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David Rosenberg e as perspectivas da economia mundial nos próximos anos

David Rosenberg e as perspectivas da economia mundial nos próximos anos

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

29 Out 2021 às 23:56 · Última atualização: 29 Out 2021 · 5 min leitura

Redação EuQueroInvestir

29 Out 2021 às 23:56 · 5 min leitura
Última atualização: 29 Out 2021

perspectivas economia global

David Rosenberg, co-gerente de portfólio das estratégias de títulos de alto rendimento e de alto rendimento global da Oaktree, foi um dos convidados do último dia da Money Week.

Ele falou sobre “Perspectivas da economia mundial nos próximos anos”. Confira os principais pontos de seu bate-papo com Luís Fernando Moran, sócio e head de research da EQI Investimentos.

Você pode assistir ao painel na íntegra, clicando aqui e fazendo seu cadastro.

Quem é David Rosenberg?

Rosenberg é um contador público certificado que atuou no JP Morgan, é formado em administração de empresas pela Universidade do Texas, com MBA em administração de empresas e MPA em contabilidade profissional. Ingressou na Oaktree em 2004, sendo que a empresa atua na gestão de ativos globais e é especializada em estratégias alternativas de investimento.

Rosenberg

Rosenberg vê recuperação econômica frágil

Para Rosenberg, o mundo vive atualmente um período de recuperação frágil, em que muitas pessoas perderam o emprego por conta da pandemia e no qual a economia se manteve às custas de incentivos governamentais que terão que chegar ao fim.

“O que se quer é retirar o estímulo sem comprometer o crescimento. Quando as pessoas ficaram em casa, receberam auxílio do governo e conseguiram comprar coisas. Agora, sem ajuda, precisam voltar ao trabalho”, resume.

No entanto, ele afirma, o processo não é tão simples assim. “Uma das coisas que mais ouço de CEOs de empresas é que, depois de um momento assim, as empresa aprendem a funcionar de maneira mais enxuta, mais eficiente”. Ou seja: muitas pessoas voltarão ao trabalho, mas muitas não terão mais emprego. Ainda assim, ele explica, será preciso manter o consumo e a economia girando. E conclui: “Há razão para sermos cautelosos”.

Para ele, encarar o período como crise ou oportunidade depende do quão otimista a pessoa é. “Para mim, há um aspecto muito positivo a se capturar no mercado. Mas é preciso ter cuidado para observar se não se está investindo em empresas que precisam que tudo ocorra perfeitamente bem daqui em diante para serem lucrativas. Porque as coisas não funcionam assim”, orienta.

Inflação: transitória ou permanente?

Outro tema explorado no painel foi a inflação. Rosenberg aposta que ela será transitória, mas não no curto prazo.

“As pessoas se dividem entre as que acreditam que a inflação é transitória e as que apontam que é permanente, mas tudo depende de como você define transitório. Temos um problema de falta de chips que afeta o mundo todo e sabemos que isso terá uma solução. Mas percebo que está ficando cada vez mais claro que a solução não se dará em 2022, mas talvez em 2023”, diz. “Nada vai se resolver da noite para o dia”, enfatiza.

Ele aponta ainda que os investidores precisam estar preparados para a renda fixa, já que as taxas deverão subir e permanecer assim por um bom tempo.

Rosenberg: Covid acabou com a folga na cadeia de produção

Para Rosenberg, a grande questão da pandemia para as empresas é que ela pôs fim à folga que existia nos estoques. Por conta disso, houve uma escassez global de chips e outros insumos fundamentais à indústria.

Graças a isso, criou-se um cenário em que nada mais pode dar errado. E levará algum tempo até que os estoques se recomponham e os preços voltem à normalidade.

Retirada de estímulos

Para Rosemberg, a retirada de estímulos precisa ser feita lentamente pelos bancos centrais.

“Dada a fragilidade da recuperação, a economia não consegue absorver um aumento rápido e significativo de taxas sem que isso impacte o crescimento. Entretanto, se acontecer em um ritmo moderado, que é o que os bancos centrais estão sinalizando que farão, creio que podemos absorver. Acredito que no próximo ano, ano e meio, haverá esforços para que este seja um caminho suave”, afirma. Sobre para onde vão os juros americanos, ele aposta em algo em torno de 1,6% a 2%.

Alavancagem é preocupação

Outro ponto de preocupação para Rosemberg é a alavancagem das empresas. “Tudo sobre Covid foi liquidez. As empresas se endividaram não para fazer o negócio crescer ou melhorá-lo, mas sim para sobreviver. E são empréstimos que precisam ser pagos. No curto prazo, está tudo certo. Mas elas terão dificuldade quando precisarem se refinanciar”, diz.

“Costumamos dizer na empresa que quando ninguém está preocupado com o crédito, é aí que você deve se preocupar com o crédito. Agora é o momento que você precisa pensar no que possui na carteira e visualizar quais empresas terão problemas para pagar os empréstimos feitos. Porque este será um problema no futuro. E você não quer ficar preso nesse título”, orienta.

China e impacto Evergrande

Sobre China e o risco de quebra da Evergrande, ele acredita que haverá um impacto, mas que o governo chinês deve agir em socorro à incorporadora.

“A China consome aproximadamente metade de toda commodity do mundo. Então, quando você tem um mercado fundamental, como o imobiliário, em crise, diversos setores sentirão o impacto e os países que fornecem as commodities também. Mas não vejo o governo chinês simplesmente virando as costas para a Evergrande. É algo que é preciso acompanhar”.

Rosenberg: como incorporar ESG nos investimentos?

Sobre a demanda crescente dos investidores por empresas “ESG friendly”, ele afirma que, na Oaktree, existe um processo em que se examina com muita atenção a questão do crédito e também do risco ESG.

“Na triagem, não aceitamos riscos ESG desconfortáveis e acompanhamos de perto os progressos das empresas nesse sentido. Mas a conversa já evoluiu muito. Hoje, as empresas fornecem dados e métricas que podem ser facilmente monitorados, o que não acontecia no passado. Você pode ver claramente a mudança de comportamento ao longo dos anos”, ele afirma. E isso, diz, mesmo em setores não muito bem-vistos no quesito ESG, como as empresas de energia. Mas ele garante: “empresas de energia que têm um plano para fazer as coisas melhores são um investimento valioso”.

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