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Risco de reinvestimento: entenda o que é e como evitá-lo

Risco de reinvestimento: entenda o que é e como evitá-lo

Matheus Miranda

Matheus Miranda

19 Jul 2022 às 07:43 · Última atualização: 19 Jul 2022 · 8 min leitura

Matheus Miranda

19 Jul 2022 às 07:43 · 8 min leitura
Última atualização: 19 Jul 2022

foto de relógio e moedas empilhadas: risco de reinvestimento

Reprodução/Pixabay

Os investidores precisam levar em conta uma série de fatores antes da tomada de decisão de seus investimentos e uma questão que surge com pouca frequência, mas que pede atenção é o risco de reinvestimento. Mas você sabe o que é?

Esse é um tipo de risco ligado aos títulos de renda fixa. Em poucas palavras, consiste em não encontrar condições similares ao reinvestir o dinheiro recebido no vencimento de algum título ou no recebimento dos juros de alguma aplicação.

No Brasil, esse é um risco capaz de tirar o sono dos investidores, principalmente levando em conta a questão dos juros. Isto porque, há dez anos, era praticamente impensável que a taxa Selic chegasse ao patamar que chegou na época da pandemia.

O simples ciclo de alta dos juros, iniciado pelo Banco Central (BC), no ano passado, mostra que o risco do reinvestimento é um ponto que precisa ser levado em conta. Mas, antes, vamos entender como ele funciona melhor e o que está em jogo.

O risco de reinvestimento: pensando em renda fixa

Antes de entender esse fator e como ele está ligado à renda fixa, vamos entender como funcionam estes títulos.

Como o próprio nome já define, renda fixa é um tipo de aplicação na qual a rentabilidade do título é definida no próprio momento em que o investidor faz sua aplicação. E isso significa que o retorno é limitado, pois quem adquire um título desse tipo já sabe qual será o rendimento auferido, bem diferente da renda variável, por exemplo.

Porém, também diferente do exemplo da renda variável, possui um grau menor de risco. Assim, ele costuma ser mais voltado para investidores com perfis de investimentos considerados moderados a conservadores, ou seja: muitas vezes tem como alvo aquele investidor que prefere não correr muitos riscos, preferindo a segurança de uma renda menor, porém estabelecida com mais precisão.

Resumindo: existem diversos tipos de renda fixa, que veremos mais adiante. E, muitos deles, consistem em um tipo de “empréstimo” que o investidor faz a quem está emitindo o título.

Um grande exemplo disso, é o Tesouro Direto, em que a pessoa, ao adquirir um título deste, está, na prática, emprestando dinheiro ao governo emissor desse tipo de papel. Com isso, propõem-se alguma condições predefinidas para que o investimento seja realizado e para que o investidor seja convencido a “apostar” nesse tipo de aplicação.

Tipos de investimentos

Existem diversos tipos de investimentos em renda fixa, mas são dois os tipos que mais sofrem com o risco de reinvestimento: as modalidades préfixadas. E isto inclui o Tesouro Direto e as debêntures.

Tesouro Direto

Esse título de renda fixa é considerado por analistas do mercado como sendo a aplicação de maior segurança.

Isto porque o emissor desses títulos é o próprio governo federal. Portanto, é baixo o risco do investidor possuir algum tipo de risco nesse investimento. A não ser que ocorra alguma contingência política ou crise econômico-institucional, como a que ocorreu na Argentina há alguns anos. Se ocorrer algum calote de pagamento por parte do governo, esse tipo de título também sofre com o calote.

Em relação à remuneração, podem ser prefixados, pós-fixados ou híbridos. Para quem tem como objetivo formar uma reserva de emergência, costuma-se recomendar a aplicação no Tesouro Selic, pois ele possui uma liquidez diária e é indexado às variações da taxa Selic.

Por sua vez, para quem busca um investimento ou aplicação de mais longo prazo e quer obter rendimentos que possam “ganhar” da inflação – em outras palavras, acompanhar a inflação – o recomendável é optar pelo Tesouro Prefixado ou Tesouro IPCA+. Nota-se que o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo – é o índice inflacionário considerado oficial pelo governo, pois ele é usado para as metas de inflação e também para balizar os títulos do Tesouro Nacional.

