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Juros em alta e a hora da renda fixa: saiba aqui como se preparar para 2022

Juros em alta e a hora da renda fixa: saiba aqui como se preparar para 2022

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

14 Dez 2021 às 16:00 · Última atualização: 08 Jun 2022 · 5 min leitura

Redação EuQueroInvestir

14 Dez 2021 às 16:00 · 5 min leitura
Última atualização: 08 Jun 2022

treasuries, renda fixa

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A 15 dias de 2022 e com os juros em alta, existem muitas dúvidas em relação às perspectivas para os investimentos no próximo ano.

Fatores como eleições, inflação, risco fiscal e alta do câmbio dificultam as projeções de analistas e de quem deseja planejar os investimentos. Isso sem falar nos insumos para a indústria, cujo impacto da alta do dólar prejudica a previsibilidade da produção industrial, o que afeta ainda mais a economia brasileira.

Em meio a tudo isso, como se preparar financeiramente para o próximo ano? De que forma o investidor pode montar uma estratégia eficiente para o seu patrimônio? Confira aqui.

Juros em alta: o que mostram as projeções macroeconômicas?

Selic

A Selic encerra 2021 a 9,25% ao ano, como projetado pelo mercado. Para o ano que vem, a expectativa é de nova alta de 1,5 ponto porcentual na reunião do Copom de fevereiro e mais 1 ponto no encontro de março. Ou seja, a expectativa é que a Selic alcance 11,75%.

Mas, segundo a ata da última reunião do Copom, a taxa de juros deve finalizar 2022 a 11,25% ao ano. Para 2023, o Copom projeta Selic a 8%.

Segundo o último Boletim Focus, a Selic deve fechar 2022 a 11,50%. E 2023 também a 8%.

Já para o BTG Pactual (BPAC11), a Selic deve encerrar o ciclo de alta em 11,75% e ficar nisso por um bom tempo.

PIB

Em relação ao PIB, a expectativa do BTG é de crescimento de 4,5% para o final de 2021. Nesse sentido, os analistas entendem que os riscos de racionamento de energia até o final do ano foram reduzidos, devido à antecipação da oferta adicional no sistema e da melhora do cenário hídrico para outubro e novembro. Já para 2022, a projeção de crescimento do PIB é de 0%, por causa da Selic mais alta e das incertezas sobre a economia mundial.

IPCA

Por sua vez, as expectativas para o IPCA seguem pouco otimistas. Isso por causa da persistência da alta inflação de serviços, bens industriais e itens básicos como alimentos, energia e combustíveis. Dessa forma, a projeção do banco para o IPCA de 2021 é de 10% e para 2022, 5%, devido à persistência de restrições de oferta e custos elevados.

Câmbio

Devido ao cenário externo mais adverso e à aproximação das eleições, a projeção é de câmbio siga depreciado no próximo ano. Por isso, o BTG projeta a taxa de câmbio em R$ 5,60 para o final de 2021.

Orçamento de 2022

De acordo com o banco, ainda não há uma direção clara para o orçamento do próximo ano. Por um lado, o parcelamento proposto pela PEC dos Precatórios deu uma folga fiscal. Isso ajuda a acomodar o novo Auxílio Brasil. No entanto, pode não ser suficiente para cobrir gastos públicos crescentes, desoneração da folha ou extensão do Auxílio Emergencial para 2022, por exemplo.

Perspectivas para os investimentos com os juros em alta

Quanto às perspectivas para os investimentos, Elias Wiggers, assessor da EQI Investimentos, ressalta alguns pontos de atenção para o próximo ano. A seguir, confira quais são eles.

Inflação

Segundo Elias, a pressão inflacionária continuará latente, não só no Brasil, mas no mundo todo. Por isso, a tendência é que os bancos centrais atuem de forma mais incisiva para controlar a alta dos preços.

De forma geral, a expectativa é de que as políticas monetárias ao redor do mundo deverão manter os juros altos. Nesse sentido, o Brasil já começou a escalada de juros, mas as grandes economias globais ainda não o fizeram. Segundo Elias, isso deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2022.

“A alta dos juros nas economias mais fortes obrigará os emergentes a fazerem mais ajustes em suas taxas, de forma a conter a migração dos recursos. Ou seja, mesmo com os juros já mais altos atualmente, os emergentes deverão pagar um prêmio de risco ainda maior”, afirma Wiggers.

Por isso, há uma expectativa geral do mercado de uma Selic ainda alta, possivelmente acima de 11% em 2022. Para o assessor, isso acabará competindo diretamente com a renda variável.

Em relação à alta dos juros, o tapering nos Estados Unidos promete ser uma das grandes preocupações para 2022, com a aceleração da retirada de estímulos da economia e a iminente alta de juros.

Eleições

Além dos juros em alta por causa da inflação, há ainda o ano eleitoral. Segundo Elias, “é inegável que, mesmo que não ocorram grandes movimentos de juros no exterior, o Brasil terá que manter a Selic um pouco mais alta. Isso porque será necessário gerar atratividade para o capital internacional se manter por aqui.”

Para o assessor, o estresse eleitoral deve se acentuar no segundo semestre de 2022. Porém, a precificação dos ativos começará a ser feita à medida que as pesquisas começarem a ser divulgadas, já no início do ano.

“Para 2022 se espera um ano com uma renda fixa mais pujante, pois as pessoas estarão mais comedidas para tomar risco. Por isso, o crescimento da renda variável deve ser mais moderado. Não que a bolsa vá despencar, mas haverá muita volatilidade, e muitos não têm tolerância a frequentes oscilações. Por sua vez, a renda fixa é o dinheiro da garantia”, conclui Elias.

(Por Carla Carvalho e Cláudia Zucare Boscoli)

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