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Taxa de desocupação no Brasil é de 9,8% no trimestre encerrado em maio; abaixo do consenso

Taxa de desocupação no Brasil é de 9,8% no trimestre encerrado em maio; abaixo do consenso

Osni Alves

Osni Alves

30 Jun 2022 às 09:24 · Última atualização: 30 Jun 2022 · 8 min leitura

Osni Alves

30 Jun 2022 às 09:24 · 8 min leitura
Última atualização: 30 Jun 2022

Imagem mostra trabalhadores da construção.

A taxa de desocupação no Brasil é de 9,8% no trimestre encerrado em maio de 2022, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O consenso do mercado apontava para 10,2%.

Trata-se da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua que mostra que a taxa recuou 1,4 ponto percentual (p.p.) em relação ao trimestre de dezembro de 2021 a fevereiro de 2022 (11,2%), e 4,9 p.p. ante mesmo período de 2021 (14,7%).

De acordo com os dados, esta foi a menor taxa de desocupação para um trimestre encerrado em maio desde 2015 (8,3%), e a população desocupada (10,6 milhões de pessoas) recuou 11,5% (menos 1,4 milhão de pessoas) frente ao trimestre anterior e 30,2% (menos 4,6 milhões de pessoas desocupadas) na comparação anual.

Gráfico mostra a evolução da taxa de desocupação.
Tá, e aí?Stephan F. Kautz, economista-chefe da EQI Asset

Para o economista-chefe da EQI Asset, Stephan F. Kautz, a taxa de desocupação no Brasil veio abaixo do esperado, surpreendendo as expectativas do consenso, com principal destaque sendo a criação de vagas no setor de serviços, refletindo ainda a reabertura da economia pós-pandemia, tendo uma população ocupada acima do nível pré-pademia, inclusive no mercado formal.

“Pela composição, trata-se de uma taxa bastante boa, também, e sinais positivos começando a aparecer do lado de salário, com salário nominal começando a ter uma alta aí de quase 4% no ano contra ano, e que faz com que a massa salarial, o dinheiro novo entrando na economia, também esteja subindo.

“A gente espera uma estabilização desse mercado nos próximos meses. A taxa deve rodar próximo de 10% até o final do ano, basicamente porque deve ter mais gente procurando”, frisou.

Taxa de desocupação no Brasil é de 9,8% no trimestre encerrado em maio, aponta IBGE

IBGE: Taxa de desocupação no Brasil

Ainda de acordo com o levantamento, a variação do rendimento habitual ficou estável em menos 7,2%.

Acontece que o contingente de pessoas ocupadas (97,5 milhões) foi recorde da série iniciada em 2012, com alta de 2,4% (mais 2,3 milhões) ante o trimestre anterior e de 10,6% (mais 9,4 milhões) ante o mesmo período de 2021.

Já o nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar), estimado em 56,4%, subiu 1,2 p.p. frente ao trimestre anterior (55,2%) e de 4,9 p.p. ante igual trimestre de 2021 (51,4%).

Os dados apontam ainda que a taxa composta de subutilização (21,8%) caiu 1,7 ponto percentual em relação ao trimestre de dezembro de 2021 a fevereiro de 2022 (23,5%) e 7,4 p.p. ante o trimestre encerrado em abril de 2021 (29,2%). É a menor taxa para o trimestre desde 2016 (20,5%). A população subutilizada (25,4 milhões de pessoas) caiu 6,8% (menos 1,8 milhão) frente ao trimestre anterior (27,3 milhões) e 23,8% (menos 7,9 milhões) na comparação anual.

Também informam que a população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas (6,6 milhões) ficou estável ante o trimestre anterior e caiu 11,1% (menos 827 mil pessoas) no ano.

A população fora da força de trabalho (64,8 milhões de pessoas) caiu 0,8% ante o trimestre anterior (menos 506 mil) e 4,7% (menos 3,2 milhões) na comparação anual.

Taxa de desocupação no Brasil é de 9,8% no trimestre encerrado em maio, aponta IBGE

Pnad Contínua

Conforme a Pnad Contínua, a população desalentada (4,3 milhões de pessoas) caiu 8,0% em relação ao trimestre anterior (menos 377 mil pessoas) e 22,6% (menos 1,3 milhão de pessoas) na comparação anual.  O percentual de desalentados na força de trabalho ou desalentada (3,9%) caiu 0,4 p.p. frente ao trimestre anterior e 1,3 p.p. frente ao mesmo trimestre do ano anterior.