Debêntures

Ainda dentro do campo da renda fixa, há as debêntures. Funcionam à semelhança da compra de ações de uma empresa, pois com estes papéis as companhias podem captar recursos, seja para financiar novos projetos, pagar dívidas e financiar sua operação.

A diferença é que, quando adquire uma ação, o investidor passa a ser sócio da empresa, e tem alguns direitos como o recebimento de dividendos, por exemplo.

Já para quem compra as debêntures, as regras são outras. O investidor, em vez de ser sócio, passa a ser credor da companhia. Pois as debêntures também são um tipo de empréstimo que as empresas contraem no mercado de capitais mediante o pagamento de juros aos debenturistas.

Outras diferença com relação às ações é que, quem compra uma debênture, que quase sempre possui um valor unitário, recebe um prazo de vencimento para o resgate desse valor.

Assim, vencido esse prazo, o investidor recebe todo o dinheiro investido de volta, acrescido de determinados juros estabelecidos na oferta de emissão. E quando recebe esse dinheiro, encerra seu vínculo financeiro com a empresa.

Outro tópico é que as debêntures possuem prazos de vencimento muitas vezes de médio a longo prazo. Existem papéis com vencimentos de três anos, mas na maioria dos casos, estes possuem vencimentos de cinco anos em diante.

As debêntures também não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Dessa forma, o risco do investimento é a capacidade de pagamento da empresa emissora. Por isso, é importante o investidor ficar de olho em relatórios de agências de rating para saber como tem sido a capacidade da empresa fazer frente às suas dívidas, qual o perfil da dívida, alavancagem e se ela consegue pagar suas despesas de forma que não causem prejuízos nos balanços trimestrais.

Como o risco de reinvestimento pode prejudicar estratégias

Dependendo do tipo de estratégia adotada, os investidores podem ser mais ou menos atingidos quando há a questão de reinvestir o dinheiro recebido. Isto porque quando o investidor aplica, por exemplo, seu dinheiro em um título baseado nas taxas de juros, pode acabar não tendo condições tão atraentes quando seu título vencer.

E isto acontece muito com quem planeja uma aposentadoria, por exemplo, e opta por um título de longo prazo. Vamos pegar por exemplo um título do tesouro baseado na taxa Selic, por exemplo. Quando os juros estão altos, o investidor tem alguma tranquilidade enquanto o título está vigente. Afinal, ele comprou em um ciclo de alta e recebe os juros.

Mas e na hora que o título vence? É quando o investidor pode se encontrar em uma situação difícil. Se os juros estiverem em um ciclo de baixa, estes papéis deixam de ser tão atrativos quanto antes.

Outro problema é quando o emissor de títulos privados – como o LCI, LCA, CRI e CRA – decidem promover um resgate antecipado do título, o que acontece com certa frequência nos Estados Unidos, principalmente quando os juros caem.

Assim, quando há queda dos juros, estes emissores fazem o resgate antecipado dos títulos para emitir novos títulos com juros mais baixos logo em seguida. Daí o investidor se depara com um cenário bem mais atrativo. Até recebe o dinheiro na mão, porém, se tem uma estratégia de longo prazo, pode acabar se frustrando.

Como mitigar o risco de reinvestimento?

Mas, como tudo na vida, existem formas de evitar esse risco. Uma forma de reduzi-lo é buscando títulos prefixados, ou indexados à inflação, tendo prazo mais esticados como Tesouro IPCA, que possuem vencimentos em 2035, 2045 ou até 2060.

E por que essa modalidade de renda fixa pode ser uma proteção? O Tesouro IPCA é um ótimo título para quem quer se proteger. Além disso, trata-se de um papel emitido pelo Governo Federal. Isso aumenta sua segurança, pois o risco de calote é muito baixo.

A principal função do investimento no Tesouro IPCA é o de promover a proteção do capital contra a inflação. Por isso, ele é um papel tão procurado pelos investidores na hora de proteger os investimentos.

Ao aplicar em um título como esse, o dinheiro investido obtém valorização sempre acima do IPCA ao longo do período.

Assim, para o investidor, não importa se a inflação foi alta ou baixa durante o tempo de aplicação. Seus ganhos sempre estarão acima desse nível, promovendo o que se chama de ganho real.

Quer saber mais sobre o risco de reinvestimento e como investir melhor? Preencha o cadastro que um assessor da EQI Investimentos irá entrar em contato.

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