Totalpass é o “desconto” que virou valor na Smartfit
Totalpass encerrou o primeiro trimestre de 2026 com base de membros no Brasil crescendo cerca de 40% na comparação trimestral e dobrando na anual, segundo estimativas do BTG baseadas em dados do Sensor Tower
O Totalpass deixou de ser apenas um canal de acesso a academias para se tornar um dos principais vetores de criação de valor da Smartfit (SMFT3). É essa a conclusão do BTG Pactual em análise proprietária sobre a penetração e a economia da plataforma nas academias brasileiras da rede, assinada pelos analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.
“O Totalpass não é apenas um ‘canal’ para as academias da Smartfit: é também um produto de rede mais amplo“, afirmam os analistas, que realizaram mapeamento em tempo real da presença da plataforma em mais de 32 mil academias parceiras no Brasil, distribuídas por mais de 1.900 cidades.
Crescimento acelerado e planos mais caros
Os números de crescimento são expressivos.
“Estimamos que o Totalpass encerrou o primeiro trimestre de 2026 com membros no Brasil crescendo cerca de 40% na comparação trimestral e dobrando na comparação anual”, destacam Guanais, Cesquim e Cendon — o que implica uma expansão significativa de participação de mercado no início do ano.
A análise proprietária também revela uma migração para planos mais caros. Atualmente, 63% das academias parceiras aceitam planos TP2 ou acima — a partir de R$ 119,9 por mês —, e 40% aceitam o TP3, a partir de R$ 199,9 por mês, valor superior ao plano Black B2C da Smartfit, de R$ 159,9.
“O aumento da participação de planos mais caros deve ajudar a estreitar o gap de receita entre o Totalpass e as mensalidades tradicionais“, avaliam os analistas.
(Imagem: Divulgação/ Smartfit)
Margem da plataforma supera a do nível da academia
O BTG faz uma distinção crucial na análise: os efeitos do Totalpass são diferentes quando avaliados no nível da academia e no nível da plataforma. No nível da unidade, a plataforma é dilutivaao ticket médio, já que o usuário gera cerca de 20% menos receita por visita do que um cliente B2C. Contudo, melhora as taxas de utilização e ajuda a diluir custos fixos.
No nível corporativo, o quadro se inverte.
“O Totalpass exibe margens estruturalmente atraentes, com base de custos concentrada em despesas gerais e administrativas e infraestrutura de tecnologia”, descrevem os analistas. A margem Ebitda da plataforma foi estimada em 24% em 2025 e deve chegar a 30% em 2026.
A comparação com agregadores terceiros reforça o diferencial.
“Em cenários de alta utilização, o Totalpass mantém margem de contribuição de 54% e payback do CAC de aproximadamente 1,3 meses, enquanto plataformas terceiras geram margens menores e paybacks mais longos”, concluem Guanais, Cesquim e Cendon — reforçando que o Totalpass é, acima de tudo, um ativo de escala.