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Dados de emprego vêm positivos, mas inflação, Selic e retirada de auxílio são desafios

Dados de emprego vêm positivos, mas inflação, Selic e retirada de auxílio são desafios

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

02 Out 2021 às 08:00 · Última atualização: 02 Out 2021 · 4 min leitura

Redação EuQueroInvestir

02 Out 2021 às 08:00 · 4 min leitura
Última atualização: 02 Out 2021

Pnad, Caged, emprego

Os dados de emprego surpreenderam na última semana, com Pnad e Caged apontando, ambos, para o crescimento das vagas de trabalho com carteira assinada.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado no dia 29 pelo Ministério do Trabalho, veio com uma geração líquida de novas vagas de emprego de 372.265 vagas em agosto, número superior às estimativas de 300 mil vagas.

No ano de 2021, até aqui, foram 2,2 milhões de postos de trabalho.

Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada no dia 30, pelo IBGE, apontou recuo na taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho, de 14,1% para 13,7%, melhor do que a projeção de 13,9%.

São ainda 14,1 milhões de pessoas em busca de um trabalho. Mas esta é a primeira vez, desde o trimestre encerrado em abril de 2020, que o nível de ocupação fica acima de 50% (50,2%).

Resumo dos indicadores

  • PNAD: taxa de desemprego em 13,7%, ante expectativa de 13,9% e leitura anterior de 14,1%.
  • Caged: criação de 372.265 vagas, ante projeção de 300 mil e leitura anterior de 303.276.

Caged: criação de vagas, comparativo mês/mês

Caged

Reprodução/Caged

Pnad: pessoas de 14 anos ou mais, desocupadas na semana de referência

Pnad

Criação de vagas foi suficiente para evitar aceleração da taxa de desemprego

Mas o que estes números querem dizer? Querem dizer que, em julho e agosto, mesmo com o afrouxamento das medidas de restrição social devido à Covid, e consequentemente com mais gente saindo às ruas em busca de emprego, a criação de vagas foi suficiente para evitar uma aceleração da taxa de desemprego. Logo, a geração de empregos ficou melhor do que o previsto, indicando, de fato, uma retomada do mercado.

“Deu uma melhorada. É uma coisa que a gente já estava vendo no início do segundo trimestre. O desemprego está caindo porque a ocupação está crescendo. A ocupação está voltando e a gente está conseguindo uma redução do desemprego em um ambiente de aumento de população economicamente ativa. Todas aquelas pessoas que saíram do mercado de trabalho por conta da pandemia estão voltando a procurar emprego. Mesmo com essa população voltando, ainda assim a gente está conseguindo reduzir o desemprego porque a ocupação está subindo”, disse a pesquisadora do Grupo de Conjuntura do Ipea, Maria Andréia Lameiras.

Relevância do setor de serviços para o emprego

Para ela, o que vai puxar a economia nos próximos meses são os serviços e eles são intensivos em mão de obra informal.

“A gente vai continuar vendo a melhora da ocupação, mas ainda muito em cima da informalidade. Ainda que os dados do Caged, de fato, tenham mostrado um cenário melhor para o emprego formal, eles mostram, por exemplo, que a gente já superou o contingente de trabalhadores do mercado formal do início da pandemia, mas a Pnad ainda não. Pela Pnad, a gente ainda vai ver o mercado de trabalho puxado pela ocupação informal, com uma taxa de desemprego desacelerando lentamente”, afirma.

O BTG Pactual (BPAC11) Digital é outro a chamar atenção para o impacto do setor de serviços na retomada. “Seguimos com perspectivas positivas, considerando o espaço para retomada da trajetória pré-pandemia do segmento de serviços. Além disso, a necessidade de recomposição de estoques na indústria de transformação pode ser um catalisador para a continuidade de dados positivos no grupo”, afirma o banco.

Pontos de atenção

As duas divulgações quanto ao mercado de trabalho foram muito bem recebidas pelo mercado, entretanto, o futuro é incerto por dois pontos: a escalada da inflação, e a alta da Selic para controlá-la.

A Selic, taxa básica de juros que serve de parâmetro para todo empréstimo no país, está diretamente ligada aos investimentos das empresas e, consequentemente, à geração de postos de trabalho. A expectativa é que ela ultrapasse os 8% até o final do ano, com algumas casas prevendo mais, até 8,75%.

E a Selic é usada, justamente, como ferramenta pelo Banco Central, para controlar a inflação, que já bate nos dois dígitos.

O peso do Auxílio Emergencial

Outra questão é que se o Auxílio Emergencial, com previsão de terminar em outubro, não for prorrogado, a falta dessa renda forçará muita gente a voltar a buscar emprego, o que deve pressionar os indicadores.

Mas vale lembrar que discute-se também, além da prorrogação do Auxílio Emergencial o Auxílio Brasil, que substituirá o Bolsa Família, com aumento de pelo menos 50%, como vem defendendo o governo.

A pressão sobre os indicadores de emprego só não acontecerá se a criação de vagas for superior ao número de pessoas que vão tentar voltar ao mercado de trabalho com o fim do benefício.

“O ritmo de criação de emprego tem que ser muito maior, porque tem que gerar vaga para tirar quem hoje já está desocupado e para também abarcar essas pessoas que estão saindo da inatividade e chegando no mercado de trabalho na condição de desempregado”, disse Maria Andréia Lameiras.

A retomada das Criptos?
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