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O que é reserva de oportunidade? Saiba como usá-la da melhor forma

O que é reserva de oportunidade? Saiba como usá-la da melhor forma

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

02 Mar 2022 às 19:00 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 8 min leitura

Redação EuQueroInvestir

02 Mar 2022 às 19:00 · 8 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

Pixabay

Quando o assunto é reserva de oportunidade existe alguma divergência entre as opiniões de especialistas em finanças. 

De um lado, alguns profissionais acreditam que não vale a pena fazer uma reserva aguardando uma oportunidade que, talvez, não apareça. Ou pior: que não seja identificada pelo investidor.

Já outros defendem que ter este recurso guardado é especialmente relevante para quem sabe fazer um bom planejamento para usá-lo. 

De qualquer forma, para tomar a melhor decisão, o importante é conhecer o assunto. 

Para esclarecer as principais dúvidas, vamos abordar agora os pontos positivos e negativos desta estratégia.

Saiba agora o que é a reserva de oportunidade, como fazer e se vale a pena para os seus objetivos. 

O que é reserva de oportunidade?

Reserva de oportunidade é um dinheiro que o investidor deixa reservado para ser usado quando ele perceber uma oportunidade de investimento no mercado.

Indo além do âmbito dos investimentos, alguns especialistas em educação financeira também usam o termo para classificar o recurso que pode ser usado em oportunidades de consumo que ofereçam descontos ou vantagens quando o pagamento é feito à vista. 

Como por exemplo: a troca de um veículo. 

De qualquer forma, a ideia central da reserva de oportunidade é ter um dinheiro à mão, que será destinado a aproveitar momentos favoráveis.

Qual a diferença entre reserva de oportunidade e reserva de emergência?

A reserva de oportunidade se relaciona com a chance de aproveitar momentos específicos para realizar planos ou fazer investimentos com condições mais atrativas. 

Já a reserva de emergência tem outra finalidade. 

Esta segunda atua como uma espécie de fundo, que tem o objetivo de oferecer tranquilidade ou o chamado “fôlego financeiro” em momentos críticos como: demissões, problemas de saúde, consertos inesperados, entre outras situações. 

O valor ideal para uma reserva de emergência pode variar conforme a soma das despesas mensais e o tempo de despreocupação que uma pessoa e/ou família deseja ter.

Contudo, há o consenso de que ela não deve ser menor do que quatro meses de cobertura do que é considerado como “essencial” para manter o custo mensal de cada pessoa.

Portanto, a reserva de emergência funciona como uma aliada para evitar que imprevistos causem mais problemas do que o necessário no orçamento de uma família.

Saber diferenciar os conceitos de reserva de oportunidade e reserva de emergência é fundamental para ter clareza no planejamento financeiro.

Quais as vantagens de ter uma reserva de oportunidade para investimentos?

“Pense no seguinte cenário: quando a bolsa está cara, é um bom momento para vender e quando está barata é uma boa oportunidade para comprar. Muitas vezes, vai aparecer uma oportunidade e se você não tem o chamado ‘capital de oportunidade’ e a bolsa estiver em queda, por exemplo, o investidor que tiver uma grande exposição, pode ter que vender as ações no prejuízo ou escolher entre abrir mão da oportunidade. 

Por isso, é importante ter um capital reservado para ‘oportunidade’ e um para ‘emergência’. Isso impede que o investidor precise liquidar as ações em um momento ruim de venda”, comenta Valter Manfro, sócio da EQI e Head de Produtos Estruturados.

Já André Bona, educador financeiro e parceiro do BTG Pactual, levanta outra situação de investimento.

“Outro exemplo é quando surge a oportunidade de investir em produtos atrativos, como na renda fixa. Por exemplo, em uma emissão de debêntures ou de um Certificado de Depósito Bancário (CDB) com rendimentos atraentes”, comenta.

Em quais planos vale a pena usar a reserva de oportunidade?

Além do âmbito dos investimentos, como já vimos anteriormente, ter uma reserva de oportunidade pode ajudar também na aquisição de certos bens com desconto. 

“Ela pode ser utilizada para a compra de um imóvel, automóvel, cursos, intercâmbio para aprendizado de idiomas, viver fora do país, dentre inúmeras outras possibilidades que se mostrem imperdíveis em um determinado momento”, cita Bona.

Mas, o especialista pondera: “a reserva de oportunidade é subjetiva, pois cada um tem objetivos distintos, um estilo de vida próprio e um entendimento do que é ou não uma oportunidade para si”, esclarece.

Onde investir para ter uma reserva de oportunidade?

Para escolher o melhor investimento para uma reserva de oportunidade, a lógica é a seguinte: ter os recursos disponíveis para resgate quando a oportunidade surgir. 

Isso significa que as melhores alternativas são os ativos com alta liquidez. Já a rentabilidade não deve ser o ponto crucial para quem quer fazer uma reserva de oportunidade. 

