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Tesouro Direto: invista em títulos públicos

Tesouro Direto: invista em títulos públicos

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

06 Jul 2022 às 02:40 · Última atualização: 06 Jul 2022 · 17 min leitura

Redação EuQueroInvestir

06 Jul 2022 às 02:40 · 17 min leitura
Última atualização: 06 Jul 2022

foto de mulher observando cofre em formato de porco

Reprodução/Pixabay

Se você está entrando agora para o mundo das finanças, é bem possível que tenha recebido conselhos de alguém, ou que tenha lido em algum lugar, e concluído que investir em Tesouro Direto é um bom negócio. E, de fato, esse é um investimento que geralmente faz sentido para as mais variadas carteiras. Sobretudo quando se trata de investidores que buscam segurança. Mas que tal irmos além dessa resposta introdutória? 

No texto a seguir, você vai entender por que o Tesouro Direto é tão seguro. Vai perceber quais são as nuances e tipos que compõem esse investimento. E, principalmente, vai conseguir definir se ele faz sentido para o seu perfil especificamente. Então, para fazermos mais do que simplesmente defini-lo como um bom negócio, vamos entender: Tesouro Direto é uma boa opção de investimento para você?

Títulos do Tesouro Direto

Antes de explicar como esse investimento pode fazer sentido dentro do portfólio de investimentos de uma pessoa, é importante entender do que estamos falando. Para começar, investir no Tesouro Direto significa comprar títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional. Na prática, quer dizer que você vai emprestar dinheiro ao Governo, que, em troca, vai pagar um valor a mais como juros.

Por que é importante começar entendendo a essência desse investimento? Porque ela garante algumas das características mais importantes para o investidor. Por exemplo, emprestar dinheiro sempre traz um certo nível de risco. Mas como funciona esse risco quando o devedor é um governo – que, na prática, não tem o mesmo risco que uma empresa de quebrar? O risco para quem empresta é muito menor, obviamente.

Voltando ao Tesouro Direto, ele é um programa do Tesouro Nacional, desenvolvido em parceria com a B3, a bolsa de valores oficial do Brasil, sediada na cidade de São Paulo. A partir dele, pessoas físicas podem comprar esses títulos públicos federais, ou frações deles, por meio de bancos e corretoras de investimento com investimentos a partir de R$ 30. Você vai entender, depois, porque deve escolher bem a sua parceira nessa empreitada.

Essas características mais gerais são compartilhadas por todos os investimentos que estão dentro desse guarda-chuva do Tesouro Direto. Contudo, há nesse bojo títulos que diferem nos tipos de rentabilidade, nos prazos de vencimento e nos fluxos de remuneração. Então, precisamos entender essas opções e suas respectivas características.

O Tesouro Direto tem três tipos de investimento. O primeiro é o Tesouro Prefixado, com o qual se sabe exatamente a rentabilidade e o valor a receber na data de vencimento do título. Depois, temos o Tesouro Selic, no qual a rentabilidade da aplicação é baseada na taxa Selic, a taxa básica de juros da economia. E, por fim, temos o Tesouro IPCA, que tem a rentabilidade da aplicação baseada em uma parte fixa (prefixada) e uma parte atrelada à variação da inflação, que, como o nome indica, é medida pelo IPCA.

Renda Fixa, Selic e IPCA

Antes de nos atermos às peculiaridades de cada tipo, é importante retomarmos essas nomenclaturas que estão bastante presentes na vida do investidor, começando pela Renda Fixa. Esse tipo de investimento se configura quando se compra um título e, a partir disso, empresta-se dinheiro ao emissor do papel. No caso do Governo, há o Tesouro Direto e os Títulos Públicos Federais.

Mas não é só o Governo que é capaz de emitir papéis desse tipo, uma vez que empresas e bancos também o fazem. Por isso, há também as opções de investimento em Títulos Privados. São os casos de siglas bem conhecidas, como CDB, LCI e LCA, entre outras. Assim, todo investimento no Tesouro Direto é um investimento em renda fixa, mas nem todo investimento em renda fixa ocorre no Tesouro Direto.

