A semana de 26 a 30 de setembro foi marcada por uma rodada intensa de indicadores econômicos, especialmente de inflação e mercado de trabalho, enquanto o mundo acompanha uma escalada de juros global, que ameaça o crescimento e liga o alerta da recessão.
O Brasil, mesmo tendo iniciado a subida da Selic cedo, já sabe que o patamar de juros precisará ficar elevado por ainda um bom tempo, como ficou claro pela ata do Copom e pela fala de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central.
Veja o que foi destaque no resumo da semana.
Resumo da semana no Brasil
Selic alta por um bom tempo
O Banco Central divulgou na terça-feira (27) a ata de sua 249ª reunião, em que justificou a manutenção da taxa Selic em 13,75%. Mas afirmou que se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de “manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado” será capaz de assegurar a convergência da inflação.
O Copom diz que não hesitará em retomar as altas de juros, caso se faça necessário. Para a EQI Asset, a Selic deve ficar no patamar de 13,75% até, pelo menos, junho do ano que vem.
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Prévia da inflação tem recuo
O IPCA-15, considerado prévia da inflação oficial, que recuou 0,37% em setembro, na segunda deflação consecutiva (em agosto, o recuo foi de 0,73%).
Taxa de desemprego cai
A Pnad Contínua, do IBGE, apontou que a taxa de desemprego no país recuou de 9,1% para 8,9% no trimestre encerrado em agosto, na comparação com o trimestre encerrado em julho.
A população desocupada (9,7 milhões de pessoas) caiu ao menor nível desde o trimestre terminado em dezembro de 2015.

Caged melhor que o esperado
O Caged, veio positivo: 278.639 mil empregos com carteira assinada criados em agosto, ante 218.902 de julho e projeção de 269.350 vagas.
“O número veio forte e continua intenso o ritmo de criação de vagas”, afirma Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset. “Quando a gente pega a média móvel dos últimos três meses ajustada sazonalmente e anualiza, dá cerca de três milhões de vagas criadas”, ele explica.
“As contratações continuam fortes, reforçando o sinal positivo, e para o ano devemos ter a criação significativa de pelo menos 2 milhões de vagas. No final de ano, temos sazonalidade negativa, por conta das festas, mas vai ser um dos melhores resultados dos últimos anos”, conclui.

RTI aponta recuo na projeção de inflação
O Relatório Trimestral de Inflação de setembro, do Banco Central, apontou estimativa de inflação a 5,8% no final de 2022, com recuo de 3 pontos porcentuais em relação aos 8,8% previstos no relatório divulgado em junho.
O BC salienta que, depois de atingir um pico de 11,9% no segundo trimestre de 2022, a inflação começou a cair significativamente, como efeito das medidas tributárias. Ainda assim, a inflação estará acima do limite superior do intervalor de tolerância (5%) da meta da inflação (3,5%).
A inflação projetada cai para 4,6% em 2023 e 2,8% em 2024 e 2025, diante de metas para a inflação de 3,25%, 3% e 3%, respectivamente.

Inflação do aluguel recua
O IGP-M, inflação do aluguel, teve deflação de 0,95% em setembro, ante recuo de 0,70% em agosto. Em 12 meses, a alta é de 8,25% e, no ano, de 6,63%.
Eleições
No domingo (2), acontece o primeiro turno das eleições – e você confere guia sobre o voto aqui.
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Resumo da semana no exterior
PCE sobe acima da expectativa
O Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA, medida favorita de inflação do Federal Reserve (Fed), banco central americano, foi o dado mais aguardado da semana.
Ele subiu 0,3% em agosto, ante recuo de 0,1% em julho. O núcleo do PCE, que exclui os itens mais voláteis, subiu 0,6%, ante 0,1% de julho e projeção de 0,5%.
A renda pessoal subiu 0,3%, dentro do esperado; e os gastos com consumo, 0,4%, ante expectativa de 0,3%.
O setor de serviços foi a principal pressão de alta. “Para a política monetária do Fed não é uma boa notícia, porque o banco central precisa ver desaceleração e por mais tempo”, afirma Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset.
A expectativa de juros nos EUA é, até aqui, a de mais uma alta de 0,75 ponto porcentual na próxima reunião, outra de 0,5 em dezembro e uma final de 0,25 em janeiro de 2023, com juros finais estimados em 4,6% durante todo ano que vem.
Inflação recorde na zona do euro
Na zona do euro, a inflação anual bateu o recorde de 10% em setembro, ante projeção de 9,7%, com destaque para energia, que subiu 40,8%. O dado pressiona o Banco Central Europeu a seguir com a escalada de juros.
O aperto monetário dos bancos centrais acende o alerta de uma desaceleração global intensa, com risco de recessão.

PIB dos EUA dentro do esperado
O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA encolheu 0,6% no segundo trimestre de 2022, como o esperado.

PMI Industrial da China apresenta melhora
A China teve seu Índice dos Gerentes de Compras (PMI) oficial positivo no setor industrial, com 50,1 pontos (recuperando patamar de crescimento), de 49,4 anteriores.
Já o PMI de serviços caiu de 52,6 para 50,6 pontos, mas ainda acima dos 50 pontos, que dividem crescimento de retração. O resultado decorre da política de Covid-zero.
Rússia anexa 15% da Ucrânia
Na frente da Guerra entre Rússia e Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin assinou anexação de mais de 15% do território da Ucrânia nesta sexta (30). As províncias de Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia foram submetidas a referendo de separação realizado pela Rússia. O Ocidente não reconhece o resultado.
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