O mais adequado é encontrar um investimento seguro e líquido e deixar o montante investido enquanto não precisar utilizá-lo. 

Alguns investimentos que têm essa característica são:

Quais as desvantagens da reserva de oportunidade?

Na teoria, adotar a estratégia de ter uma reserva de oportunidade pode funcionar bem e até apresentar diferenciais para quem deseja fazer o dinheiro render. 

Porém, os especialistas também alertam que é preciso fazer uma reflexão mais aprofundada sobre o tema.

Veja alguns itens relevantes para avaliar:

Sub alocação do recurso à espera da melhor oportunidade 

Como vimos anteriormente, ter uma reserva de oportunidade significa deixar o dinheiro investido em uma alternativa líquida e segura. 

Entretanto, segundo o educador financeiro André Bona, a medida exige que o montante permaneça mal alocado enquanto a oportunidade não aparece. 

“Essa sub alocação é problemática, porque faz com que o retorno do portfólio de investimentos talvez seja menor, considerando o longo prazo.  Então, ainda que você passe por uma situação positiva, poderá ter um retorno médio menor devido à espera pela oportunidade ideal”, comenta.

Impossibilidade de prever o futuro

Outro ponto que é destacado pelo especialista é a imprevisibilidade do mercado. O que impede que o investidor saiba quando surgirá uma boa oportunidade. 

“Imagine que o crescimento de mercado dure 5 ou 10 anos, mas você está aguardando uma queda para investir. 

Na prática, isso significa que você perdeu todo esse tempo de ganhos acumulados ao manter o dinheiro investido em uma alternativa menos interessante”, comenta Bona.

Dificuldade para reconhecer oportunidades

A premissa da reserva de oportunidade para quem investe é aproveitar situações favoráveis para otimizar seus investimentos. 

Contudo, André Bona alerta que essa identificação raramente acontece na realidade.

“Isso se deve ao fato de que é fácil olhar para trás e reconhecer uma situação em relação às quedas e ao aparecimento de oportunidades. Todavia, na hora que elas acontecem, o processo não é tão simples de se identificar.

Assim, a execução da reserva de oportunidade não acontece com tanta clareza ou com tanta eficiência e desempenho como seu conceito sugere”, argumenta.

Quanto guardar na reserva de oportunidade?

Para quem acredita que a estratégia de ter uma reserva de oportunidade pode ser benéfica, existem algumas dicas para começar a fazê-la. 

A primeira é quanto ao valor que se deve guardar. Os especialistas em finanças concordam que não existe um valor mínimo, pois cada chance é única, variando de acordo com cada ponto de vista.

Para encontrar o valor que vale a pena ser guardado, é preciso avaliar quais são seus principais objetivos e custos envolvidos, assim como sua definição própria sobre o que seria uma boa oportunidade.

A segunda dica é reavaliar o seu planejamento financeiro para identificar os valores que podem ser destinados à reserva.

Poupança, BC

Vale a pena ter uma reserva de oportunidade?

A resposta segue dividindo os especialistas. Isso porque aplicações de alta liquidez, adequadas para a reserva de oportunidade, comumente rendem menos que outros tipos de investimentos.

Isso significa que o capital pode perder valor enquanto o investidor espera pela oportunidade perfeita.

Para André Bona, cada investidor deve ponderar suas expectativas e tomar sua própria decisão. 

“Em vez de focar somente nas quedas de mercado, pode fazer mais sentido buscar uma alocação que seja consistente com seu perfil de investidor. Nesse caso, é possível ter um aproveitamento da valorização ocorrida ao longo de todo o período de investimento”, avalia.

Ele ainda completa: “Mesmo quedas aceleradas podem ser exploradas, apenas não dependem, necessariamente, da reserva de oportunidade. 

Tenha em mente que, com um bom planejamento financeiro, o investidor consegue manter seus aportes mensais.

Assim, se a oportunidade surgir, poderá usar esses recursos para aportar em condições melhores. Tudo isso sem precisar deixar o dinheiro sub alocado e sem tentar prever o futuro”, orienta.

Reserva de oportunidade x reserva de emergência: qual fazer primeiro?

Para finalizar, o educador financeiro esclarece a principal dúvida sobre o tema: qual delas fazer primeiro. 

“Lembre-se também que, se você não tem nenhuma delas, comece fazendo sua reserva de emergência. A de oportunidade pode ser formada depois, inclusive enquanto você realiza seus investimentos focados no médio e longo prazo”.

Qual delas é mandatória? 

Enquanto a reserva de emergência deve ser tratada como obrigatória, a outra pode ser utilizada por quem deseja aproveitar oportunidades ao longo da vida ou em uma determinada situação específica.

O recomendável é sempre avaliar as necessidades pessoais e entender se ter uma reserva de oportunidade faz sentido para seus objetivos. 

Caso sim, ela pode trazer mais tranquilidade e segurança financeira a quem deseja adotá-la.

(Vanessa Araújo)

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