Educação Financeira
arrow-bc
Notícias
arrow-bc
Money Week: Daniel Haddad e os vieses comportamentais nos investimentos

Money Week: Daniel Haddad e os vieses comportamentais nos investimentos

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

28 Out 2021 às 21:30 · Última atualização: 28 Out 2021 · 8 min leitura

Redação EuQueroInvestir

28 Out 2021 às 21:30 · 8 min leitura
Última atualização: 28 Out 2021

Money Week Haddad

A 5ª edição da Money Week presenteou seus inscritos com uma palestra que reuniu histórias curiosas e muita informação. O responsável por essa verdadeira aula foi Daniel Haddad, Chief Investment Officer da Avenue.

Ele apresentou durante sua participação o tema “Vieses comportamentais e seus efeitos nos investidores”. E explicou o porquê de o mercado financeiro ser uma das poucas áreas em que é possível alguém sem muito conhecimento, às vezes surpreender até os mais experientes.

“O mercado financeiro não depende apenas do que você conhece, mas também de como você se comporta”, explicou. Haddad ilustrou sua tese com base em dados apresentados pela Vanguard, comparando o desempenho de um investidor com assessoria especializada e outro sem.

De acordo com o executivo da Avenue, a diferença de desempenho entre eles foi de 3 pontos percentuais a favor do investidor amparado por um especialista, profissional importante, principalmente para “acalmar o cliente” em tempos de euforia e, também, de crise.

Quem é Daniel Haddad?

Formado em engenharia de produção pela PUC-Rio, Haddad é pós-graduado em finanças pelo IBMEC-Rio e com MBA pela NYU Stern. O executivo iniciou sua carreira profissional em 2006, na Suzano Petroquímica e, em 2008, ingressou no Grupo EBX.

De lá, em 2013, partiu para os Estados Unidos, onde atuou na área de relações com investidores e M&A. Em 2013, se mudou para os Estados Unidos e, em 2015, se tornou sócio da Victori Capital, empresa em que foi sócio e responsável pela gestão de ações até junho de 2021, mês em que se juntou ao time da Avenue.

Ronald e Richard

Outra história bastante interessante que Daniel Haddad utilizou para ilustrar uma situação inusitada ocorrida no mercado financeiro faz parte de um livro chamado “Psicologia Financeira”. Ela conta o caso verídico de duas pessoas retratadas na ficção sob os nomes Ronald e Richard.

“O Ronald teve uma vida dura, família pobre, nem fez faculdade. Mas, quando faleceu, deixou 8 milhões de dólares como herança, 2 milhões para os enteados e 6 milhões para uma instituição de caridade. Os vizinhos ficaram surpresos, querendo saber de onde veio tanto dinheiro. O que ele fez, na verdade, foi algo bem simples: comprar ações da S&P 500 e acumular ao longo da vida. Ele não fazia nada. Só ia compondo. Aí, quando morreu, tinha 8 milhões de dólares acumulados”, explicou.

O segundo personagem da história, Richard, viveu situação antagônica, conforme revelou Haddad. “A história do Richard é oposta. Estudou em Harvard, fez MBA, era um grande executivo, e se aposentou aos 45 anos. Em 2014, na mesma época que o Richard faleceu, ele pediu falência pessoal”.

“Em quase nenhuma outra atividade humana a gente consegue replicar uma história como essa. Alguém sem conhecimento algum ter mais sucesso do que quem é especialista. É sobre isso que a gente vai falar”.

Disposition Effect e a aversão ao risco

“O órgão mais sensível do corpo humano é o bolso. E é por isso que vamos abordar os vieses comportamentais em investimentos. Somos avessos ao risco”, constatou Haddad, no primeiro tópico do painel preparado para os inscritos da Money Week, chamado de Dispositio Effect.

“O efeito de disposição talvez seja o mais estudado no comportamento em finanças. A forma do ser humano se comportar é assimétrica. A gente busca ganhar, busca orgulho e evita perda de qualquer maneira. A teoria da prospecção tem uma passagem que gosto muito, e diz que a dor da perda é duas vezes maior do que o prazer do ganho”, relatou o executivo da Avenue.

“Aversão ao risco é puramente darwinística. Vem de 20 mil anos. Fight or flight. Fuja ou lute. O cérebro humano funciona da mesma forma. Quando nos encontramos em momentos de crise, somos completamente avessos ao risco. A informação passa pelo pré-frontal córtex, vai para a amígdala, solta hormônio e entramos em modo de lutar ou fugir”, comparou.