Em geral, é importante que o investidor comece entendendo essas características básicas dos investimentos em renda fixa e dos investimentos em renda variável. É importante que saiba que, no primeiro caso, tendencialmente busca-se mais segurança, enquanto no segundo, assume-se mais riscos em busca de maiores rendimentos. Essa dicotomia pode ser entendida a partir de uma série de comparações.

Outra característica dos rendimentos de renda fixa é a previsibilidade. Como vimos brevemente antes, e entenderemos com mais profundidade a seguir, eles podem estar atrelados aos dados da Taxa Selic e do IPCA. Vejamos o que esses dois componentes tão relevantes para os investimentos significam.

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela se refere à taxa de juros apurada nas operações de empréstimos entre as instituições financeiras que utilizam títulos públicos como garantia e se configura no principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação. Ou seja, ela influencia todas as taxas de juros do país, incluindo empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.

O IPCA, por sua vez, é a sigla para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Trata-se de uma ferramenta para observar tendências de inflação no país, entendendo o comportamento dos preços. A partir dele, o IBGE entende o consumo no país, o que impacta diretamente a maneira como o mercado se comporta. 

Tesouro Direto: tipos de títulos

Entendemos o que é o Tesouro Direto, que é um título público e é considerado um investimento em renda fixa. Trata-se, então, de uma opção mais segura do que a maioria dos investimentos disponíveis no mercado, mas, por outro lado, não oferece margens maiores de rendimento no curto prazo. Ou seja, é um investimento que faz sentido principalmente para aqueles que estão mirando o crescimento sustentável e de longo prazo.

Além de muito seguro e acessível, há que se dizer que o Tesouro Direto apresenta muitas opções de investimento e oferece boa rentabilidade e liquidez diária, mesmo sendo a aplicação de menor risco do mercado. Dito isso, podemos entrar nas particularidades de cada um dos tipos de investimento dentro desse cenário. 

Tesouro Prefixado

O título prefixado é aquele com o rendimento e o valor de resgate conhecidos no momento em que você faz o investimento. Funciona da seguinte forma: você compra o título sabendo exatamente quanto vai ganhar quando houver o vencimento. Assim, o rendimento é, como o nome sugere, prefixado. A rentabilidade anual acordada no começo do investimento será mantida ao longo do período, o que confere a esse investimento a total previsibilidade dos ganhos absolutos – o que não quer dizer que este é o investimento mais seguro por isso.

Perceba que ele não está amarrado a nenhum índice da economia, isto é, não dissemos que ele rende algum percentual de algum dos indicadores explicados no tópico anterior deste texto. Essa característica lhe difere das outras opções de investimento no Tesouro Direto. Resumindo, ele é o ideal para quem quer conhecer exatamente quanto vai receber no dia do vencimento assim que faz a sua aplicação. 

Títulos de Tesouro Prefixado podem ser encontrados em dois formatos. No primeiro, chamado simplesmente de Tesouro Prefixado, nova forma da antiga Letra do Tesouro Nacional, a LTN, 100% da sua rentabilidade é prefixada e determinada no momento do investimento e o pagamento ocorre com a data do vencimento do título. Já no caso do Tesouro Prefixado com Juros Semestrais, que era chamado de Nota do Tesouro Nacional Série F, ou NTN-F, o pagamento dos juros ocorre a cada seis meses. 

Por fim, cabe voltar ao aspecto da segurança e da previsibilidade. Como dissemos, nesta opção o investidor sabe exatamente qual será o rendimento. É a garantia de ter ganhos, certo? Não exatamente. 

Pensando apenas no valor de maneira isolada, sim, a rentabilidade garante que o dinheiro recuperado no período de vencimento do título será maior que aquele investido. Contudo, se houver um aumento veloz e considerável dos juros e da inflação, você vai deixar de ganhar com outros investimentos que passam a ser mais atrativos e vai ver o valor real ser deteriorado pelo aumento dos preços dos produtos e serviços.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic também é conhecido como Letra Financeira do Tesouro (LFT), seu nome técnico. Como vimos antes, Selic é a taxa básica de juros. Quando os juros estão altos, passa a ser mais difícil tomar dinheiro, para falar em apenas um de seus vários efeitos. Mas os juros altos são uma oportunidade para quem tem a possibilidade de estar do outro lado do balcão e oferecer dinheiro emprestado – neste caso, ao Governo -, o que faz do Tesouro Selic hoje uma ótima opção.

