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Brasil: produção industrial recua 0,4% em junho; mercado esperava 0,3%

Brasil: produção industrial recua 0,4% em junho; mercado esperava 0,3%

Osni Alves

Osni Alves

02 Ago 2022 às 09:20 · Última atualização: 02 Ago 2022 · 11 min leitura

Osni Alves

02 Ago 2022 às 09:20 · 11 min leitura
Última atualização: 02 Ago 2022

Imagem mostra soldador em serviço.

Em junho de 2022 a produção industrial nacional recuou 0,4% frente a maio, na série com ajuste sazonal. Em relação a junho de 2021, na série sem ajuste, a indústria recuou 0,5%. No primeiro semestre do ano, a indústria acumula queda de 2,2% e em 12 meses, o acumulado foi -2,8%.

Os dados foram divulgados na manhã desta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mercado projetava recuo de 0,3%, ou seja, o número registrado veio em linha com as expectativas.

De acordo com a autarquia, a produção industrial teve variação negativa de -0,4% em junho de 2022, interrompendo quatro meses seguidos de expansão, que acumularam alta de 1,8%. Em junho, três das quatro grandes categorias econômicas e quinze dos 26 ramos pesquisados mostraram redução na produção. Com isso, o setor industrial ainda se encontra 1,5% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 18,0% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

Também disse que entre as atividades, as influências negativas mais importantes foram assinaladas por produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-14,1%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,3%), com ambas interrompendo os avanços registrados nos meses de abril e maio de 2022 e que acumularam crescimento de 5,3% e 5,0%, respectivamente. Outras contribuições negativas relevantes sobre o total da indústria vieram de máquinas e equipamentos (-2,0%), de metalurgia (-1,8%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2,8%) e de outros equipamentos de transporte (-5,5%).

E acrescentou que, por outro lado, entre as nove atividades em alta, veículos automotores, reboques e carrocerias (6,1%) e indústrias extrativas (1,9%) exerceram os principais impactos em junho de 2022, com a primeira intensificando o crescimento verificado no mês anterior (3,8%); e a segunda eliminando parte da queda de 5,7% observada em maio último.

Gráfico mostra a evolução da produção industrial brasileira pelo IBGE.
Tá, e aí?EQI Asset

A indústria em junho mostrou sinais piores na margem e a difusão mostrou um crescimento menos “espalhado” entre os setores e mais concentrado na indústria extrativa (menos importante para o PIB).

O desempenho recente sinaliza uma evolução menos favorável da atividade ao longo do segundo semestre, apontam os economistas Stephan Kautz e João Paulo de Faria Tavares Rabe, da EQI Asset.

“Em termos de PIB, com a produção industrial em linha com o que esperávamos, mantemos o cenário de crescimento do PIB no segundo trimestre de +1%, ao mesmo tempo o crescimento do 1º trimestre deve ser revisto para 1,1%, de 1%”, afirmam.

Confira áudio de Stephan Kautz:

Produção industrial do Brasil

Ainda de acordo com a autarquia, entre as grandes categorias econômicas, em se tratando de maio de 2022, os bens de capital (-1,5%) tiveram a taxa negativa mais acentuada em junho de 2022, após subirem 7,5% em maio e caírem 8,0% em abril. Os setores produtores de bens intermediários (-0,8%) e de bens de consumo semi e não duráveis (-0,7%) também recuaram nesse mês.

Por outro lado, o segmento de bens de consumo duráveis (6,4%) apontou a única taxa positiva em junho de 2022 e intensificou o crescimento verificado no mês anterior (4,1%).

Em relação à série com ajuste sazonal, a média móvel trimestral da indústria mostrou variação nula (0,0%) no trimestre encerrado em junho de 2022 frente ao nível do mês anterior, após registrar taxas positivas em maio (0,4%) e abril (0,5%) últimos.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda na série com ajuste sazonal, os bens de consumo duráveis (2,8%) assinalaram a taxa positiva mais elevada em junho de 2022 e intensificaram o ritmo de crescimento frente aos resultados de maio (1,9%) e abril (0,9%). O setor produtor de bens de consumo semi e não duráveis (0,7%) também mostrou avanço nesse mês, após assinalar variação negativa de 0,2% no mês anterior.

