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Guerra no Irã pode levar o petróleo a US$ 100; entenda

Guerra no Irã pode levar o petróleo a US$ 100; entenda

Segundo a consultora, estão em jogo 15 milhões de barris por dia de exportações de petróleo bruto e derivados do Golfo Pérsico

A guerra no Irã pode ter implicações diretas sobre o preço do petróleo no mercado mundial, bem como do gás natural liquefeito (GNL), podendo fazer com que o barril dessa commodity atinja um patamar superior até acima dos US$ 100. É o que diz relatório da consultoria internacional WoodMackenzie. No mercado internacional, o barril Brent já possui uma elevação de aproximadamente 8%, a US$ 78,47.

Segundo a consultora, estão em jogo 15 milhões de barris por dia de exportações de petróleo bruto e derivados do Golfo Pérsico. E a incapacidade de restabelecer rapidamente o fluxo pelo Estreito de Ormuz pode fazer com que os preços subam. O Estreito é a artéria por onde flui cerca de 15% do suprimento global de petróleo, principalmente petróleo bruto e condensado, mas também matérias-primas petroquímicas, querosene de aviação e diesel/gasóleo.

“A perda dessas exportações para o mercado global de petróleo será significativa; a questão crucial é quanto tempo levará para que os navios possam restabelecer os fluxos de exportação”, diz trecho do relatório.

Os produtores do Oriente Médio dispõem de rotas de escoamento alternativas que poderiam mitigar parcialmente um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz. A Arábia Saudita, por exemplo, poderia aumentar as exportações através de seu gasoduto Leste-Oeste para o Mar Vermelho, que possui capacidade ociosa de 1 a 2 milhões de barris por dia. Volumes adicionais podem ser fornecidos ao Mediterrâneo a partir do Iraque.

Segundo a WoodMackenzie, preços mais altos incentivarão os produtores em outros locais a maximizar a produção, dispensando a manutenção, exigindo mais dos ativos e acelerando as atividades. Mas não é uma torneira que pode ser simplesmente aberta a qualquer momento, exigindo uma operação mais complexa.

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Opep+

Países membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo e aliados (Opep+) se reuniram neste domingo (1), para uma reunião que já havia sido previamente agendada. Nesse encontro, o grupo formado por Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã concordou em retomar a reversão do corte de 1,65 milhão de barris por dia (b/d) iniciado em abril de 2023. A intenção é aumentar a produção em 206.000 b/d em abril deste ano.

“No entanto, o plano pode se tornar inviável caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado, visto que grande parte da capacidade ociosa restante da OPEP está localizada na Arábia Saudita, no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos, e também está atualmente inacessível”, diz trecho do relatório.

Além disso, um choque no preço do petróleo poderia afetar o setor petroquímico, enfraquecendo o valor de matérias-primas como a nafta. O transporte marítimo evitaria o Mar Vermelho, desviando-se ao redor do Cabo da Boa Esperança, ao longo da costa da África do Sul, aumentando a demanda por combustível marítimo.