Então, esse é um título pós-fixado. Isso porque a taxa de remuneração é conhecida no momento da aplicação, mas você só fica sabendo o valor do resgate na data de vencimento. Afinal de contas, o Tesouro Selic acompanha a variação da taxa básica de juros da economia, que é definida pelo Banco Central em reuniões a cada 45 dias.

Esse investimento tem liquidez diária e o rendimento é adicionado à aplicação todos os dias. Além disso, se for necessário vender o papel antes de seu vencimento, é pago o retorno até aquela data. Por isso, é altamente seguro e útil para a construção de uma reserva de emergência.

Tesouro IPCA

Neste caso, há dois tipos: o Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B). A diferença de um para o outro tem dinâmica parecida com a que ocorre nos dois formatos do Tesouro Prefixado, ou seja, são referentes ao período de pagamento. Mas vejamos características de cada opção.

Leia também: NTN-B – por que comprar no mercado secundário é mais vantajoso?

O Tesouro IPCA+ é um título da categoria híbrida, isto é, tem uma parte do retorno prefixada e o restante é indexado ao IPCA. Dessa forma, configura-se num investimento protegido contra a inflação, fazendo com que seu ganho sempre ocorra de maneira real. O caso do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais é parecido, tendo também papel híbrido. Neste modelo, porém, em duas vezes por ano é pago o proporcional da remuneração combinada, enquanto a parte prefixada só é paga integralmente na data de resgate do papel.

Como investir

Já está pensando em começar a investir no Tesouro Direto? Saiba que o processo todo é bem simples, uma vez que ele foi projetado para democratizar o acesso aos títulos públicos. O processo pode ser dividido em quatro partes básicas: primeiro, você deve simular seu investimento e ver qual é a opção que melhor se encaixa no seu caso; depois, fazer o seu cadastro em uma instituição financeira; em seguida, depositar ou transferir o dinheiro para a instituição financeira; e, por fim, começar a investir.

Achou fácil demais? É claro, esse é só um resumo. Ao longo do processo, você, para começo de conversa, não precisa fazer tudo de uma só vez. É possível efetuar o cadastramento e não fazer nenhum investimento de imediato. As taxas relacionadas ao Tesouro Direto, tópicos que explicaremos a seguir, só são cobradas quando são realizados os investimentos.

Cuidados na hora de investir

Não há como cancelar uma operação feita no Tesouro Direto, e se não houver pagamento após o investimento estar confirmado, você é advertido. Em caso de reincidência, fica suspenso. Esse é um detalhe importante, porque o pagamento dos investimentos é feito por meio do valor que você deixa disponível na conta da sua instituição financeira. 

Vale lembrar que o investimento ocorre em parcelas que transcorrem ao longo do período. Então, não se trata apenas de um valor, mas de um valor inicial e outros compromissados por um período. Assim, é uma forma de investir que requer consistência, o que não quer dizer que seja necessário dispor de um valor exorbitante: o valor mínimo para começar a investir é de R$ 30 por mês.

Essa consistência, por outro lado, não obriga o investidor a se tornar um expert no assunto e acompanhar o Tesouro Direto todos os dias. Isso porque a instituição financeira pode realizar investimentos no Tesouro Direto para você, desde que haja autorização formal para isso. Outro ponto importante sobre a instituição financeira é que, caso você queira tirar os seus títulos de uma para realocar em outra, é necessário apenas solicitar a transferência à instituição de origem e informar a instituição de destino.

Impostos

No que se refere aos impostos, o Tesouro Direto não é muito diferente das demais aplicações financeiras. No caso dele, também se faz necessário informar esse investimento no Imposto de Renda. Para obter os Informes de Rendimentos dessas aplicações, basta fazer contato com a instituição financeira pela qual você realiza suas operações.

