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Renda fixa ou renda variável | EuQueroInvestir

Renda fixa ou renda variável | EuQueroInvestir

Matheus Gagliano

Matheus Gagliano

23 Mai 2022 às 02:50 · Última atualização: 23 Mai 2022 · 15 min leitura

Matheus Gagliano

23 Mai 2022 às 02:50 · 15 min leitura
Última atualização: 23 Mai 2022

renda fixa ou renda variável

Reprodução: Pixabay

Muitos se perguntam qual é o melhor tipo de investimentos: a renda fixa ou renda variável? Essa é uma grande questão e a resposta a esse tipo de questionamento não é nada simples e envolve uma série de fatores, que vão desde implicações econômicas, passando por questões monetárias e até mesmo políticos.

Isso porque ambos os lados são influenciados por qualquer tipo de volatilidade que venha a surgir no mercado. Assim, o investidor precisa definir bem qual seu objetivo. Desta forma, também chegará a melhor estratégia possível para decidir qual é o melhor tipo de investimento para ele: a renda fixa ou a renda variável?

Renda fixa ou renda variável: considerações importantes

Antes de decidir sobre renda fixa ou renda variável, é importante salientar que existem diferenças fundamentais entre esses dois tipos de aplicações: a renda fixa, como o próprio nome já diz, tem uma rentabilidade basicamente pré-definida, ainda que existam vários tipos de títulos prefixados ou pós-fixados. Mesmo que ocorram diferenças entre estes, eles são considerados investimentos mais conservadores, voltados a investidores que não estão dispostos a correr riscos elevados. Daí, eles preferem investir seu dinheiro na renda fixa, pois sabem com mais segurança quanto seu patrimônio vai render após algum tempo de aplicação.

A renda variável é o outro lado da moeda. Voltado a investidores com perfis mais agressivos, possui um risco bem mais elevado quando comparado com a renda fixa. Mas também dá a oportunidade do investidor obter uma rentabilidade bem mais elevada e contar com algumas remunerações como dividendos e juros sob capital próprio. Afinal, ao adquirir ações de uma empresa – no que consiste basicamente a renda variável – o investidor torna-se sócio desta empresa, compartilhando os lucros, mas também os riscos.

O que é renda fixa?

Agora, vamos nos aprofundar em cada uma dos tipos de investimentos, a começar pela renda fixa. Esta possui diferentes tipos de títulos que podem ajudar o investidor a diversificar sua carteira, algo conspirado hoje muito importante no mercado de capitais. Vamos entender um pouco quais são os títulos de renda fixa mais conhecidos.

Tesouro Direto

Esse título de renda fixa é considerado por analista do mercado como sendo a aplicação de maior segurança. Isto porque o emissor desses títulos é o próprio governo federal. Portanto, é baixo o risco do investidor possuir algum tipo de risco nesse investimento. A não ser que ocorra alguma contingência política ou crise econômico-institucional, como a que ocorreu na Argentina há alguns anos. Se ocorrer algum calote de pagamento por parte do governo, esse tipo de título também sofre com o calote.

Em relação à remuneração, podem ser prefixados ou pós-fixados híbridos. Para quem tem como objetivo formar uma reserva de emergência, costuma-se recomendar a aplicação no Tesouro Selic, pois ele possui uma liquidez diária e é indexado às variações da taxa Selic.

Por sua vez, para que busca um investimento ou aplicação de mais longo prazo e quer obter rendimentos que possam “ganhar” da inflação – em outras palavras, acompanhar a inflação – o recomendável é optar pelo Tesouro Prefixado ou Tesouro IPCA+. Nota-se que o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo – é o índice inflacionário considerado oficial do governo, pois ele é usado para as metas de inflação do governo e também para balizar os títulos do Tesouro Nacional.

