em dólar e os EUA representam 65% do mercado da empresa”.

Futuro multicombustível

Conforme a empresa, apostar em multicombustível não se trata apenas de um conceito do que está por vir, mas sim de uma demanda premente por boa parte de sua clientela. Principalmente porque há uma necessidade latente pelo uso de tecnologias já conhecidas, mas pouco exploradas.

Um exemplo disso é o movimento que a companhia está fazendo para diminuir o uso de carbono em seus produtos. Por isso, o referido motor híbrido terá fontes mais limpas, sendo este um equipamento que utiliza ferro vermicular, que traz uma combinação mais leve e mais barata.

Acontece que o insumo é uma liga metálica que vem ganhando popularidade em aplicações que requerem uma resistência maior ou peso menor que o ferro cinzento.

Com essa tecnologia implementada às operações, a Tupy estima uma “avenida de crescimento” à frente, por conta da receita advinda do segmento de carros de passeio. A empresa tem uma dependência ínfima, atualmente, desse setor, mas está trabalhando para “alargar” essa estrada.

Tupy Tech

CEO da companhia, Fernando de Rizzo participou de uma live promovida pela Trígono Capital, dia 20 de outubro, em companhia do chairman Ricardo Durazzo.

Segundo eles, a empresa já tem uma rota implementada para a descarbonização por meio de produtos e componentes que trabalham com as frações mais limpas dos combustíveis fósseis.

Também disseram que esse novo viés leva em consideração as novas tecnologias. Por isso, a empresa criou a Tupy Tech, que atua com pesquisa e desenvolvimento para fomentar soluções disruptivas, bem como a Tupy Up, que atua no segmento de transformação digital, convertendo e escalando oportunidades em novos negócios. Tem ainda a SHIFT T que é uma aceleradora de startups.

Fontes de energia e consumo

De acordo com o presidente do Conselho de Administração, Ricardo Durazzo, o consumo de carvão, petróleo e gás natural domina a matriz energética global, representando 81% do uso, atualmente.

Por isso, elencou, aos poucos a Tupy está descarbonizando suas operações, entretanto, esse ciclo vai levar 70 anos para todas as companhias.

Acontece que, disse, a descarbonização, do jeito que é tratada atualmente pela imprensa e instituições engajadas, não atende a indústria geral no curto prazo.

Para complementar, Rizzo disse que no Brasil devem rodar cerca de dois milhões de caminhões, dos quais 30% são veículos com mais de 15 anos, sem qualquer controle de emissões.

E acrescentou que com a substituição dessa frota haveria redução de 70% do material particulado, que são partículas muito finas de sólidos ou líquidos suspensos no ar, bem como redução de 50% da emissão de MOX, que é o Oxido Nitroso.

“O impacto ambiental disso seria muito maior apenas substituindo essa frota. Na realidade, vivemos em um país com os piores índices de segurança nas estradas, sendo que boa parte dos acidentes ocorre por péssima condição dos equipamentos e veículos”, frisou.

Um caminho, segundo ele, seria a indústria fornecer um ciclo de troca. “Nossa frota deveria ter idade média de 4 a 6 anos, e isso tornaria o país mais competitivo, além de beneficiar toda a sociedade.”

Tupy: “Descarbonização não vai ser de graça”

O chairman ressaltou que a descarbonização não vai sair de graça. “Ela vai custar caro e vai ser inconveniente. A indústria queima carvão, petróleo e gás nos últimos 200 anos porque é muito barato”.

Com a afirmação, Durazzo quis fazer um contraponto à tendência de implementação de nova matriz energética, dita limpa, que não tem capacidade de ser absorvida pela indústria da maneira como vem sendo abordada. “Esta é a razão pela qual o consumo de combustíveis fósseis continuará a crescer no mundo. Os subsídios que têm sido dados às novas tecnologias não se justificam hoje”, disse.

“A solução é um caminho já conhecido”

De acordo com os executivos, a solução é o país implementar um caminho já conhecido, mas preterido pelas autoridades.

“O Brasil vai adotar uma rota de consumo de biocombustível, com destaque para o Etanol”, disseram, acrescentando que também é preciso usar energia nuclear por mais impopular que esta seja.

Acontece que, segundo eles, a energia nuclear depende do urânio, que é um elemento químico, e radioativo, mas que pode ser usado para geração de energia.

“A Marinha Americana opera reatores a 80 anos e nunca teve problemas. Novos reatores, da geração 4, são extraordinariamente seguros e úteis”, disse Durazzo, em relação à eletrólise e redução de hidrogênio que estes proporcionam.

Ele enfatizou que se trata de uma energia limpa e abundante, que pode ser usada para descarbonizar, por exemplo, a indústria siderúrgica. “A siderurgia sozinha emite mais carbono do que todos os carros de passeio do mundo”, destacou.

E disse mais: “a França, por exemplo, adotou energia nuclear nos anos 70 e 80 por causa da dependência do petróleo e transformou o país. A Alemanha, por sua vez, importa energia nuclear da França e gás da Rússia.”

“Dá também para fazer combustível sintético. Já existem projetos nesse segmento. Você cria um ciclo parecido com o ciclo da cana”, ressaltou.

Possibilidades para a diminuição do carbono

Para os executivos, dentre as possibilidades para a diminuição do carbono e produção de energia limpa estão o uso de hidrogênio verde, biocombustíveis, fusão nuclear, e multicombustíveis.

  • Hidrogênio Verde

É apontado como uma das grandes apostas na transição energética para um mundo neutro em carbono. Ele é obtido por meio do processo de eletrólise, a partir de fontes renováveis, e pode substituir o uso de combustíveis fósseis em indústrias intensivas em carbono.

  • Biocombustíveis

São derivados de biomassa renovável e podem substituir, parcial ou totalmente, combustíveis derivados de petróleo e gás natural em motores a combustão ou em outro tipo de geração de energia.

  • Fusão Nuclear

Trata-se de um processo em que dois núcleos se combinam para formar um único núcleo, mais pesado. Um exemplo importante de reações de fusão é o processo de produção de energia no sol, e das bombas termonucleares (bomba de hidrogênio).

  • Multicombustíveis

O motor que usa essa tecnologia transforma energia de calor em movimento em energia mecânica. Ele funciona baseado em uma lei da física que explica a expansão e a contração do ar em função da variação da temperatura. O equipamento funciona com qualquer tipo de material que gere calor como combustíveis tradicionais, energia solar, restos de culturas, biogás ou palha.

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