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Reits e o cenário global: o pior está por vir, cuidado!

Reits e o cenário global: o pior está por vir, cuidado!

Felipe Paletta

Felipe Paletta

15 Set 2022 às 15:32 · Última atualização: 15 Set 2022 · 9 min leitura

Felipe Paletta

15 Set 2022 às 15:32 · 9 min leitura
Última atualização: 15 Set 2022

foto de prédios em Nova York

Neste artigo, vou falar sobre:

  • por que os EUA terão de subir a taxa de juros além do esperado,
  • por que as ações norte-americanas e os REITs podem se desvalorizar mais de 30%; e
  • como o Brasil pode se dar bem nessa.

O pior não passou, cuidado!

Prepare-se, pegue o seu melhor café, que o economista Paletta está à solta hoje.

O que trago hoje não é diferente das dezenas de postagens que fiz desde antes da pandemia, mas a situação se agravou por ocasião dessa e pode afetar bastante os seus investimentos nos próximos meses e anos.

Podem até tentar te convencer de que a inflação nos EUA está prestes a cair, mas espero que, depois de ler esta carta, sua vacina contra a opinião das massas fique em dia.

A inflação nos EUA, sim, subiu nos últimos meses por causa da elevação do preço do Petróleo e do Gás. E, sim, a inflação deve ceder no curto prazo, seguindo o movimento de correção do Petróleo, como vimos aqui no Brasil.

Mas a inflação de longo prazo… aquela que o Banco Central deveria usar de guia para condução da política de juros, essa está só começando a subir.

Vários fatores me levam a crer que isso deve acontecer, mas quero destacar três para que você visualize o que estou querendo dizer: 

Expectativas para a Inflação

(i) a inflação esperada para o futuro, perto de 3% ao ano, não parece refletir prêmio suficiente vs. anos pré-pandemia, considerando que o cenário global se deteriorou muito nos últimos anos, com a guerra comercial EUA vs. China, com desaquecimento da economia chinesa e isolamentos da economia ocidental;

gráfico com expectativas para inflação
Fonte: Credit Suisse

Evolução dos salários nos EUA

(ii) Estamos observando um movimento acentuado de aumento de salários nos EUA, e esse é o tipo de inflação que não retrai e, por aumentar a disposição de renda das famílias, impulsiona o preço de bens e serviços para cima. 

Fonte: Credit Suisse

(Des)Globalização

(iii) Por fim, e mais importante, a pandemia e a eclosão de diversos conflitos (Rússia vs. Ucrânia, China vs. Taiwan, Turquia vs. Grécia, Azerbaijão vs. Armênia, entre outros) deve acelerar o processo de (des)globalização ou, ainda, o que considero mais provável, a acentuação das relações comerciais por blocos econômicos de interesse, com destaque para os BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). 

Observe no gráfico abaixo como evoluíram as transações comerciais entre os países do globo e como essa grande interdependência entre EUA e China deve mudar na próxima década, delineando um estreitamento bilateral e por blocos de interesses.

Teia de trocas comerciais entre países

Mapa com Teia de trocas comerciais entre países.
Fonte: Gestora Dynamo (carta de maio de 2020)

Meu palpite é que essas teias não se perderão e não regrediremos aos patamares do século passado, mas caminharemos para uma centralização das relações no entorno da China, e não mais nos EUA como outrora. 

Logo, se as relações comerciais entre os países arrefecem ou essas relações passam a se intensificar por blocos, o custo dos produtos vendidos nos blocos isolados tendem a subir naturalmente, em maior magnitude nos países já desenvolvidos. 

Preço cai com escala e sobe com restrição de mercado endereçável. 

A inflação global, em especial a dos EUA – que exportou a sua capacidade industrial para a Ásia -, deve subir bem acima da média das décadas passadas. Como exportadores de commodities primárias, o atraso evolutivo do Brasil nos coloca um passo adiante. 

Diante disso, não vejo outra alternativa para a inflação norte-americana que não juros altos ou recessão induzida. Em ambos os casos, o mercado vai ceder.

Se isso acontecer, as ações podem cair mais de 30%.

Recessão significa queda de atividade econômica, queda de margens e lucros menores. Lucros menores são o alimento de correções violentas nas ações. 

Se a inflação for acima do esperado e os juros bem acima dos 3,5% esperados para os próximos 10 anos nos EUA, digamos, na casa de 5% ao ano, é bem provável que observemos uma queda de mais de 30% das ações norte-americanas nos próximos anos. 

