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CRA, o que é esse tipo de investimento? | EuQueroInvestir

CRA, o que é esse tipo de investimento? | EuQueroInvestir

Matheus Gagliano

Matheus Gagliano

17 Mai 2022 às 15:43 · Última atualização: 20 Mai 2022 · 14 min leitura

Matheus Gagliano

17 Mai 2022 às 15:43 · 14 min leitura
Última atualização: 20 Mai 2022

CRA

Pixabay

CRI, CRA…. Você já deve ter ouvido falar dessas letras que compõem um tipo de investimentos. Traduzindo, elas são Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) ou do Agronegócio (CRA). Estes títulos servem para ajudar a impulsionar projetos específicos dessas duas áreas.

Neste artigo, entretanto, vamos tratar somente do CRA, que é voltado para o custeio de novos projetos do agronegócio. A princípio, os investidores podem ficar um pouco confusos quando se deparam com estes investimentos. Não são de difícil entendimento, mas como tudo no mundo dos investimentos, é preciso se cercar dos melhores conhecimentos para poder fazer um aporte seguro e sempre de acordo com os objetivos do investidor.

Primeiro, é preciso entender qual é o papel do CRA. Ele tem como objetivo custear projetos do agronegócio nacional. Ele é válido em todo o território nacional e, por sua importância para projetos desse segmento econômico – um dos mais importantes da economia nacional – passou a ser permitida sua emissão fora do país, graças à aprovação da Lei 13.986.

Trata-se de um título do mercado de renda fixa e de crédito privado. Diferente das letras de crédito, como LCI e LCA, não são emitidos por instituições financeiras como bancos, mas sim por securitizadoras. O que torna o CRA atrativo é que ele é atrelado à esse setor econômico no qual o Brasil é considerado um dos líderes mundiais.

O que é um CRA?

Trocando em miúdos, investir em um título CRA, significa que o investidor está entrando com dinheiro para ajudar a bancar um projeto para empresas do setor do agronegócio nacional. Seja aquisição de novos equipamentos, compra de ativos, novas fazendas, expansão de negócios, etc. Sua finalidade serve a uma infinidade de objetivos preponderantes ao setor agrícola.

Captando recursos por meio da emissão desse tipo de título de crédito privado, as empresas do setor conseguem ampliar a produção e lucratividade em seus negócios. Portanto, não é exagero dizer que, ao investir em um título CRA, o investidor está ajudando a impulsionar os negócios de determinadas empresas do setor.

Dessa forma, todo recurso captado por meio da emissão dos títulos precisa ser obrigatoriamente ser revertido para atividades ligadas ao setor e em projetos aos quais devem ser destinados.

Quando rende?

O rendimento do CRA é muito semelhante ao rendimento do CRI – o certificado de recebíveis do mercado imobiliário. Veja a seguir:

– Prefixada: 12% ao ano por exemplo;

– Pós-fixada: 110% do CDI por exemplo;

– Pós-fixada + taxa fixa: CDI+1,2 ou CDI – 0,8 por exemplo;

– Inflação + taxa fixa: IPCA+8% ou IGPM+7% por exemplo.

Podemos ver, que há uma variação de como o dinheiro irá render nos títulos, porque existem modalidades pré e pós-fixadas e aqueles que são atreladas à inflção, seja o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou ao Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M).

Pré-fixada

Como o nome já diz, aqui o investidor já saberá de antemão, desde a compra do título, quanto receberá adiante na data do vencimento. Pois o rendimento já estará fixado no ato da compra.

Pós-fixada

Este é um pouco diverso do que a modalidade anterior. Isso porque, para ter uma previsão de quanto irá receber de rendimento, o investidor precisa atrelar a rentabilidade a algum índice, como o IPCA ou a taxa de Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Há ainda títulos que possuem vinculação ao dólar.

Assim, o dinheiro rende no mesmo ritmo ao qual o título está atrelado. Por exemplo: se tiver indexado à inflação, seu rendimento seguirá a movimentação do título inflacionário. O que pode ser interessante para quem possui o objetivo de possuir rendimentos que sejam capazes de ganhar da inflação. Pegando o caso do IPCA – que é o índice oficial do governo – o pós-fixado IPCA tem seu rendimento variando de acordo com a flutuação do IPCA.

É importante salientar, que os títulos pós-fixados à inflação, o IPCA é considerado o mais comum. O IGP-M até existe, mas não é tão usado quanto o primeiro, até porque este tem variado de forma considerável nos meses que se passaram. O que faz com que o investidor busque formas de superá-lo.

Como funciona o investimento no CRA?

Como exposto anteriormente, o CRA é um título emitido por uma empresa que atua no ramo do agronegócio. Daí as empresas precisam angariar recursos de alguma forma para fazer frente às suas necessidades estratégicas. Seja usando recursos próprios (dinheiro em caixa) ou utilizando algum mecanismo de financiamento existente no mercado e aí é que entra o CRA em campo.

