Em relatório divulgado nesta segunda (8), os analistas do BTG elevaram o preço-alvo de Ambev (ABEV3) para R$ 15, mantendo posição neutra em meio a um cenário de contração das margens e nos lucros da cervejaria, em 2021
As 11h30, a Ambev (ABEV3) recuava 2,51%, a R$ 15,13, a maior queda do Ibovespa
Para os analistas, a recuperação de volume ao longo do ano foi claramente a maior e mais impressionante conquista da Ambev.
Boa parte desse volume foi liderada pela ajuda financeira do governo, bem como pelo aumento do consumo interno.
Apesar disso, não está claro para o BTG o quanto a recuperação de ações a Ambev pode se sustentar de forma eficaz à medida que as coisas voltam à normalidade.
“Com um volume estimado de cerveja no Brasil de 85,3 milhões de HL em 2020 (de 80,2 milhões em 2019), nossa percepção é que há cerca de 3 milhões de HL de demanda que não existirão mais em 2021”.
Logo, com um consumo mais fraco, juntamente com aumento da inflação de alimentos (que historicamente tem afetado a cerveja), os volumes provavelmente cairão.
Preços e margens sob pressão
Embora a execução comercial da Ambev geralmente se destaque em tempos de crise, o BTG acredita que o volume aumentou devido à nova abordagem de precificação da Ambev.
“O fato de ter aumentado os preços DEPOIS da concorrência é, para nós, um exemplo disso. E a nossa sensação é que os preços não aumentaram em todos os canais, reforçando uma postura bastante promocional.”
Com isso, é possível observar que a Ambev está disposta a continuar sacrificando o poder de precificação para preservar a participação no volume e o espaço nas prateleiras.
“Com os custos disparando (estimamos uma inflação de custo unitário de 18% no Brasil para a Ambev em 2021), as margens provavelmente continuarão caindo.”
Os analistas acreditam que, no futuro, a capacidade da Ambev de retomar seu poder de precificação dependerá de quão bem-sucedida ela enfrentará o valor da marca de suas principais marcas, aumentará o portfólio e obterá maior margem de varejo por meio de iniciativas digitais (principalmente B2C).
“Continuamos a acreditar que é um processo longo e demorado, apesar de alguns sinais iniciais positivos provenientes de iniciativas como Zé Delivery e BEES, e inovações como Brahma Duplo Malte”, disse o BTG.






