Economia
arrow-bc
Notícias
arrow-bc
Selic deve ir a 13,75% hoje; mas o que vem depois?

Selic deve ir a 13,75% hoje; mas o que vem depois?

Claudia Zucare

Claudia Zucare

03 Ago 2022 às 10:20 · Última atualização: 03 Ago 2022 · 11 min leitura

Claudia Zucare

03 Ago 2022 às 10:20 · 11 min leitura
Última atualização: 03 Ago 2022

foto do Copom: comitê atual

Reprodução/BC

Após as 18h desta quarta-feira (3) será anunciada a decisão da 247ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Deve ser anunciado um novo avanço da Selic, taxa básica de juros, de 0,50 ponto porcentual – com taxa indo dos atuais 13,25% para 13,75%.

O mercado aguardava também ter para hoje a sinalização do Copom de que esta seria a última subida do ciclo de alta da Selic. No entanto, algumas modificações no cenário interno e externo modificaram as projeções.

Agora, os investidores aguardam capturar sinais – seja no comunicado que sai junto à decisão, após as 18h de quarta-feira (3), seja na ata da reunião (que sai da 9, às 8h) – sobre os passos seguintes do Copom.

Há forte aposta em uma última subida em setembro – as expectativas variam entre 0,25 a 0,50 ponto porcentual.

“Como as projeções de inflação para 2023 provavelmente vão subir, de 4% ao ano para próximo de 4,3%, 4,4% ao ano, é muito improvável que eles anunciem agora o fim do ciclo de aperto monetário”, afirma Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset.

“O Copom deve manter as possibilidades abertas, com possível nova alta na reunião seguinte, que é o nosso cenário-base. Esperamos que a Selic vá até 14,25%”, complementa, ressaltando que o comunicado do Copom pós-decisão e a ata que sai no dia 9 serão muito mais relevantes do que a decisão em si. 

Confira o cenário, entenda como acontecem as reuniões do Copom e de que forma a Selic impacta nos seus investimentos.

Selic deve ir a 13,75%

Nesta quarta-feira (3), a Selic deve ter sua 12ª subida sequencial desde março de 2021, com taxa de juros indo de 2% (piso histórico, onde permaneceu por sete meses) para os prováveis 13,75% (13,25% atuais). Ou seja, se confirmada a subida de 0,5 ponto, será uma escalada de 11,75%.

O mercado entendia, até aqui, que a Selic chegaria até 13,75% e o ciclo de alta teria fim. Como indicam, por exemplo, as estimativas capturadas pelo Boletim Focus.

No entanto, diante da maior pressão inflacionária global, do enfraquecimento do arcabouço fiscal doméstico e da piora nas expectativas do IPCA (inflação oficial) para 2023, os analistas passaram a acreditar que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ficou sem espaço para sinalizar o fim do ciclo de alta da Selic, taxa básica de juros, nesta quarta-feira (3).

Esta é a opinião, por exemplo, do BTG Pactual (BPAC11), em relatório pré-Copom divulgado na segunda-feira (1).

“Esperamos que o Banco Central, além de entregar os já precificados 50 pontos base de alta, mantenha a estratégia de continuar com o ciclo de ajustes na taxa Selic. O cenário global se deteriorou com manutenção das altas expectativas de inflação, elevação dos juros pelo Banco Central Europeu e Federal Reserve e, agora, maior probabilidade de recessão na Europa e nos EUA”, aponta o banco.

No Brasil, a atividade forte no primeiro semestre, a maior fragilidade fiscal de curto e longo prazo e a deterioração das expectativas de IPCA para 2023 trazem um ambiente desafiador para que o Copom tente sinalizar qualquer encerramento de ciclo de aperto monetário, diz o BTG.

“O Banco Central deve levar a Selic para 13,75% e indicar ‘um novo ajuste de igual ou menor magnitude’, repetindo a estratégia do último comunicado e comprando graus de liberdade para as próximas reuniões”, finaliza o banco.

A aposta do BTG, até aqui, é que em setembro aconteça mais um aumento de 0,25 ponto porcentual, com Selic final a 14%.

EQI Asset espera queda de juros apenas a partir de maio de 2023

A opinião de que o fim do ciclo de alta da Selic foi prorrogado é a mesma da EQI Asset, que, no entanto, vê Selic a 13,75% a partir de quarta-feira, com mais 0,5 ponto porcentual de aumento na reunião de setembro. Ou seja: Selic final a 14,25% ao ano.

Após melhores dados do mercado de trabalho, dinâmica mais saudável da atividade econômica no curto prazo, e novos estímulos fiscais do governo, houve uma revisão da trajetória esperada para a inflação e, consequentemente, para a Selic, que é o principal instrumento do Banco Central para controlar a alta de preços. 

“Esperamos agora uma desinflação menos intensa da inflação de serviços que deve terminar 2023 ao redor de 7,3% (versus 6,5% anteriormente) vindo de 8,5% em 2022”, comenta  Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset. 

“Com uma expectativa de inflação mais pressionada no horizonte e dados de atividade que vem se mostrando melhores do que o esperado, acreditamos que o Banco Central não terá espaço para encerrar o ciclo de alta na reunião de agosto, sendo necessária pelo menos mais uma alta de 50 bps na reunião seguinte, levando a taxa Selic para 14,25%”, complementa. 

