A estilista britânica Stella McCartney anunciou a recompra da participação minoritária da LVMH (LVMH) na sua marca, marcando o início de uma nova fase como empresa totalmente independente.
O comunicado, divulgado pela casa de moda, enfatiza que a decisão reflete o desejo da designer de retomar o controle total do seu negócio, embora mantenha uma boa relação com o conglomerado de luxo liderado por Bernard Arnault. Como parte do acordo, McCartney continuará a colaborar com a LVMH, assumindo o papel de embaixadora global de sustentabilidade.
“Este novo capítulo para Stella McCartney reflete o seu desejo de escrever uma nova página da sua história de forma independente, depois de ter trabalhado em estreita colaboração com o grupo para reforçar os fundamentos e a governação da sua casa”, informou o comunicado.
A relação entre Stella McCartney e os grandes grupos de luxo teve início em 2001, quando a sua marca foi parcialmente adquirida pela Kering (KER), que detinha 50% da empresa. Em 2018, a designer decidiu cortar laços com o grupo e adquiriu a totalidade do negócio, até que, no ano seguinte, aceitou um investimento minoritário da LVMH, tornando-se também conselheira do conglomerado para temas ambientais.
Apesar da colaboração frutífera, a criadora optou agora por seguir um caminho independente. Segundo a marca, essa decisão representa um novo capítulo na sua trajetória, consolidando sua missão de promover a sustentabilidade na moda de luxo.
Pioneira em sustentabilidade e inovação
Desde o lançamento da sua marca, Stella McCartney destacou-se pelo compromisso com a sustentabilidade, rejeitando o uso de couro, peles e outros materiais de origem animal. Durante a sua parceria com a LVMH, a designer aprofundou o desenvolvimento de materiais alternativos, como a inovadora “pele de uva”, criada a partir dos resíduos da vinificação, e a pele de micélio, produzida a partir das raízes dos cogumelos.
Essa dedicação à inovação sustentável fez com que McCartney conquistasse reconhecimento global. Em 2022, foi condecorada pela rainha Isabel II como Comandante da Ordem do Império Britânico e tornou-se uma das principais conselheiras do rei Carlos III em questões ambientais, reforçando seu papel como uma voz influente no debate sobre práticas éticas na indústria da moda.
Desafios e o futuro da marca Stella McCartney
A marca Stella McCartney enfrentou desafios financeiros nos últimos anos, especialmente durante a pandemia, quando reportou perdas de mais de 32 milhões de libras (aproximadamente 38 milhões de euros). A própria criadora admitiu que, naquele período, não recebeu salário, demonstrando o impacto da crise sobre a empresa.
Atualmente, o valor de mercado da marca é estimado em cerca de 300 milhões de euros, mas os números exatos continuam desconhecidos, pois a LVMH não divulga relatórios financeiros individuais para cada uma das suas casas de moda. Com a separação, espera-se que a estilista redefina suas estratégias de crescimento e reforce ainda mais sua posição no mercado como um dos poucos nomes independentes no setor de luxo.
A decisão de McCartney ocorre em um momento de movimentações no grupo LVMH, que recentemente vendeu a marca Off-White, fundada por Virgil Abloh (1980-2021), ao grupo norte-americano Bluestar Alliance. Enquanto isso, o conglomerado francês reforçou a sua presença na Moncler, aumentando a participação na empresa para 22%.
Num cenário dominado pelos grandes conglomerados de luxo, a escolha de Stella McCartney de operar de forma independente destaca-se como um movimento raro, colocando-a ao lado de nomes como Prada, Max Mara e Giorgio Armani, que continuam a resistir à absorção por gigantes do setor.
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