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Braskem: alerta para desafio de liquidez; veja as razões

Braskem: alerta para desafio de liquidez; veja as razões

Banco avalia que nova gestão e maior participação da Petrobras podem ajudar nas negociações com credores, mas destaca que a petroquímica segue pressionada por elevada alavancagem e restrições financeiras

A reformulação da estrutura de governança da Braskem (BRKM5) representa um avanço importante para a companhia, mas ainda está longe de resolver seu principal problema: a falta de liquidez. Essa é a avaliação do BTG Pactual (BPAC11) após a conclusão das mudanças promovidas pelo IG4, novo controlador da petroquímica após a aquisição da participação anteriormente detida pela Novonor.

Segundo o banco, a nova configuração administrativa reúne profissionais com forte experiência em reestruturação financeira, recuperação de empresas e governança corporativa, características consideradas essenciais para enfrentar o momento delicado vivido pela companhia.

Como parte das mudanças, o IG4 nomeou Hélio Tokeshi como novo diretor-presidente da Braskem e definiu um conselho de administração com foco na condução do processo de recuperação financeira da empresa.

A prioridade imediata da nova gestão será negociar uma reestruturação da dívida junto aos credores. O objetivo é alcançar um acordo preliminar ainda neste mês, em uma tentativa de aliviar a pressão financeira sobre a companhia.

Alternativas descartadas

De acordo com informações citadas pelo BTG, o novo grupo controlador teria descartado duas alternativas frequentemente utilizadas em processos de reestruturação: a conversão de dívida em participação acionária e a venda de ativos considerados estratégicos.

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Em vez disso, a aposta estaria na melhora das condições do mercado petroquímico global, impulsionada pela redução da oferta decorrente das tensões geopolíticas envolvendo o Irã, fator que poderia contribuir para a recuperação das margens do setor.

Outro elemento considerado relevante pelo mercado é a participação ativa da Petrobras no processo. A presidente da estatal, Magda Chambriard, assumirá a presidência do conselho de administração da Braskem, reforçando o envolvimento da petroleira na busca por uma solução para a companhia.

Para o BTG, a presença da Petrobras e a experiência do IG4 em operações de turnaround podem facilitar as negociações com credores e fortalecer a governança da empresa. No entanto, os analistas ressaltam que os desafios financeiros permanecem significativos.

A Braskem continua operando com uma alavancagem próxima de 15 vezes o Ebitda, nível considerado elevado para os padrões do setor, além de seguir exposta aos passivos relacionados ao caso geológico de Maceió, em Alagoas. A companhia também enfrenta elevadas necessidades de capital de giro em um ambiente ainda desafiador para a indústria petroquímica global.

Diante desse cenário, o BTG avalia que a situação financeira da empresa permanece bastante apertada. Embora a reorganização da governança seja vista como um primeiro passo necessário para restaurar a confiança do mercado, o banco destaca que uma recuperação extrajudicial continua sendo uma possibilidade que não pode ser descartada.

Na visão dos analistas, os próximos meses serão decisivos para avaliar se a nova administração conseguirá transformar a melhora na governança em avanços concretos na renegociação das dívidas e na recuperação da capacidade financeira da Braskem.

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