As condições para a retomada econômica no Brasil pós-Covid são melhores do que nas crises de 2009 e de 2014/2016.
É o que garante o Boletim Macrofiscal do Banco Central, divulgado recentemente. Segundo o BC, a recuperação tende a ser mais rápida, ainda que se verifique o agravamento da pandemia de coronavírus neste ano.
Apesar do otimismo, o Boletim destaca que a plena recuperação dependerá da vacinação em massa da população.
“A disseminação do processo de vacinação tem efeitos positivos para a projeção do crescimento da economia dos países, inclusive para o Brasil”, destaco o relatório.
Retomada econômica pós-crise
As estatísticas mostram que em geral, após recessões, a economia não retoma a sua tendência de crescimento anterior à crise.
Com isso, a queda no Produto Interno Bruto (PIB) e no nível de emprego normalmente não se revertem à linha de tendência pré-recessão.
Apesar disso, o relatório do Bacen apontou que o desempenho do PIB no 1TRI21 mostrou que a economia brasileira se recupera da atual crise a taxas mais altas que nas retomadas após recessões anteriores.
“A recuperação econômica atual tem se destacado com a atividade corrente aproximando-se da tendência do PIB anterior à recessão, algo que é raro na história recente brasileira”, destacou o relatório.
Assim sendo, ao analisar a recuperação econômica atual verifica-se uma rápida retomada em “V”, conforme revelado no gráfico seguinte:

Neste caso, em março de 2021, o produto ficou 2% abaixo da tendência linear anterior à crise. Isso prova que a retomada vem ocorrendo a taxas bem mais significativas do que nas crises passadas.
A crise econômica de 2014-16, por exemplo, foi uma das mais severas da história econômica do país, causando forte impacto na queda do produto e grave aumento do desemprego.
Os efeitos atingiram tal magnitude que, mesmo após três anos de recuperação, a economia ainda estava 19% abaixo do nível da tendência anterior do PIB, como pode ser visto no gráfico seguinte:

Já a retomada pós crise de 2009 apresentou um desempenho um pouco melhor que a recessão de 2014/2016, mas ainda com performance abaixo da atual retomada.
Para se ter uma ideia, no final de 2012, o produto estava 8% abaixo da tendência dada pelo crescimento anterior à recessão de 2008/2009.
Determinantes para a retomada econômica
Entre os determinantes para a forte retomada econômica, cabe destaque especial para o investimento. Na recuperação da economia após a crise de 2008/2009, os investimentos eram em sua maioria direcionados e financiados pelo governo.
Já na atual retomada, o investimento é financiado sobretudo pelo setor privado. Ou seja, o investimento passou a ser direcionado para onde ele é mais eficiente e não para onde o Estado determina.
Como resultado, com o investimento sendo mais produtivo que no passado, não só está ocorrendo uma retomada econômica mais rápida, como também de maior qualidade.
Isso permite colher resultados mais sustentável no longo prazo, com impactos relevantes sobre bem-estar dos brasileiros.
Vale destacar também que, com resultados positivos de diversos indicadores, as projeções para o crescimento do PIB em 2021 têm sido revisadas para cima pelo consenso de mercado.
Dessa forma, o crescimento deste ano foi revisado de 3,5%, do Boletim Macrofiscal de maio, para 5,3%.

Outros fatores que têm contribuído para um ambiente mais favorável para o crescimento econômico são a elevada liquidez internacional e aumento do preço das commodities.
No âmbito interno, o destaque fica para a taxa de poupança mais elevada e o forte crescimento do crédito com financiamento do setor privado. Esses fatores foram fortalecidos sobretudo por ações como o auxílio emergencial, o programa de redução de jornada e as medidas de estímulo ao crédito.
De acordo com a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia, para que a recuperação em 2021 seja mais rápida do que em crises econômicas anteriores, é importante focar nas seguintes medidas: imunização em massa, consolidação fiscal e reformas pró-mercado.
Segundo a SPE, a vacinação ajudará o retorno mais rápido ao mercado de trabalho, enquanto a consolidação fiscal reduzirá a desconfiança sobre o país e controlará a inflação. Ao mesmo tempo, as reformas impulsionarão o crescimento de longo prazo da economia brasileira.
Saiba mais sobre as crises econômicas anteriores
Crise de 2009
O colapso do subprime foi o aumento acentuado das hipotecas de alto risco que entraram em inadimplência a partir de 2007, contribuindo para a recessão mais severa em décadas.
O boom imobiliário de meados dos anos 2000 — combinado com taxas de juros baixas na época — levou muitos credores a oferecer empréstimos imobiliários a pessoas com crédito ruim.
Esses devedores não eram aprovados em empréstimos tradicionais e por isso precisavam recorrer a empréstimos especiais chamados de subprime.
Esse tipo de empréstimo costumava ser feito a mutuários com pontuações de crédito ruins. Em geral, bem mais baixas do que o normalmente exigido para empréstimos tradicionais.
Quando a bolha imobiliária estourou, muitos mutuários não puderam fazer pagamentos de suas hipotecas. E isto desencadeou uma quebra generalizada de instituições financeiras e deu início a uma grave crise financeira global.
Para se ter uma ideia, no quarto trimestre de 2008, a economia brasileira registrou queda de 3,6% no PIB, seguida no trimestre seguinte por um recuo de 0,8%.
Já no final de 2009, o país registrou recessão de 0,2%.
Crise 2014/2016
Após um período de forte crescimento em 2010, a economia brasileira sofreu uma brusca virada ao mergulhar no que seria uma das mais profundas recessões da história.
A grande crise, que teve início em meados de 2014, levou a um recuo no PIB pelos dois anos seguintes.
Desse modo, em 2015 o Brasil registrou uma retração no PIB de 3,5% seguido por uma queda de 3,3% um ano depois.
Entre as causas apontadas estavam a crise política e o fim do ciclo de alta dos preços das commodities no mercado externo.
Além disso, o conjunto de medidas econômicas adotadas a partir de 2011 não obteve os resultados esperados. Essas medidas incluíam forte intervenção do governo na economia, redução da taxa de juros, elevação de gastos públicos, entre outros.
Esses eventos culminaram na crise que se seguiu, elevando o risco-país e a incerteza e provocando uma forte redução no consumo e no investimento em 2015 e 2016.