CDB

Outros tipos de títulos de renda fixa são os conhecidos e bem divulgados Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Estes são emitidos por instituições financeiras, como bancos, para captação de recursos. Na prática, ao adquirir um CDB, o investidor estará emprestando dinheiro à instituição financeira em questão em troca de uma remuneração.

A grande vantagem desse título é que ele possui a proteção dada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que dá um suporte aos investidores em caso de falência do emissor dos títulos de CDB. Isso vale para até R$ 250 mil por CPF.

Ao lado do Tesouro Selic o CDB é considerado um dos mais utilizados para a reserva de emergência, embora também seja possível encontrar CDBs de prazos mais longos e com taxas mais elevadas.

LCI e LCA

Entramos agora no campo nas letras de crédito. LCI é a sigla para Letras de Crédito Imobiliário. Enquanto isso, a LCA significa Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Estes também são emitidos por instituições financeiras, mas diferentemente do CDB, a destinação dos recursos têm de ser, obrigatoriamente, os mercados imobiliários – no caso da LCI – ou no agronegócio – no caso da LCA. Com isso, financiam-se projetos imobiliários ou voltado para o segmento agropecuário.

Uma vantagem desses dois tipos de títulos é que ambos são isentos do IR sobre os rendimentos. Assim, seu rendimento acaba sendo, na média, superior ao dos títulos de renda fixa do mesmo grau de risco. Porém, o grande ponto negativo desse tipo de investimento é a falta de liquidez imediata, possuindo uma carência mínima de 90 dias para ambos os títulos antes de que o investidor consiga fazer o resgate da aplicação em caso de necessidade.

CRI e CRA

Bem semelhantes ao LCI e a o LCA são os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs). A exemplo dos títulos anteriormente destacados, estes também se destinam ao financiamento de atividades do setor imobiliário e do agronegócio. A grande diferença é que quem emite não são instituições bancárias, mas as empresas securitizadoras, que são lançam os papéis no mercado por solicitação de empresas destes dois segmentos de negócios que precisam levantar recursos para seus projetos.

Basicamente, uma securitizadora adquire créditos para transformá-los em recebíveis e vendê-los a investidores. Vamos a um exemplo hipotético para entender melhor como funciona o mecanismo de um CRI e de um CRA: considere que uma determinada construtora possua recebíveis de clientes e deseje fazer a antecipação destes recebíveis para fazer caixa. Ela procura então uma securitizadora, que adquire esses recebíveis e os coloca à venda no mercado. Dessa forma, quem passa a ter o direito sobre os valores a receber passa a ser o cliente que adquiriu esses títulos.

Porém, por não serem emitidas por instituições bancárias, os CRIs e os CRAs. E por esse motivo, possuem um grande de risco mais elevado do que os demais tipos de aplicações de renda fixa. Além disso, outro ponto a ser levado em conta é que eles são títulos de longo prazo, justamente por financiarem projetos de longa maturação. No entanto, oferecem taxas, em média, superiores às te outros títulos da categoria.

Debêntures

Ainda dentro do campo da renda fixa, há os debêntures. Funcionam à semelhança de compra de ações de uma empresa, pois com estes papéis as companhias podem captar recursos, seja para financiar novos projetos, pagar dívidas e financiar sua operação. A diferença é que, quando adquire uma ação, o investidor passa a ser sócio da empresa, e tem alguns direitos como o recebimento de dividendos, por exemplo.

Já para quem compra as debêntures, as regras são outras. O investidor, em vez de ser sócio, passa a ser credor da companhia. Pois as debêntures também são um tipo de empréstimo que as empresas contraem no mercado de capitais mediante o pagamento de juros aos debenturistas.

Outras diferença com relação às ações é que, que compra uma debênture, que quase sempre possui um valor unitário, recebe um prazo de vencimento para o resgate desse valor. Assim, vencido esse prazo, o investidor recebe todo o dinheiro investido de volta acrescido de determinados juros estabelecidos na oferta de emissão. E quando recebe esse dinheiro, encerra seu vínculo financeiro com a empresa.