Diante da necessidade, a empresa interessada no levantamento de recursos faz a emissão do título antecipando um fluxo financeiro que só aconteceria no futuro. É uma operação análoga àquela que o varejista faz quando antecipa os valores a receber das vendas feitas no cartão de crédito.

Porém, não é possível fazer todo esse procedimento diretamente com os investidores no mercado financeiro. Portanto, é preciso que haja a intermediação de pelo menos dois entes do Sistema Financeiro Nacional.

O primeiro deles é uma securitizadora – que não é o mesmo que uma seguradora. Este elo da cadeia é responsável por “empacotar” os recebíveis futuros em um título que possa ser negociado no mercado, surgindo um CRA.

Mas a securitizadora, apesar de concebê-lo, não pode, ela própria, comercializar esses títulos. Nesse momento, entra em cena o segundo participante da operação, que são os distribuidores de títulos. Incluem-se aí os bancos e as corretoras de valores. São eles que fazem a ponte da distribuição do título com os investidores.

Daí, o interessado em adquirir esse CRA, pode buscar a instituição financeira e verificar o produto. No ato da compra, já vem discriminado seu prazo de vencimento e sua rentabilidade, se é pré ou pós-fixado e qual indexador que está ligado a ele.

É importante lembrar que, apesar de participar do processo de formatação do título, a securitizadora não é parte devedora da operação. O risco de crédito é todo do emissor.

A vantagem disso é que no caso da securitizadora deixar de existir durante o tempo de vigência do CRA não haverá prejuízos no recebimento deste, uma vez que o emissor é a empresa que está buscando recursos para a expansão dos seus negócios.

Quais são os cuidados necessários ao investir em CRA?

Apesar de ser um título de renda fixa, com riscos bem menores do que os investimentos em renda variável, por exemplo, existem pontos que precisam ser analisados com cuidado, antes do investidor aportar recursos em um CRA.

Investimento mínimo

Há um investimento mínimo exigido para investir nos títulos. Geralmente, dependendo da emissora, o aporte exigido é de pelo menos R$ 1 mil. Porém, a faixa de aplicação é extensa, passando pelos R$ 5 mil e muitas vezes chega a R$ 10 mil.

Quando se inclui investidores qualificados – aqueles que possuem mais de R$ 1 milhão para investir – os valores podem ser ainda mais elevados.

Daí é necessário considerar que, diante desses requisitos, para muitos interessados em investir em CRA o aporte inicial pode representar uma barreira de entrada, sobretudo para aqueles com recursos de menor volume.

Prazo

Quando se busca por um CRA no mercado, é preciso ter em mente que, assim como boa parte dos títulos de renda fixa, é necessário levar em conta que este é um investimento de longo prazo. Geralmente, não se encontram títulos com o prazo de vencimento abaixo de quatro anos. Muitos deles duram dez anos e há aqueles cujo prazo de vencimento pode até mesmo chegar a 15 anos. Portanto, prepare-se para traçar uma estratégia e um objetivo que contemple o cenário de longo prazo, se desejar investir em um CRA.

Se surgir a necessidade de fazer um resgate antecipado, podem surgir contratempos como obter uma rentabilidade menor do que aquela que foi contratada inicialmente, ocasionando a perda de dinheiro e não o rendimento desejado.

Liquidez

Como consequência do longo prazo de vencimento de um CRA, na maioria das vezes, a liquidez também é afetada.

Supondo o cenário no qual seja necessário resgatar o valor investido antes do vencimento do papel, pode ocorrer o problema de não encontrar um comprador interessado. Ou seja, pode haver falta de liquidez.

Outro ponto relevante é que, no caso de haver interessados no CRA, o preço acordado entre as partes obedecerá o que for conveniente aos dois. Assim, o vendedor estará sujeito ao processo conhecido como “marcação a mercado”.

Normalmente os valores obtidos por meio de uma venda dessas não são considerados satisfatórios, pois o possuidor original do CRA estará sujeito às condições momentâneas de mercado.

Além disso, vale ressaltar que a operação deverá ser intermediada por um assessor de investimentos, que poderá cobrar uma comissão em cima da operação.

Garantia

Outro ponto importante a considerar antes de investir em um CRA são as garantias envolvidas. Como se trata de uma emissão executada por por empresas privadas, não há suporte do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que é considerado um ponto fraco nesse tipo de título.

O que isso significa? No caso da quebra de uma empresa emissora, o investidor fica sem a proteção dada pelo FGC. Mas isso não significa que não seja um bom papel, pois o lastro de suas operações são os negócios voltados ao campo.

E se considerar que o Brasil é um dos principais atores mundiais no agronegócio, os papéis contam quase sempre com um ambiente favorável de negociações. Ou seja: apesar de não possuir a garantia dada pelo FGC, o investidor tem a certeza de estar investindo seu dinheiro em um dos setores mais desenvolvidos e mais lucrativos da economia nacional.

Vale a pena investir em um CRA?