Também em acordo com outros investimentos, é cobrado o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para resgates da aplicação em menos de 30 dias e o Imposto de Renda (IR) para os demais prazos superiores a isso. 

Os pontos positivos são que o imposto incide apenas sobre o rendimento (isto é, o valor gerado, e não o valor investido), é retido na fonte e tem a alíquota regressiva. Ou seja, quanto mais tempo o dinheiro fica investido, menos se paga de imposto. No que se refere aos prazos, a tabela é composta da seguinte maneira: são 22,5% em aplicações com prazo de até 180 dias; 20%, em aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias; 17,5% em aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias; e 15% em aplicações com prazo acima de 720 dias.

Taxas

Diferentemente dos impostos, as taxas que são encontradas nesse tipo de investimento estão ausentes em outras opções do mercado. Ou seja, devem ser consideradas no comparativo com outros investimentos e, neste caso, são desvantagens relevantes. A propósito, são cobrados dois tipos de taxas nas operações com o Tesouro Direto: a taxa de custódia e a taxa de administração.

A taxa de custódia é cobrada semestralmente pela B3, em geral nos meses de janeiro e julho, mas também pode ser cobrada na venda antecipada e encerramento de posição. 

A taxa é de 0,20% do saldo total de suas aplicações, sendo que estão isentas aquelas inferiores a R$ 10 mil no Tesouro Selic. 

Já a taxa de administração é uma cobrança por parte da instituição financeira. Desse modo, os valores são variáveis. Mas, da mesma forma que os impostos, as taxas são cobradas automaticamente. Por isso, vale retomar o cuidado necessário ao investidor de manter o valor cobrado em saldo na conta-corrente da instituição financeira.

Prazos

Pela própria natureza do investimento, o prazo é um fator fundamental em relação ao Tesouro Direto. Isso porque quando você compra um papel, aceita o acordo em que o rendimento será aquele estabelecido (vimos as opções acima), mas se compromete a fazer a retirada do valor apenas no vencimento do título. Se você tem, por algum motivo, que recorrer àquele valor, então o tomador do dinheiro também mudará a sua parte da contrapartida.

A lógica é essa e, assim sendo, o que precisa ficar claro é que, sim, você pode realizar o resgate dos seus investimentos no Tesouro Direto de forma antecipada. E essa possibilidade se dá todos os dias, sem que haja prazo de carência para o resgate. Contudo, na hipótese de resgate antecipado do título, somente o Tesouro poderá comprar o título, o que ocorrerá com o preço que estiver sendo negociado no dia da venda.

Fluxo

Quando se trata de Tesouro Direto, tudo é até bastante rápido. É possível visualizar no seu extrato os títulos nos quais investiu no primeiro dia útil após o investimento. Isso serve para investimentos realizados em dias úteis, entre meia noite e 18h.

Já em relação aos resgates antecipados solicitados em dias úteis, entre 9h30 e 13h, o dinheiro estará disponível na sua instituição financeira no mesmo dia. Para os resgates antecipados solicitados entre 13h e 18h, o dinheiro estará disponível a partir das 16h do dia seguinte. A disponibilização dos recursos, porém, varia de acordo com cada política de repasse de cada instituição financeira. 

Segurança

O Tesouro Direto é, sem dúvidas, um dos investimentos mais seguros do Brasil. Sendo 100% garantido pelo Tesouro Nacional, configura-se como uma opção mais segura até mesmo do que a própria poupança. Tal segurança vai desde a lógica sustentável do investimento até a sua mecânica de operação.

O Governo, de quem você é credor, certamente não vai quebrar. E, na hipótese de ser decretada a falência, liquidação extrajudicial ou concordata da Instituição Financeira, os seus títulos adquiridos no Tesouro Direto também estão seguros. Isso porque eles ficam registrados sob titularidade do investidor e não fazem parte do patrimônio da instituição financeira. 

Além disso tudo, o sistema é altamente seguro, estando sujeito a todas as regras de segurança estabelecidas pela Secretaria do Tesouro Nacional e a B3.

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