Outro tópico é que as debêntures possuem prazos de vencimento muitas vezes de médio a longo prazo. Existem papéis com vencimentos de três anos, mas na maioria dos casos, estes possuem vencimentos de cinco anos em diante.

As debêntures também não contam com a garantia do FGC. Dessa forma, o risco do investimento é a capacidade de pagamento da empresa emissora. Por isso, é importante o investidor ficar de olho em relatórios de agências de rating para saber como tem sido a capacidade da empresa fazer frente às suas dívidas, qual o perfil da dívida, alavancagem e se ela consegue pagar suas despesas de forma que não causem prejuízos nos balanços trimestrais.

Renda variável: o que é esse tipo de investimento?

Como o próprio nome diz, são aplicações nas quais a renda variam, o seja: o investidor não sabe quanto retorno terá. Isso significa que não é possível saber de antemão quanto dinheiro pode render. Pode surgir situações em que há perda de patrimônio – em situações de volatilidade extrema – ou rentabilidade bem elevada – quando a conjuntura for extremamente favorável.

Existem uma infinidade de fatores que pesam na evolução dos ativos de renda variável. No caso de ações, por exemplo, o desempenho da empresa e o setor de atuação são variáveis que afetam diretamente a rentabilidade desses papéis.

Já no caso de aplicações ligadas a moedas estrangeiras, o cenário econômico e político mundial é fundamental para definir seus valores. Isso significa que uma vez que esses fatores mudam ao longo do tempo, não é possível determinar previamente o quanto se receberá pelo capital investido. Entretanto, é possível identificar tendências, observar os cenários com cuidado. A partir daí, é possível traçar estratégias que aumentem as chances de ganho com segurança.

Veremos agora quais as modalidades disponíveis no mercado de renda variável:

Ações

É o tipo mais comum: quando pensamos em renda variável, logo surge em mente a compra de ações que representam frações do capital social de determinadas empresas disponíveis para compra e venda na bolsa de valores.

Porém, para se aventurar em investir em ações o investidor precisa de um bom conhecimento prévio técnico e de mercado. Isso porque existem empresas consideradas boas, nas quais vale a pena investir. São companhias sólidas, bem definidas, que costumam pagar bons dividendos e reportam bons balanços aos investidores. E há aquelas que não são tão boas, que passam por dificuldades financeiras, enfrentam problemas em seus balanços, ainda não têm uma solidez e, em alguns casos, ficam expostas a mais volatilidades do que companhias de outro setor.

Essas são questões básicas na hora do investidor proteger seu patrimônio e não perder dinheiro, arriscando-se mais do que o desejado e colocando tudo o que conseguiu obter de uma forma pouco consciente e forma pouco aconselhada.

Mas as ações não são a única forma de renda variável. Existem outros tipos.

Fundos

Outro tipo de renda variável são os fundos. Tratam-se de um conjunto de ativos de uma determinada categoria. Por exemplo, existem fundos que aplicam em ações, moedas estrangeiras, mercado imobiliário e, até mesmo, em outros fundos.

Uma das vantagens dos fundos é a possibilidade de maior diversificação. Isso significa que ao adquirir cotas de um fundo, o investidor estará investindo em diversas categorias de ativos de forma simultânea.

Outro ponto a ser considerado importante é que os ativos de um fundo são selecionados e monitorados por um gestor financeiro. Logo, a tendência é de que proporcionem boa rentabilidade com maior grau de segurança.

Moeda estrangeira

Também é possível investir em renda variável através de moedas de outros países. É possível fazer isso comprando as moedas diretamente ou por meio de contratos futuros. Há também a opção de investir nos fundos cambiais.

Se o investido desejar simplificar o negócio, pode comprar diretamente a moeda, seja dólar, euro ou qualquer outra. Para isso, basta ir a um banco ou corretora de câmbio e fechar o negócio.