Por outro lado, os segmentos de bens de capital (-0,9%) e de bens intermediários (-0,5%) apontaram os resultados negativos em junho de 2022, com o primeiro eliminando parte do ganho de 3,4% registrado no período março-maio de 2022; e o segundo interrompendo a trajetória predominantemente ascendente iniciada em janeiro desse ano.

Tabela mostra a evolução da produção industrial brasileira.

Frente a junho de 2021, a indústria recua 0,5%

Na comparação com junho de 2021, o setor industrial assinalou queda de 0,5% em junho de 2022, com resultados negativos em uma das quatro grandes categorias econômicas, 14 dos 26 ramos, 49 dos 79 grupos e 54,2% dos 805 produtos pesquisados. Vale citar que junho de 2022 (21 dias) teve o mesmo número de dias úteis do que igual mês do ano anterior (21).

Entre as atividades, as principais influências negativas no total da indústria foram registradas por indústrias extrativas (-5,4%), metalurgia (-8,3%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-19,6%), pressionadas, em grande medida, pela menor fabricação dos itens óleos brutos de petróleo e minérios de ferro, na primeira; ferronióbio, bobinas a frio e a quente de aços ao carbono, fio-máquina de aços ao carbono, vergalhões de aços ao carbono, arames e fios de aços ao carbono, tubos flexíveis e trefilados de ferro e aço e barras, perfis e vergalhões de cobre e de ligas de cobre, na segunda; e medicamentos, na terceira.

Vale destacar também as contribuições negativas assinaladas pelos ramos de produtos de minerais não metálicos (-6,9%), de produtos de metal (-6,0%), de outros produtos químicos (-2,6%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-6,3%), de produtos de borracha e de material plástico (-3,4%), de produtos têxteis (-8,3%), de produtos de madeira (-8,4%), de móveis (-9,3%) e de produtos diversos (-8,3%).

Tabela mostra a evolução da produção industrial brasileira.

Comparações

Por outro lado, ainda na comparação com junho de 2021, entre as 12 atividades em alta, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (8,6%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (5,9%) exerceram as maiores influências na formação da média da indústria, impulsionadas, em grande medida, pela maior produção dos itens óleo diesel, óleos combustíveis, naftas para petroquímica, querosenes de aviação e gasolina automotiva, na primeira; e automóveis e caminhão-trator para reboques e semirreboques, na segunda.

Outros impactos positivos importantes foram registrados por celulose, papel e produtos de papel (7,5%), couro, artigos para viagem e calçados (15,9%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (18,5%) e produtos alimentícios (1,0%).

Entre as grandes categorias econômicas, ainda no confronto com igual mês do ano anterior, os bens intermediários (-1,8%) assinalaram a única taxa negativa. Por outro lado, os setores produtores de bens de consumo duráveis (2,3%), de bens de consumo semi e não duráveis (1,3%) e de bens de capital (0,2%) apontaram os avanços nesse mês.

Setores produtores

O setor produtor de bens intermediários caiu 1,8% em junho de 2022 frente a igual período de 2021, segunda taxa negativa consecutiva nessa comparação. O resultado desse mês foi explicado, principalmente, pelos recuos em indústrias extrativas (-5,4%), metalurgia (-8,3%), produtos de minerais não metálicos (-6,9%), produtos de metal (-6,6%), produtos de borracha e material plástico (-5,1%), outros produtos químicos (-2,5%), produtos têxteis (-8,1%) e produtos alimentícios (-0,7%), enquanto as pressões positivas vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (11,9%), celulose, papel e produtos de papel (7,5%), veículos automotores, reboques e carrocerias (2,9%) e máquinas e equipamentos (0,2%).

Ainda nessa categoria econômica, vale citar as quedas em insumos típicos para construção civil (-7,3%), que marcaram o décimo recuo seguido nesse tipo de comparação; e de embalagens (-0,6%), que voltaram a mostrar perda após interromper em maio último (0,2%) onze meses consecutivos de queda na produção.

