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Money Week: small caps se destacam em cenário de alta de juros

Money Week: small caps se destacam em cenário de alta de juros

Redação EuQueroInvestir

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26 Out 2021 às 22:00 · Última atualização: 26 Out 2021 · 5 min leitura

Redação EuQueroInvestir

26 Out 2021 às 22:00 · 5 min leitura
Última atualização: 26 Out 2021

small caps

A rápida elevação dos juros na economia brasileira fez com que o preço da ação de muitas empresas caísse na bolsa de valores. No entanto, algumas dessas companhias continuam apresentando bons números, sendo que, para algumas, este é até mesmo o melhor período de sua existência. Muitas destas são small caps. E a pergunta que fica é: seriam, então, as small caps boas oportunidades?

Para debater o tema, o sócio da EQI Investimentos Kleber Falchetti recebeu na Money Week Anderson Lueders, sócio co-gestor da Real Investor, e Werner Roger, sócio fundador da Trígono Capital. Acompanhe como foi o bate-papo.

O que são small caps?

Diferentemente das blue chips (que são as grandes empresas da bolsa), as small caps representam empresas de menor negociação. Para Werner, “Small caps são empresas de pequena capitalização, o que significa pequeno valor de mercado, com uma mediana de U$ 1,9 bilhão”. Ainda segundo ele, sua equipe na gestora costuma considerar uma empresa como tal se tiver o valor de mercado de R$ 10 bilhões ou uma negociação diária de R$ 10 milhões.

Werner comenta que o mercado acionário brasileiro é composto em sua grande parte justamente por small caps. “Temos 50 empresas que não são small caps, sendo que 90% de todo o mercado é representado pelas pequenas”, diz.

Setores e riscos ligados às small caps?

Atualmente, o mercado se apresenta de forma muito diferente do passado, comenta Anderson. “O mercado de small caps não era tão farto no passado como é hoje. Sempre foi mais associado ao risco, enquanto blue chips significavam segurança”. No entanto, vimos grandes empresas terem mau desempenho ao longo do tempo, como é o caso da antiga Telebras.

No entanto, Anderson entende que uma empresa deve ser analisada pelo seu negócio e não necessariamente pelo porte alcançado em determinado momento.

“Foi vendida a ideia de que o risco era associado ao tamanho da empresa, mas acreditamos que ele é associado ao tipo de negócio. Com variáveis de maior controle, as empresas de menor porte têm menor risco. Já as empresas grandes não controlam diversos fatores, como, por exemplo, o preço do minério sendo controlado internacionalmente”.

Quais são as perspectivas para o mercado?

Ainda segundo Anderson, existe uma espécie de divisão no mercado que faz com que se tenham duas bolsas em uma só. “Uma delas é focada no mercado internacional e vai bem no momento. Em contrapartida, existem setores com crise no preço (e não necessariamente no negócio) e que estão com um preço de negociação abaixo até mesmo do que do início da pandemia”, afirma.

Isso gera uma gama de oportunidades, segundo ele. “É possível comprar empresas com preço de incerteza de antes da pandemia, mas com as informações que já se sabem hoje, depois de todo o ocorrido. Vários ativos com preço de até 50% do preço de reposição. Soma-se uma saída desenfreada dos ativos com uma pressão vendedora grande e ocorre uma liquidação”.

Anderson continua: ” Há uma forte recuperação nas vendas de muitos negócios e com isso abre-se um gap muito grande, uma distorção que a gente gosta”, ele diz. “Os juros subiram muito rápido no Brasil, e empresas do setor elétrico com contratos de média duração podem pagar até 13% de juros reais ao ano”.

Ele chama atenção para uma certa cegueira do mercado, que olha apenas para o juro real pago de um título do Tesouro, por exemplo, e esquece outros ativos também ligados à inflação. “A receita de empresas do setor de energia é ajustada pelo IGP-M, chegando até 30% de reajuste em 12 meses. O setor bancário está com negociação 40% abaixo do valor patrimonial, um ROI de 20% ao ano com pagamento de 8% de dividendos”.

“Não é o fundamento que está se deteriorando, é o fluxo de capital”, observa ele.

Quais são as ações que estão no radar da Trígono?

Werner faz considerações sobre as small caps que sua gestora considera interessantes. “Na verdade, sobra ideia e falta dinheiro, pois quanto maior a crise, maior é a oportunidade. Somente como exemplo, o maior comprador das ações em setembro foram as próprias empresas que estão fazendo recompra, pois estão vendo que seus títulos estão muito descontados”.

Sobre a carteira da Trígono, Werner Roger pondera: “60% da carteira do nosso principal fundo é igual há três anos atrás. Temos Metal Leve (LEVE3), Tupy (TUPY3) e Schulz (SHUL4). Estamos no terceiro melhor ano da história da indústria automobilística no Brasil e há pedidos até abril. A Tupy é a maior empresa do mundo em seu seguimento e comprou a segunda, vai faturar 12 bi em dois anos, pode gerar um lucro de 1,2 bi e vale menos de 3 bi hoje”.

Ele ainda acrescenta os bons números da companhia: “A Tupy tem 1 bi em caixa e não tem dívidas nos próximos 10 anos, 80% de suas receitas são em dólar e os EUA representam 65% do mercado da empresa”.

Para finalizar, ele ainda fala do setor do agronegócio que tem um déficit de 90 bilhões em silos e somente para manter a capacidade seria necessário investir 5 bilhões por ano devido à expansão na produção de grãos”. Por isso, tem preferência no investimento em empresas como a Kepler Weber (KEPL3).

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