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O que esperar da bolsa de valores em agosto?

O que esperar da bolsa de valores em agosto?

Luiz Cesta

Luiz Cesta

05 Ago 2022 às 11:35 · Última atualização: 05 Ago 2022 · 5 min leitura

Luiz Cesta

05 Ago 2022 às 11:35 · 5 min leitura
Última atualização: 05 Ago 2022

ilustração de mulher e números de ações

Reprodução/Pixabay

O último mês, de julho, foi particularmente positivo para os mercados, principalmente para a Bolsa de Valores.

O Ibovespa subiu 5%, o S&P avançou 9% e a Nasdaq subiu 12%. O real se valorizou frente ao dólar, as commodities caíram e o bitcoin subiu 18%.

Mas por que tudo isso aconteceu?

Está na hora de colocar mais ações na carteira?

Julho foi muito bom para os investidores que estão com carteiras mais arrojadas, com mais ações, com mais títulos prefixados e com criptomoedas.

Por mais esquisito que pareça, isso aconteceu porque a economia dos principais países do mundo está desacelerando. Alguns países podem, inclusive, entrar em recessão.

Mas a piora da economia não deveria ser ruim para as ações? De fato, é. Mas outro fator importante joga a favor da bolsa e ele se chama taxa de juros.

Quando a gente faz uma avaliação do preço de uma ação, a gente usa a taxa de juros para avaliar se os rendimentos futuros são mais ou menos relevantes hoje.

Quando a taxa de juros é alta, os dividendos futuros ficam menos relevantes hoje. E o contrário também é verdadeiro.

Não é novidade para ninguém que tudo está mais caro hoje. Você vai para o mercado e compra menos coisas do que comprava ontem. E isso está acontecendo no mundo todo.

A pandemia ajudou a atrapalhar toda a cadeia de transporte de produtos. Menos produtos no mercado significa aumento de preços.

E o resultado é basicamente este: tudo subindo de preço.

Agora, qual é a ferramenta que os bancos centrais possuem para forçar a inflação para baixo?

A resposta é justamente “taxa de juros”.

Taxa de juros em alta desestimula o consumo, desestimula comprar equipamentos e enfraquece a economia como um todo.

E quando você desestimula consumo, os preços caem.

E é exatamente isso que os bancos centrais pelo mundo estão fazendo. Subindo juros.

Logo depois do aumento dos juros, a demanda cai, vem o declínio de preços e, então, os juros podem voltar a cair.

Esse é um ciclo que se retroalimenta ao longo do tempo. E as pessoas que trabalham no mercado financeiro ficam o tempo todo tentando identificar em que ponto estamos para conseguir precificar melhor as ações.

Cada país tem um banco central que zela pelo poder de compra da sua moeda. Alguns bancos centrais sobem as taxas mais rápido, outros nem tanto.

No Brasil, a gente viu uma alta bem rápida dos juros. Até outro dia estávamos com 2% de taxa de juros.

Historicamente, o patamar de 2% para a taxa é muito baixo e de certa forma também desconexo com os fundamentos do orçamento público (quanto o governo arrecada menos o quanto gasta).

Quando o Banco Central brasileiro viu que a inflação ia escapar das metas, já começou a aumentar os juros. Coisa que não aconteceu nos Estados Unidos ou Europa. Lá eles começaram a subir os juros mais tarde.

Muito bem. Dito isso, qual é o cenário que estamos enxergando para frente?

Brasil chegando perto do topo da elevação das taxas de juros…

Estados Unidos e Europa começando agora a subir as suas taxas, mas com alguns sinais já presentes de desaceleração da economia…

Qual a situação econômica atual aqui no Brasil, então?

Estamos vivendo aqui no Brasil com:

  • taxas de juros nas máximas, com tendência de queda em breve
  • inflação caindo
  • PIB crescendo
  • valores das empresas listadas em bolsa desproporcionalmente baixos.

Tudo isso indica que estamos em um bom momento para comprar ações.

Além disso, o mercado já está enxergando, também lá fora, algo semelhante. Já há indícios de que os juros podem continuar em uma trajetória de alta, mas a desaceleração da economia já está colocando uma pulga atrás da orelha dos bancos centrais, que podem parar com essa alta de juros em um futuro, talvez não próximo, mas pelo menos mais previsível.

Olhando da perspectiva de ciclo de mercado, conseguir visualizar um momento de paralisação da alta dos juros é um gatilho muito importante.

É difícil prever em quanto tempo essa alta da bolsa vai se consolidar, mas acho importante já montarmos uma carteira mais exposta à renda variável.

E aí você pode me perguntar: as eleições não podem trazer riscos? Sim. Isso é verdade. Mas eu acredito pouco em uma ruptura institucional, independentemente do candidato que vá ganhar.

Já está mais do que provado que economia forte mantém, sim, o presidente no poder. E esse deve ser o principal fator a ser considerado nesse caso.

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Nos meus portfólios dentro da Monett, estou aumentando a alocação em renda variável a partir de agora.

Por Luiz Cesta, analista da Monett

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