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Caso Saraiva (SLED3, SLED4): o que aprender sobre investimento em ações? Confira!

Caso Saraiva (SLED3, SLED4): o que aprender sobre investimento em ações? Confira!

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

13 Fev 2022 às 10:00 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 6 min leitura

Redação EuQueroInvestir

13 Fev 2022 às 10:00 · 6 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

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Reprodução/Marisa Sias/Pixabay

É comum imaginar que ações baratas podem ser um bom negócio apenas por seu baixo valor. No entanto, não é isso que a experiência tem mostrado. Um bom exemplo são as ações da Saraiva (SLED3, SLED4), que mesmo depois de um agrupamento de 35 (!) vezes perdeu 63% do valor em apenas 2 meses.

Para não cair em erros por falta de análise, este artigo ajudará você a ter melhores referências para escolher boas empresas.

Siga em frente e aproveite o texto!

Qual é o histórico da Saraiva?

A Saraiva foi (e ainda é) uma grande empresa do ramo varejista do mercado brasileiro. Foi considerada por algum período a maior empresa do segmento no Brasil.

Diante de tamanho sucesso, a empresa se tornou uma companhia de capital aberto há muito tempo atrás, mais especificamente no ano de 1972.

O que ninguém imaginava é que depois de 46 anos essa mesma empresa viria a fazer um pedido de recuperação judicial, alegando possuir uma dívida de mais de R$ 674 milhões.

Tudo isso fez com que em novembro de 2021, as ações da empresa fossem cotadas abaixo de R$ 1,00. Nessa data, elas chegaram a ser negociadas por incríveis R$ 0,67.

Para uma empresa que alcançou um pico na cotação de seus papéis de mais de R$ 18,00 a queda realmente foi muito grande.

Isso ensejou uma operação de agrupamento de ações. A transação foi realizada na proporção de 35 para 1, indicando que a cada 35 ações apenas uma passaria a existir no mercado.

Como as ações têm se comportado ultimamente?

O pedido de agrupamento foi aceito pela Comissão de Valores Mobiliários, a CVM. O capital social da empresa atualmente por volta de R$ 300 milhões será divido em um total de 1.811.719 ações.

Isso fez com que a nova cotação dos papéis indicassem um valor de R$ 23,00 para cada ação ordinária da companhia.

Em um primeiro momento parece um ótimo negócio, mas isso não passa de uma nova interpretação para um antigo problema.

Tanto que isso se reflete no preço dos papéis. O agrupamento não surtiu efeito prático no sentido de evitar a queda na cotação, ou de melhorar o que já estava ruim. Pelo contrário.

Em termos práticos, o que aconteceu foi muito parecido com uma jogada de vôlei: a bola foi levantada apenas para alguém cortar e ela descer de novo rumo ao chão.

Desde que aconteceu a operação de agrupamento, os papéis caíram 63%, chegando a valer R$ 8,50. Ou seja, o movimento descendente não teve fim, apenas foi remodelado.

E não é para menos, pois os principais motivos pelos quais a empresa foi à bancarrota ainda existem e serão vistos logo mais a seguir.

Qual foi a razão de tamanho fracasso de uma empresa tão grande?

É muito difícil apontar uma única causa como sendo a responsável por todo o fracasso do conglomerado da Saraiva, pois normalmente isso é causado por uma série de erros considerados operacionais.

Entre eles certamente estão as falhas na gestão. O acúmulo destas sempre incorre em graves consequências. Claro que nem sempre a falência, ainda mais em se tratando de um grande grupo econômico.

Mas certamente a má gestão dá mais trabalho para a empresa no sentido de corrigí-los.

Quando analisamos o histórico recente da Saraiva, é possível constatar que a empresa não dava lucro desde o ano de 2016. Isso é bastante grave, pois nenhuma crise dura mais do que um ano e meio.

Isso é decorrente muitas vezes de uma geração de fluxo de caixa operacional instável e (consequentemente) insuficiente.

Essa medida serve para avaliar a capacidade de honrar com os compromissos básicos de uma companhia, aqueles necessários apenas para manter o seu funcionamento.

Quando situações desse tipo acontecem, é comum que haja busca por financiamento para custear as despesas. E nesse momento inicia-se um processo de endividamento, outra razão pela qual a Saraiva fez seu pedido de RJ.

Como ela é uma empresa de capital aberto, isso estava bastante claro para todo o mercado. Sabia-se que o caixa da empresa era devedor e que a dívida só crescia, já que as operações não davam lucro.

Resumindo em poucas palavras, depois de um tempo já era possível constatar que se tratava de uma tragédia anunciada. Os analistas de mercado mais astutos já esperavam por isso.

Quais são as lições que se podem tirar do caso Saraiva?

Se um fracasso servir de lição para que não seja cometido o mesmo erro, então ele não foi de todo o mal.

A despeito das consequências econômicas que a queda da Saraiva possa ter tido, é possível que o investidor aprenda muito com esse caso.

Uma das importantes lições que ficam é a respeito da análise de uma empresa antes de fazer o investimento nela. Nesse caso em específico, é possível aprender sobre o nível de endividamento de uma empresa de capital aberto.

Nesse sentido, faz sentido buscar um indicador que realmente reflita a condição do caixa devedor de uma companhia. Normalmente, busca-se apenas a dívida líquida e isso pode levar a visões distorcidas.

A razão disso é que esse indicador é encontrado diminuindo a dívida total dos recursos disponíveis no curto prazo.

Para ter uma visão melhor desse tipo de demonstrativo, uma boa solução é recorrer à dívida líquida/EBTIDA. Isso porque o nível de endividamento mostrado por esse indicador é relativo aos últimos 12 meses.

Assim, a análise não fica distorcida. Considerando ainda o índice de Basileia, é possível identificar se a dívida da empresa se concentra no curto, médio ou longo prazo.

Dessa forma consegue-se saber se as operações estão sendo levadas por meio de alavancagem ou não, e se esta é muito alta ou apenas moderada.

Por fim, uma boa referência são índices de dívida líquida/EBTIDA no máximo de 3 vezes. Múltiplos maiores do que isso, chegando a 6 vezes por exemplo, devem ser evitados, sob a pena de colocar o capital empregado em alto risco.

As ações baratas podem representar uma boa oportunidade de investimento à primeira vista. No entanto, a atitude mais inteligente é fazer uma análise mais aprofundada ou buscar um especialista que o faça. Na EQI Investimentos é possível contar com uma equipe altamente qualificada para analisar um ativo da melhor forma possível.

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