Donald Trump reacendeu a tensão com o Federal Reserve (Fed) ao criticar duramente seu presidente, Jerome Powell, pela decisão do banco central dos EUA de manter a taxa básica de juros entre 4,25% e 4,5%.
De acordo com o Trump, em evento nesta quinta-feira (12) na Casa Branca, reduzir as taxas em 2 pontos percentuais traria economias para os EUA, “mas não conseguimos que esse cara faça isso”.
“Vamos gastar US$ 600 bilhões por ano, US$ 600 bilhões por causa ‘desse cara’ que fica aqui e diz ‘Não vejo razão suficiente para cortar as taxas agora’”, disse o presidente americano.
Segundo Trump, ele não veria problema no aumento das taxas, caso a inflação estivesse subindo. “Mas está em baixa e talvez eu tenha que forçar alguma coisa”, afirmou.
As críticas ocorreram logo após o Departamento do Trabalho informar que os preços ao produtor dos EUA aumentaram menos em maio do que alguns economistas esperavam. A visão dos analistas acalmaram alguns temores sobre um possível pico de inflação devido às tarifas.
Mais críticas à Powell
Na noite de quarta-feira (11), o secretário do Comércio, Howard Lutnick, também criticou a atuação do presidente do Fed: “É inacreditável o quanto economizaríamos se Powell fizesse seu trabalho e cortasse as taxas de juros”.
Lutnick reforçou a crítica em entrevista à Fox News: “A economia está pronta para isso. É fácil. A inflação está baixa. Vamos lá. Ele tem que fazer o seu trabalho logo.”
O vice-presidente JD Vance também atacou a postura do banco central. Em uma publicação nas redes sociais, escreveu: “a recusa do Fed em cortar as taxas é uma negligência monetária”.
Visão do mercado
Os mercados ignoraram os comentários de Donald Trump, que vem tentando emplacar o apelido “Tarde Demais” para Powell como parte de sua campanha para pressionar o Fed.
Os analistas não esperam em um corte de juros na reunião do Fed marcada para a próxima semana e veem poucas chances de algo mudar em julho.
Segundo dados do CME Group, as probabilidades de um corte apenas em setembro estavam em cerca de 76% nesta quinta-feira, contra 69% no dia anterior.
Em abril, investidores se alarmaram quando Trump sugeriu que poderia demitir Powell antes do fim de seu mandato, em 2026. Depois da reação negativa do mercado, o presidente recuou e não voltou a fazer ameaças diretas.
Nesta quinta-feira, Trump reiterou que “não vai demitir” Powell, mas completou: “Não sei por que isso seria tão ruim”.
Powell, por sua vez, afirma que a legislação impede o presidente de demiti-lo, e a Suprema Corte indicou em maio que os diretores do Fed têm mais proteção contra demissões do que outros chefes de agências federais.
Juros mantidos, pressão política em alta
A decisão do Fed de manter os juros inalterados, anunciada no dia 7 de maio, contraria o desejo de Trump por cortes nas taxas.
Contudo, o Federal Reserve justificou a manutenção com base em um cenário econômico ainda incerto, mencionando riscos de aumento no desemprego e na inflação. A posição do banco central é de cautela até que os dados indiquem uma direção mais clara para a economia.