Após atingir esse patamar, a asset acredita que a autoridade monetária deverá manter a taxa inalterada até maio de 2023, quando iniciará um novo ciclo de cortes reduzindo a taxa Selic para 10,75% ao final do ano.

  • Confira áudio de Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, sobre a reunião do Copom:
Projeções EQI Asset
Projeções EQI Asset

Tá, mas e aí? O que isso indica para o investidor?

Para o investidor, segue o foco em renda fixa, sem aumentar a exposição em renda variável. Vale lembrar que a taxa Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida e atrair capital estrangeiro, o que reduz a cotação do dólar e impacta na inflação.

Saber sobre a taxa Selic é importante para o investidor, porque a taxa funciona como um norte para montar uma boa carteira de investimentos.

A regra é: com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos. Por outro lado, com taxa de juros alta, a renda fixa volta a ganhar destaque.

E é justamente o que acontece no momento: a renda fixa volta a ser interessante.

Como investir com Selic em tendência de alta?

Como dito, com a elevação da Selic, o investidor olha novamente com bons olhos para a renda fixa.

Neste cenário, o que o investidor pode fazer para se proteger é conseguir boas taxas de CDI, porque Selic subindo, CDI sobe junto.

Bons títulos de inflação e CDBs ou debêntures que pagam IPCA+ são boas opções, tendo em vista que a inflação deve continuar preocupando.

Vale lembrar que a rentabilidade dos investimentos deve ser sempre acima da inflação ou atrelada a ela (no caso de títulos e CDBs, por exemplo). Caso contrário, toda a rentabilidade será perdida.

No entanto, é importante entender que uma carteira equilibrada não foca apenas em um tipo de ativo. É preciso “distribuir os ovos em mais cestas”, como estratégia de defesa e diversificação, equilibrando o desempenho dos ativos.

Como o Copom define a Selic?

A principal função do Copom é realizar uma avaliação do cenário macroeconômico do país e os principais riscos a ele associados.

É com base nessas avaliações que são tomadas as decisões de política monetária.

Além de definir a Selic, desde 1999 o Copom também é responsável por acompanhar o cumprimento das metas de inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Vale lembrar que o Copom não pode aumentar ou diminuir a taxa Selic sem que, para isso, exista uma justificativa pautada na tendência do cenário econômico e no mercado brasileiros.

Na realidade, as variações na Selic tendem a acompanhar as variações de um outro índice, o IPCA, que é o indicador base da inflação no país.

Nesse sentido, diante de um cenário em que a inflação esteja controlada, a tendência da taxa Selic é cair.

Já nos momentos em que há um aumento na inflação, a Selic normalmente sobe para ajudar no controle do mercado.

Atualmente, além da inflação, outro tema bastante recorrente nas atas do Copom é justamente o risco de o governo não obedecer ao teto de gastos.

Como são as reuniões do Copom?

Infográfico sobre como funcionam as reuniões do Copom
Fonte: BC

As decisões do Copom são tomadas de 45 em 45 dias, em uma reunião que se estende por dois dias.

No primeiro dia, os chefes dos departamentos apresentam uma análise técnica de conjuntura do país. Essa análise envolve uma série de pontos importantes, tais como:

  • Inflação;
  • Nível de atividade;
  • Evolução dos agregados monetários, finanças públicas;
  • Balanço de pagamentos;
  • Economia internacional;
  • Mercado de câmbio;
  • Reservas internacionais;
  • Mercado monetário; e
  • Operações de mercado aberto e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.

Já no segundo dia da reunião, os diretores de política monetária e de política econômica, após análise das projeções atualizadas para a inflação, apresentam alternativas para a taxa Selic e fazem recomendações acerca da política monetária.

Depois dessas avaliações feitas pelos diretores citados acima, os demais membros fazem suas ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas.

Ao final desse debate é que ocorre a votação das propostas, em que se busca o consenso sempre que possível.

Essa votação leva em consideração a maioria simples dos presentes, ou seja, para que uma proposta seja aceita, a maior parte dos membros presentes devem concordar com ela.

Além disso, em caso de empate, é o presidente do Copom  que irá proferir o chamado “voto de qualidade”, que é o voto de desempate.

As decisões emanadas do Copom devem ser publicadas por meio de comunicado do diretor de política monetária e esse comunicado deve acontecer no segundo dia, a partir das 18h, imediatamente após o término da reunião.

A taxa de juros fixada na reunião será a meta para a taxa Selic, que irá vigorar durante todo o período entre uma reunião ordinária e outra.

A ata dessa reunião geralmente é publicada na terça-feira imediatamente posterior à reunião.

Infográfico sobre como funcionam as reuniões do Copom
Fonte: BC

O disse o Copom na ata da última reunião?

A autoridade monetária promoveu uma alta de 0,5 ponto porcentual da Selic e apontou “ajuste de igual ou menor magnitude” na reunião de agosto em sua última decisão.

Na ata, salientou a crescente incerteza da atual conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, o que demanda cautela adicional, conforme relata a nota do comitê.

O Copom relata, no entanto, que os próximos passos da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas. O que dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Quer saber mais sobre a reunião do Copom e como investir no cenário atual?  Preencha o formulário que um assessor da EQI entrará em contato. Aproveite e confira nossos materiais gratuitos, com e-books e ferramentas exclusivas para te ajudar nos seus investimentos.

newsletter
Receba informações exclusivas em seu email

Últimas notícias