A produção de bens de capital teve variação positiva de 0,2% no índice mensal de junho de 2022, segundo resultado positivo consecutivo nesse tipo de comparação. O índice desse mês foi influenciado pela expansão observada na maior parte dos grupamentos, com destaque para bens de capital para equipamentos de transporte (4,1%), impulsionado, em grande parte, pela maior fabricação de caminhão-trator para reboques e semirreboques.

Taxas

As demais taxas positivas foram em bens de capital para energia elétrica (22,0%), agrícolas (14,0%) e para construção (17,6%). Por outro lado, o principal impacto negativo foi assinalado pelo subsetor de bens de capital para fins industriais (-7,0%), pressionado pela menor produção de bens de capital seriados (-7,2%) e de não seriados (-6,3%). Vale destacar também o recuo de 9,0% verificado no grupamento de bens de capital de uso misto.

Ainda no confronto com igual mês do ano anterior, o segmento de bens de consumo semi e não duráveis cresceu 1,3% em junho de 2022, terceira taxa positiva consecutiva nesse tipo de comparação, mas a menos intensa dessa sequência. O desempenho positivo nesse mês foi explicado, principalmente, pela expansão observada nos grupamentos de semiduráveis (7,9%) e de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (2,0%).

Vale destacar também o resultado positivo assinalado pelo grupamento de carburantes (1,3%), influenciado pela maior fabricação de gasolina automotiva. Por outro lado, o grupamento de não duráveis (-4,3%) apontou a única taxa negativa nesse mês, pressionado, em grande parte, pelo recuo na produção de medicamentos.

O setor de bens de consumo duráveis avançou 2,3% em junho de 2022 frente a igual período de 2021, interrompendo, dessa forma, 11 meses consecutivos de taxas negativas nesse tipo de comparação. Nesse mês, o setor foi impulsionado, em grande medida, pela maior fabricação de automóveis (21,4%). Por outro lado, os principais impactos negativos vieram da menor produção de eletrodomésticos da “linha branca” (-11,8%) e da “linha marrom” (-9,2%). Vale citar também os recuos em motocicletas (-3,8%), outros eletrodomésticos (-36,7%) e móveis (-10,4%).

Grandes categorias econômicas

O índice acumulado no primeiro semestre do ano, frente a igual período do ano anterior, caiu 2,2%, com resultados negativos em todas as quatro grandes categorias econômicas, 18 dos 26 ramos, 55 dos 79 grupos e 62,6% dos 805 produtos pesquisados.

Entre as atividades, as principais influências negativas no total da indústria vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (-5,4%), produtos de metal (-12,1%), produtos de borracha e de material plástico (-10,0%), indústrias extrativas (-3,3%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-14,6%).

Vale destacar também as contribuições negativas dos ramos de metalurgia (-5,4%), produtos têxteis (-15,3%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,1%), móveis (-19,8%), produtos de minerais não metálicos (-5,2%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-9,3%), produtos diversos (-7,0%), perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-5,0%) e de máquinas e equipamentos (-1,3%).

Ainda no acumulado do ano, entre as oito atividades em alta, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (10,3%) exerceu a maior influência, impulsionada pela maior produção dos itens óleos combustíveis, óleo diesel, gasolina automotiva, querosenes de aviação e naftas para petroquímica. Outros impactos positivos importantes vieram de bebidas (2,9%) e manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (5,9%).

Entre as grandes categorias econômicas, o perfil dos resultados para o primeiro semestre de 2022 mostrou menor dinamismo para bens de consumo duráveis (-11,7%), pressionada, em grande parte, pelas reduções verificadas na fabricação de eletrodomésticos da “linha branca” (-21,7%) e da “linha marrom” (-12,6%) e de automóveis (-7,0%). Os segmentos de bens intermediários (-2,1%), de bens de consumo semi e não duráveis (-1,0%) e de bens de capital (-0,9%) também assinalaram resultados negativos nos seis primeiros meses do ano, mas todos com recuos menos intensos do que o observado na média da indústria (-2,2%).

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