Já com relação aos contratos futuros, o investidor não precisa comprar a moeda para se beneficiar de sua valorização. Em vez disso, ele adquire somente o direito de negociá-la numa data futura. E isto simplesmente porque ele acredita que, numa determinada data, a moeda estrangeira valerá mais do que o presente em relação ao real.

Caso a sua expectativa se concretize, o investidor receberá a diferença entre a cotação da moeda no dia do vencimento e no dia da aplicação.

Ouro

O ouro é um dos ativos de renda variável mais requisitados em tempos de alta volatilidade no mercado de capitais, como em tempos de guerra, que causam uma incerteza generalizada. Isto ocorre porque, além do ativo ser um bem físico, ele serve de garantia e lastro para as moedas de muitos países.

É possível comprar barras físicas para investir em ouro, porém há alguns inconvenientes. Isso porque, por questões de segurança, é interessante que se utilize a custódia de um banco. Logo, o investidor terá de pagar os custos referentes ao depósitos de barras ou lingotes de ouro em um cofre físico de um banco, o que acaba lhe causando um custo adicional com esse tipo de serviço. E isso, somente para armazenar o ouro.

Além disso, o metal físico tem menos liquidez quando comparado aos fundos de ouro, que são a forma mais simples de se investir no metal.

Mercado de opções

Além de proporcionar bons ganhos, as opções também são consideradas boas alternativas quando o assunto é a proteção do patrimônio do investidor.

Entretanto, assim como possibilitam elevados ganhos, também podem levar à perda total do valor investido. Logo, é necessário muita técnica e profissionalismo para lidar com opções de forma segura. Há dois tipos de opções no mercado: as de compra (call) e as de venda (put).

Como o nome diz, as opções de compra dão ao seu titular o direito de comprar um ativo por um determinado preço em uma data futura.

Vamos supor que o investidor espere a alta de determinada ação. Por isso, deseja garantir hoje o seu valor, para que possa comprá-la daqui a um mês. Nessa situação, terá de comprar uma call com vencimento em 30 dias. Dessa forma, terá direito a pagar por essa ação o preço estabelecido na hora da compra da opção.

Por outro lado, as opções de venda são adequadas quando se espera que o preço de determinado ativo caia.

Por exemplo, o investidor percebe que uma de suas ações está sobrevalorizada. Logo, tem receio de que a alta desse papel não se sustente por muito tempo. Nesse momento, para garantir que a ação não se desvalorize, ele compra uma put. Ou seja, as opções de venda funcionam como um seguro contra a desvalorização do patrimônio.

Tá, e aí? O que isso significa para o investidor?

Como vimos, a renda variável e a renda fixa, por serem tipos completamente diferentes de investimentos, ambos complementam-se. Isso porque se um investidor decidir diversificar suas aplicações – algo que tem sido considerado um elemento cada vez mais importante no mercado financeiro, precisará colocar um pouco de seu patrimônio em cada um deles.

Afinal, é a tal história: nem sempre é bom colocar todos os ovos em uma mesma cesta. Pois esta pode-se quebrar e todos os ovos se perdem. Mas se forem utilizadas cestas diferentes, o prejuízo será bem menor o investidor poderá atravessar momentos de dificuldades com muito menos sobressaltos se tivesse aplicado todo seu dinheiro em apenas um tipo de investimento.

Muitas das vezes, quem investe em renda variável busca algum tipo de renda fixa para proteger seu patrimônio. Isto ocorre com perfis de investidores mais qualificados e experientes que sabem bem como atuar em renda variável e suas flutuações inerentes.

Já para quem está começando a investir e que começar a formar algum capital, tende a procurar primeiro a renda fixa para ganhar conhecimento e experiência. Para depois buscar algo mais agressivo e tentar obter rendimentos maiores. Portanto, a pergunta, investir em renda fixa ou renda variável depende muito de que tipo de objetivo o investidor tem em mente e qual o perfil dele.

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