Segundo ele, isso se encaixa em dois cenários distintos no mercado financeiro. “Quando a ação sobe, tendo a vender. Se cai, tendo a comprar. Independentemente da perspectiva que eu veja para a companhia. O mais interessante do Disposition Effect é quando falo de fundos. Aí o comportamento é completamente inverso. Se o fundo sobe, tendo a investir mais, se cai, tendo a resgatar. Por que? Simples. Quando compro ação, é responsabilidade minha, mas quando compro o fundo, quem está gerindo é o gestor. Tenho a quem culpar”.

Busca por atalho – Tópico da Money Week

Money Week

Daniel Haddad usou em seu segundo tópico abordado na Money Week dois dos maiores nomes do mercado financeiro e corporativo do mundo: Jeff Bezos, criador da Amazon, e Warren Buffett.

“O Bezzos foi almoçar com o Buffet e perguntou por que ninguém o copiava, se o que ele fazia parecia tão simples. A resposta foi que ninguém quer ficar rico de forma devagar. E é exatamente isso”, comentou.

Bem-humorado, Haddad usou exemplos diferentes antes de aplicar o que a busca por atalho significa no mercado financeiro. “Não adianta engravidar 9 mulheres e achar que o bebê vai chegar em um mês. Emagrecer, aprender inglês… todo mundo sabe a fórmula, e que leva tempo. No entanto, o livro que buscam é sobre como emagrecer em uma semana ou aprender inglês em um mês”, criticou.

“No mercado financeiro a gente foca muito na taxa de retorno, quando, na verdade, o tempo do investimento é que faz o exponencial. O valor futuro é igual ao valor presente x 1 + a taxa de retorno elevada ao tempo em que você está investindo. Aqui no Brasil, risco, para a gente é quase que perda permanente de capital”, lamentou.

Segundo Haddad, isso está mais do que provado ao olhar para a bolsa de valores. Ele citou que, no Brasil, somente 3% da população opta por aplicar nesse investimento, contra 55% dos Estados Unidos. “Lá eles poupam com visão de longo prazo”.

Overconfidence e ilusão de controle

O excesso de confiança e a ideia de que estamos sempre no controle também foram temas abordados na Money Week. Daniel citou que, nos Estados Unidos, após uma pesquisa, 82% das pessoas disseram que dirigiam acima da média das demais. E o que isso prova? “Estimamos para cima o conhecimento e a habilidade que achamos que temos, e estimamos para baixo o risco que a gente acha que está correndo. No mercado financeiro não é diferente. O mercado financeiro é um mercado probabilístico, mas, às vezes, não é favorável às nossas decisões”.

A ilusão do controle também foi demonstrada com um exemplo prático. Haddad lembrou que uma casa lotérica enfrentava dificuldades nos Estados Unidos por oferecer jogos prontos, sem opção do apostador marcar seus próprios números, até que alguém do marketing teve a ideia de mudar o sistema. “Mesmo mantendo as probabilidades do modelo anterior, as vendas deslancharam, pois a pessoa acha que está no controle ao escolher seus próprios números. No mercado financeiro também há esse conceito, que é chamado de home bias”.

Ancoragem e câmbio explicadas na Money Week

Uma das palavras mais usadas em mercado financeiro é ancoragem. Durante seu painel na Money Week, Daniel Haddad tentou simplificar o entendimento dessa prática. “O cérebro usa um atalho. Começa por um ponto referencial e vai ajustando. No mercado financeiro é a mesma coisa. A gente fica ancorado pelo preço que comprou uma ação ou o dólar, e espera recuperar o valor para fazer algo”. Ao falar sobre o câmbio, ele admitiu que o assunto é mais completo, e brincou: “Câmbio foi feito por Deus para humilhar os economistas. Depende de muita coisa”.

Money Week

Haddad finalizou sua participação na Money Week demonstrando o quanto somos afetados pelo meio-ambiente sem perceber. “Fizeram uma pesquisa que mostra que, se você entra em uma loja de bebida e está tocando música francesa, a venda de vinhos tende a aumentar. E, quando você sai, não sabe responder o que estava tocando. No mercado financeiro não é diferente. Você investiria em países como Guatemala ou Fiji? Eles têm o mesmo rating do Brasil. Botsuana e Casaquistão são ainda melhores”, revelou.

Segundo ele, é o meio-ambiente que impede o investidor de ter uma visão diferente. “Isso acontece porque você é afetado pelo meio-ambiente. Assiste ao JN, que fala que o dólar está variando. Mas será mesmo que é o dólar ou o real? Já parou para pensar nisso? Se compara o dólar com outras moedas, vê que ele é mais estável. Se fosse tão variado assim, qual o sentido de mais de 60% das reservas cambiais do mundo serem em dólar?”, concluiu.

Gostou de conhecer mais sobre Daniel Haddad? Então não perca mais tempo e inscreva-se na Money Week.

A retomada das Criptos?
newsletter
Receba informações exclusivas em seu email

Últimas notícias