Os REITs tendem a cair menos pela proteção inflacionária e fluxo de caixa mais previsível. Mas, convenhamos, não há o que se comemorar em se machucar menos em um acidente de carro, por exemplo.

Em carta recente, o gestor Ray Dalio estima também que uma elevação de juros para 4,5% – que ele acredita ser pouco – tende a derrubar em mais de 20% o S&P 500. O tradicional Credit Suisse estima algo parecido, uma queda de 8%, no caso de juros nos EUA na casa de 3,5%, dentro do que já é esperado. 

Na Europa, a realidade é parecida. Diria que ainda pior.

Bom, mas como isso nos afeta aqui e afeta os seus investimentos? Vejamos…

O Brasil e a nova era dos BRICs

Mesmo cientes de que uma queda das bolsas norte-americanas nessa magnitude representa um risco muito grande de contaminação para o nosso mercado no curto prazo, a ancoragem aos fundamentos econômicos sempre se sobrepõe. 

Fato é que a máxima histórica do EWZ – Ibovespa em dólar – se deu entre 2008 e 2011, em meio ao subprime e à crise dos PIIGS europeus. 

Você pode argumentar que o ritmo de crescimento da economia chinesa impulsionou esse movimento. É verdade, não vamos ver esse ritmo de crescimento tão cedo, mas já é possível verificar uma aceleração da impulsão de crédito na China, que pode fortalecer uma nova década de investimentos. Senão tão grande como a do começo do século, expressiva o suficiente (gráfico abaixo):

Oferta de Crédito na China vs. Desempenho dos Emergentes

Gráfico com Impulso de crédito na China
Fonte: Credit Suisse

Observe no gráfico acima (linha cinza), que o desempenho dos emergentes tem correlação importante com o impulso de crédito na China, isso porque há expansão na demanda por commodities primárias.

Nesse sentido, na minha cabeça está bem claro que os BRICs estão voltando para os holofotes. 

Para quem não se recorda, vale lembrar que esse termo foi cunhado em 2001 pelo Goldman Sachs, que apontava para as sinergias estratégicas e de poder que emanam de nações em desenvolvimento, como o Brasil, Rússia, Índia, China e, mais tarde, África do Sul.

Em comum, esses países possuem grande dimensão territorial, riquezas naturais e população (mão de obra).

Na teoria econômica clássica, os fatores de produção que entregam prosperidade e riqueza no longo prazo são terra, trabalho e capital. Entende?

Ter isso em mente é importante porque à medida que a economia americana caminha para um cenário de recessão, com problemas internos para resolver, a atenção do capital do mundo começará a se voltar para os países do bloco em desenvolvimento, especialmente o Brasil.

Isso já aconteceu lá atrás e deve se repetir.

Como isso impacta o seu bolso?

Primeiro, esse é o momento de ser cauteloso com as suas alocações internacionais. 

Dentro do nosso contexto imobiliário, os REITs devem performar pior, em média, do que os FIIs brasileiros. 

Dados do segmento imobiliário americano apontam para um arrefecimento do volume de venda de imóveis e o pico de preço está próximo de ser alcançado. Ainda que a indústria de REITs seja diversificada o suficiente, os segmentos mais expressivos – escritórios, apartamentos, galpões e torres de telefonia – vão sofrer. 

Aqui na Monett, carrego posições bem diferentes e fora do radar que ainda podem surpreender, e convido os curiosos a conhecerem aqui. Ainda assim, sugiro que não tenha mais de 5% alocado nesses investimentos.

Em relação ao Brasil, por outro lado, estou bastante otimista. Já ganhamos mais de 17% esse ano com a minha carteira de FIIs e muito mais está por vir.

Uma coisa tem que ficar clara: se o mercado exagera para baixo, exagera para cima também. Não tenha medo das eleições e se posicione agora!

Nos vemos na semana que vem. Até lá, deixo uma missão pra você: assista aos vídeos da imersão de investimentos da Olivia Alonso e indique para as pessoas que você conhece e são leigas em investimentos, têm medo de começar a investir ou, simplesmente, têm falta de conhecimento suficiente…

A imersão é gratuita, tem 18 vídeos curtos e o link para acesso é este: CLIQUE AQUI.

Por Felipe Paletta, analista da Monett

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