A resposta é: depende. Isso porque vai depender dos objetivos de cada investidor, afinal qualquer investimento precisa de um norte, de um caminho a seguir para chegar a um determinado ponto desejado pelo investidor. Pode ser a formação de um fundo emergencial, angariar recursos para a compra de algum novo carro ou imóvel, aquisição de outros equipamentos, abrir um negócio, etc. No fim, tudo vai depender do objetivo traçado.

E se considerar que o CRA é um título que possui um longo prazo, esse é outro fator a ser considerado. Mas é importante saber que, dependendo do objetivo, o investimento em um CRA pode ser considerado vantajoso.

Como os títulos são emitidos por companhias privadas, a rentabilidade dos papéis costumam ser bem atrativas considerando o mercado de renda fixa como um todo.

Além disso, há o atrativo de que são investimentos isentos de pagamento de imposto de renda. O que acaba gerando interesse em garantir uma rentabilidade em um CRA.

É importante lembrar que existem até mesmo aqueles títulos que pagam amortizações periódicas. Daí o investidor pode aproveitar essas amortizações e para reinvestir o lucro, aumentando ainda mais a rentabilidade da aplicação.

Outra forma interessante de investir em um CRA é por meio de fundos de investimentos. A liquidez aumenta ao passo que o investidor não detém o título em si, podendo vender suas cotas a qualquer momento e sair da operação.

Portanto, os CRAs podem ser uma ótima alternativa de investimento do mercado de renda fixa. São títulos emitidos por empresas privadas atuantes no agronegócio e, por isso, podem prover uma rentabilidade superior. Mas é necessário o cuidado de observar antes alguns pontos importantes para que não seja necessário resgatar o papel antes do vencimento.

É seguro investir em CRA?

Assim como todo investimento, este possui seus riscos, embora menores do que os investimentos considerados mais agressivos. Para saber se o investidor está disposto a aportar recursos em um CRA, é interessante preencher o perfil do investidor e saber se ele é realmente indicado. Uma dica é buscar informações sobre empresas emissoras em agências de rating e saber como é o histórico da emissora e como está a imagem dela no mercado hoje.

Além disso, é interessante observar alguns pontos, que podem servir de informações necessárias na tomada de decisão, tais como:

– Identificação do devedor;

– Valor nominal de cada crédito que lastreie a emissão;

– Indicação das garantias dos títulos, quando houver e;

– Identificação dos títulos emitidos.

Geralmente é instituído um regime fiduciário que garante a separação do risco do emissor, ou seja, se a securitizadora vier a quebrar, o fluxo de pagamentos para os investidores se mantém pois os recebíveis ficam separados do patrimônio da securitizadora.

Qual a diferença entre LCA e CRA?

Como dissemos anteriormente, o CRA possui algumas diferenças com relação às LCAs – as Letras de Crédito do Agronegócio. A principal delas é que as letras de crédito, por terem instituições financeiras por trás, possuem a cobertura dada pela FGC. Isso significa que, investimentos de até R$ 250 mil, estarão seguros no caso de uma eventual quebra financeira da instituição envolvida na emissão do papel.

Mas além disso, geralmente tanto o CRA quanto o CRIA são indicados para investidores que tenham uma carteira com um aporte maior e que já esgotaram o FGC em bancos que tenham boas taxas ainda disponíveis, ou também para quem procura diversificação em sua carteira.

Outro ponto que traz diferenças é que os investimentos em CRI e CRA tendem a ter uma rentabilidade mais alta que as letras de crédito, por conta do maior risco envolvido. Os certificados de recebíveis são até mesmo mais rentáveis do que os títulos de CDBs.

Porém, sempre é bom ressaltar que existem diversas emissões com grandes garantias de emissores confiáveis que tornam esse risco muito baixo. Investidores em geral podem investir em CRI e CRA, porém algumas emissões são disponibilizadas somente para investidores qualificados.

Mesmo que o investidor estude e entenda profundamente o funcionamento dos CRAs, é preciso conhecer mais de perto cada emissão especificamente, pois cada uma pode conter características diferentes. Daí é possível entender todos os detalhes e riscos envolvidos.

Para a sua realização é necessário seguir uma série de procedimentos incluindo a constituição do denominado Termo de Securitização, com os seguintes itens:

Tá, e aí? O que isso significa para o investidor?

Como vimos, investir em CRA significa uma opção a mais para o investidor que procura obter uma diversificação maior em sua carteira de investimentos. E nunca é demais lembrar que, quanto mais diversificada for a carteira, melhor ela estará protegida contra a intempéries e volatilidades do mercado. Além disso, ajuda também em momentos de inflação e juros em alta, pois podem servir de proteção ao patrimônio.

Caso o investidor possua alguma dúvida sobre como investir em CRA, a EQI Investimentos possui uma equipe altamente especializada, que poderá prover todas as informações e tirar todas as dúvidas necessárias na hora do investimento. Além, é claro, de fornecer toda a orientação necessária, a fim de obter o melhor rendimento possível e o mais adequado aos objetivos traçados.

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