O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (exclusive trabalhadores domésticos) foi de 35,6 milhões, subindo 2,8% (981 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e 12,1% (mais 3,8 milhões de pessoas) na comparação anual.

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado (12,8 milhões de pessoas) foi o maior da série. Este contingente cresceu 4,3% em relação ao trimestre anterior (mais 523 mil pessoas) e 23,6% (2,4 milhões de pessoas) no ano.

O número de trabalhadores por conta própria (25,7 milhões de pessoas) manteve-se estável ante o trimestre anterior, mas subiu 6,4% (mais 1,5 milhão de pessoas) no ano.

Já o número de trabalhadores domésticos (5,8 milhões de pessoas) apresentou estabilidade no confronto com o trimestre anterior e subiu 20,8% (mais 995 mil pessoas) no ano.

O número de empregadores (4,2 milhões de pessoas) cresceu 4,1% em frente ao trimestre anterior (168 mil pessoas) e 16,2% (590 mil pessoas) na comparação anual.

O número de empregados no setor público (11,6 milhões de pessoas) cresceu 2,4% frente ao trimestre anterior e ficou estável na comparação anual.

Taxa de desocupação no Brasil é de 9,8% no trimestre encerrado em maio, aponta IBGE

Taxas

A taxa de informalidade foi de 40,1% da população ocupada (ou 39,1 milhões de trabalhadores informais) contra 40,2% no trimestre anterior e 39,5% no mesmo trimestre de 2021.

O rendimento real habitual (R$ 2.613) ficou estável frente ao trimestre anterior e caiu 7,2% no ano. A massa de rendimento real habitual (R$ 249,8 bilhões) cresceu 3,2% frente ao trimestre anterior e 3,0% na comparação anual.

No trimestre móvel de março a maio de 2022, a força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas), foi estimada em 108,1 milhões de pessoas, com alta de 0,8% (897 mil pessoas) frente ao trimestre de dezembro a fevereiro, e acréscimo de 4,6% (4,8 milhões de pessoas) ante o mesmo trimestre de 2021. Foi o maior contingente de pessoas na força de trabalho da série histórica, iniciada em 2012.

Frente ao trimestre móvel anterior, houve aumento nos seguintes grupamentos de atividades: Indústria Geral (2,5%, ou mais 312 mil pessoas), Construção (2,9%, ou mais 210 mil pessoas), Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (1,5%, ou mais 281 mil pessoas), Transporte, armazenagem e correio (4,6%, ou mais 224 mil pessoas), Alojamento e alimentação (3,6%, ou mais 186 mil pessoas), Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (2,8%, ou mais 311 mil pessoas), Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,8%, ou mais 466 mil pessoas) e Outros serviços (3,7%, ou mais 182 mil pessoas). Os demais grupamentos não tiveram variação significativa.

Ante o trimestre encerrado em maio de 2021, houve alta em: Indústria Geral (11,0%, ou mais 1,3 milhão de pessoas), Construção (13,2%, ou mais 866 mil pessoas), Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (15,3%, ou mais 2,5 milhões de pessoas), Transporte, armazenagem e correio (14,0%, ou mais 629 mil pessoas), Alojamento e alimentação (26,9%, ou mais 1,1 milhão de pessoas), Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (4,0%, ou mais 449 mil pessoas), Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (3,6%, ou mais 580 mil pessoas), Outros serviços (20,7%, ou mais 878 mil pessoas) e Serviços domésticos (20,4%, ou mais 990 mil pessoas). Os demais grupamentos não apresentaram variações significativas.

Subutilização

Quanto ao rendimento médio real habitual (R$2.613,00), frente ao trimestre móvel anterior, todos os grupamentos apresentaram estabilidade. Na comparação anual, houve aumento na categoria de Transporte, armazenagem e correio (6,1%, ou mais R$ 146), e redução nos grupamentos: Indústria (6,9%, ou menos R$ 184) Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (7,1%, ou menos R$ 283) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (13,3%, ou menos R$ 567).

Entre as posições de ocupação, ante o trimestre móvel anterior, houve aumento na categoria de Empregado sem carteira de trabalho assinada (6,0%, ou mais R$ 101). As demais categorias não apresentaram variação significativa. Na comparação com o trimestre de março a maio de 2021, não houve crescimento em qualquer categoria.

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