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Argentinos buscam Nikes e Big Macs no exterior; entenda o motivo

Argentinos buscam Nikes e Big Macs no exterior; entenda o motivo

Com a valorização da moeda local, muitos argentinos aproveitaram os preços mais baixos no exterior para fazer compras; saiba os detalhes.

Com a valorização do peso argentino na segunda metade do ano passado, muitos argentinos aproveitaram os preços mais baixos no exterior, como no Chile e no Brasil, para fazer compras, buscando desde roupas e eletrônicos até caipirinhas.

De acordo com a economista Marina Dal Poggetto, da consultoria EcoGo, com sede em Buenos Aires, em entrevista à Reuters, “A Argentina ficou cara”. Isso ocorreu porque, embora a taxa oficial do câmbio tenha caído, o ritmo dessa desvalorização foi muito mais lento do que a inflação de três dígitos, o que resultou no aumento dos preços dos produtos. Como consequência, muitos argentinos passaram a buscar mercadorias fora do país.

A economista estima que, em termos reais, o peso está três vezes mais forte agora do que em meados de 2023, quando o país era o destino mais acessível da região. Ao mesmo tempo, o real brasileiro caiu para o valor mais baixo já registrado. “Este ano, os argentinos vão passar as férias no Brasil”, afirmou Dal Poggetto.

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Mudança no cenário dos argentinos

A argentina Fernanda Montaño, que estava de férias, afirmou em uma reportagem da Reuters que a viagem ao Rio de Janeiro se tornou mais acessível graças à taxa de câmbio favorável.

“Foi muito mais barato para nós passar férias aqui do que na Argentina”, disse ela, acrescentando que o único arrependimento foi não ter levado uma mala maior para conseguir comprar mais produtos para levar de volta para casa.

Essa mudança significativa ocorreu desde que o presidente libertário da Argentina, Javier Milei, assumiu o cargo no final de 2023, implementando rigorosas medidas de austeridade e a iniciativa de corte de custos “déficit zero”, que contribuíram para a valorização do peso.

Essas reformas estabilizaram as finanças públicas do país, que é um grande produtor de grãos e está se recuperando de uma recessão dolorosa. A inflação começa a apresentar sinais de desaceleração.

Nike e McDonald´s

Os preços de diversos produtos na Argentina têm sido distorcidos por muito tempo devido aos controles cambiais e elevados impostos, mas agora quase tudo está mais caro.

Um exemplo disso é o preço do Big Mac do McDonald’s — frequentemente usado como um índice informal dos preços locais — que na Argentina pode chegar a 7.600 pesos (7,37 dólares pela taxa de câmbio oficial), enquanto no Brasil custa cerca de 4,49 dólares, no México 5,56 dólares, e no Brooklyn, em Nova York, 6,89 dólares. Vale notar que os preços variam entre os diferentes pontos de venda, mesmo dentro da mesma cidade.

No Chile, durante o período de Natal, muitos argentinos lotaram as lojas em busca de jeans Levi’s e tênis Nike, afirmando que poderiam economizar centenas de dólares.

“Acabei de comprar um par de botas para um dos meus filhos aqui na Nike e paguei cerca de 25 dólares. No meu país, o mesmo calçado custa de 100 a 150 dólares”, disse a argentina Melanie Galarza em um shopping de Santiago.

Desafio para a Argentina

No ano passado, o peso oficial da Argentina perdeu cerca de 22% de seu valor, enquanto a inflação foi estimada em aproximadamente 118%. Isso resultou em um aumento significativo no custo de itens como refeições em restaurantes, compras em lojas e combustíveis, especialmente quando comparado aos preços em dólares de apenas alguns anos atrás.

Essa situação pode representar um desafio para o governo, que busca proteger as reservas do país, que estão em níveis baixos. Em outubro, o déficit no setor de serviços da Argentina aumentou, impulsionado pelas despesas dos argentinos com passagens aéreas e compras no exterior. A desvalorização do peso também exerce uma pressão adicional sobre a economia.

Apesar disso, o governo de Javier Milei defende a ideia de que, com uma maior abertura de mercados, os preços internos tendem a diminuir com o tempo. Milei, defensor dos mercados livres, acredita que essa abordagem, embora gere custos no curto prazo, é essencial para o futuro econômico da Argentina. Suas políticas têm recebido apoio considerável de uma população já exausta por anos de instabilidade econômica.

Enquanto isso, uma autoridade do banco central, que preferiu não ser identificada, afirmou que o governo está tranquilo quanto à situação. De acordo com a fonte, os gastos dos argentinos no exterior estavam dentro das previsões e boa parte desses gastos foi realizada com fundos privados, adquiridos por meio de mercados paralelos de câmbio, o que significa que não afetaram diretamente as reservas do país.

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