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Investir no Banco do Brasil (BBAS3) em ano eleitoral, vale a pena?

Investir no Banco do Brasil (BBAS3) em ano eleitoral, vale a pena?

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

17 Fev 2022 às 17:59 · Última atualização: 17 Fev 2022 · 6 min leitura

Redação EuQueroInvestir

17 Fev 2022 às 17:59 · 6 min leitura
Última atualização: 17 Fev 2022

Banco do Brasil

Divulgação

No início desta semana, o Banco do Brasil (BBAS3) divulgou o seu balanço financeiro com números que superaram as expectativas do mercado financeiro com resultados bastante sólidos. Entretanto, por se tratar de uma empresa estatal, diversos investidores ainda têm receio de aplicar o seu dinheiro nas ações de uma das principais instituições bancárias do país, principalmente em ano eleitoral.

Será que todo este medo e precaução fazem sentido? Neste artigo, vamos apresentar as principais informações para você, investidor, decidir se vale a pena ou não investir no Banco do Brasil em pleno ano eleitoral.

O desafio das estatais em ano eleitoral

Muitos analistas do mercado financeiro recomendam ter paciência para investir em empresas estatais em anos eleitorais. Geralmente, o cenário político não contribui para o desempenho dessas companhias devido ao risco de irresponsabilidade com os gastos para o governo tentar a reeleição.

Este comportamento provoca um ambiente de incertezas para o mercado financeiro, que entende que alguns gastos são desnecessários e nem poderiam ser feitos. Assim, os papéis das estatais na B3 (B3SA3) costumam apresentar uma tendência maior de volatilidade.

Outro fator que prejudica a imagem das estatais no mercado é a interferência política dos governantes na administração das companhias, como a troca de executivos por fatores exclusivamente políticos, ou atuação para redução de tarifas e preços com viés eleitoreiro.

Pesquisa indica investir em empresas estatais em anos eleitorais

Apesar de todos os itens citados acima, uma pesquisa feita pela Teva Índices, com pedido do jornal Estado de São Paulo, apresenta uma indicação para investir em empresas estatais durante o período eleitoral, uma vez que elas apresentam melhores resultados que o Ibovespa.

De acordo com a Teva, o índice que replica o desempenho das empresas públicas registrou um retorno de 40,7% nas últimas eleições presidenciais, em 2018. Enquanto que o índice que representa o Ibovespa teve “apenas” 18%.

Os pesquisadores da Teva explicam que os investidores enxergam uma maior possibilidade de investimentos públicos nas estatais, principalmente na área de infraestrutura e em novas metodologias de eficiência para melhorar a atuação dessas companhias.

Além disso, se um candidato com viés mais liberal ganhar as eleições, há uma expectativa do mercado de ter privatizações nas empresas. Visto que o mercado compreende que as intervenções governamentais mais atrapalham do que ajudam no desempenho das empresas.

Por outro lado, se um candidato aliado à esquerda vencer, o mercado avalia que as empresas estatais tendem a receber maiores investimentos para a ampliação dessas companhias no setor.

E o Banco do Brasil?

O assessor de mesa de renda variável  da EQI Investimentos, Greco Montagna, explica que o Banco do Brasil já tem essa nuvem política sobre ele, mas que esse risco já está embutido no preços das ações da estatal. Deste modo, o investidor mais experiente já está acostumado com isso.

“[O risco político] já está embutido no preço do banco. Então, até mesmo um eventual governo Lula em 2023, já conta na precificação do ativo”, afirma Montagna.

O Banco do Brasil divulgou o seu balanço financeiro com excelentes resultados. Analistas de diversas corretoras melhoraram as indicações de investimentos na instituição bancária diante dos bons números apresentados no 4º trimestre e em um guidance bastante otimista com base na análise fundamentalista.

O vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores do Banco do Brasil, Ricardo Forni, elogia os resultados apresentados pelo banco com recorde no lucro ajustado, que alcançou o número de R$ 21,4 bilhões, 51,4% a mais do que o registrado em 2020.

“Esse excelente desempenho é fruto de uma geração robusta de negócios, com forte crescimento da carteira de crédito, aumento da margem financeira bruta e das receitas de prestação de serviços, além da redução do PCLD ampliada e do sólido controle de despesas”, afirmou Forni, em um vídeo destinado para investidores do BB.

Montagna reforça que a opção de investir no BB é excelente devido aos seus resultados operacionais e ao ambiente que favorece o banco público.

“O que importa para o setor [bancário] é a inadimplência. O cenário de juros altos é muito bom para os bancos, desde que não ocorra um aumento na inadimplência. O movimento que aconteceu no Bradesco (BBDC4), que apresentou maiores provisões para devedores, não aconteceu no BB. Neste sentido, o resultado [do Banco do Brasil] repercutiu positivamente, com a valorização das ações”, argumenta.

Com isso, o Banco BTG Pactual (BPAC11) preparou um novo relatório reavaliando a sua posição com o Banco do Brasil. A corretora destaca que mesmo com o risco eleitoral, os bons resultados do BB no 4º trimestre não podem ser ignorados e coloca um preço-alvo na ação de R$ 45 para até o final de 2022. A cotação do BBAS3, ticker da estatal, fechou em R$ 35,33, na última quarta-feira (16).

Ações do BB estão muito baratas, diz BTG

Os analistas de research do BTG Pactual argumentam que a ação do BB está muito barata para ser ignorada mesmo em um ano eleitoral. Mesma opinião do assessor da EQI Investimentos. “O BB tem uma relação de peso por lucro de aproximadamentem 4. Então, tá (sic) muito barato. Apesar dos receios, chega uma hora que fica tão barato que é difícil o mercado não se posicionar”, explica Montagna.

O relatório destaca que o ROE, que é o retorno sobre o patrimônio referente ao 4T21, foi melhor do que o esperado, com guidance muito mais forte do que se previa.

“No ponto médio, a orientação indica um lucro líquido ajustado de R$ 24,5 bilhões para o ano de 22, implicando crescimento de cerca de 17% a/a, cerca de 18% acima do consenso. O BB atualmente tem um valor de mercado de R$ 96 bilhões, o que significa que estaria sendo negociado a um preço muito baixo de 3,9x P/L 22 (e um dividend yield de ~10% assumindo um pagamento de 40%) se os R$ 24,5 bilhões fossem entregues”, informou.

O BTG Pactual ainda justifica que a combinação de ganhos aprimorados e seu valuation muito barato fez com que o banco de investimentos reavaliasse a opção de compra do Banco do Brasil.

“Apesar do risco eleitoral inerente devido à sua natureza estatal, acreditamos que as ações agora estão muito baratas para serem ignoradas”, salientam os analistas.

Por fim, o relatório aponta que os fortes números do 2º trimestre de 2021 foi consequência de provisões anormalmente baixas, enquanto um impulso dos ganhos de tesouraria levou à surpresa positiva no 3º trimestre. Com isso, “[…] esperávamos que o quarto trimestre trouxesse um resultado um pouco mais fraco do que nos dois trimestres anteriores. Bem, estávamos errados. O lucro líquido ajustado atingiu R$ 5,9 bilhões (16% ROE), alta de 15% t/t e 60% a/a e cerca de 22% acima de nós e do consenso”, disse o BTG Pactual no relatório de análises.

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