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IPCA-15 de agosto tem deflação de 0,73%, menor que a expectativa do mercado

IPCA-15 de agosto tem deflação de 0,73%, menor que a expectativa do mercado

Osni Alves

Osni Alves

24 Ago 2022 às 09:23 · Última atualização: 25 Ago 2022 · 8 min leitura

Osni Alves

24 Ago 2022 às 09:23 · 8 min leitura
Última atualização: 25 Ago 2022

Imagem mostra o centro de São Paulo.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de agosto teve deflação de 0,73%, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados foram divulgados na manhã desta quarta-feira (24) e vieram acima da expectativa do BTG Pactual (BPAC11), que esperava queda de 0,85%.

De acordo com o relatório da autarquia, o recuo de agosto se dá frente ao mês anterior, julho, quando o IPCA-15 marcou queda de 0,13%. “Foi a menor taxa da série histórica, iniciada em novembro de 1991”, informou.

Gráfico mostra a evolução do IPCA-15, do IBGE.

E disse mais: “no ano, o IPCA-15 acumula alta de 5,02% e, em 12 meses, de 9,60%, abaixo dos 11,39% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em agosto de 2021, a taxa foi de 0,89%.” A expectativa do BTG para a taxa, no ano, era de alta de 9,47%.

Tabela mostra o avançodo IPCA-15 de agosto pelo IBGE.

IPCA-15 de agosto, segundo o IBGE

Ainda de acordo com o levantamento, houve variações positivas em seis dos nove grupos pesquisados. O resultado de agosto foi influenciado principalmente pela queda no grupo dos Transportes (-5,24%), que contribuiu com -1,15 ponto percentual (p.p.) no índice do mês.

Além disso, também houve recuo nos preços dos grupos Habitação (-0,37%) e Comunicação (-0,30%). No lado das altas, a maior variação e o maior impacto vieram de Alimentação e bebidas (1,12% e 0,24 p.p.). Destacam-se, ainda, os grupos Saúde e cuidados pessoais e Despesas pessoais. Ambos subiram 0,81% e contribuíram conjuntamente com 0,18 p.p. para o IPCA-15 de agosto. Os demais grupos ficaram entre o 0,08% de Artigos de residência e o 0,76% de Vestuário. 

Tabela mostra o avançodo IPCA-15 de agosto pelo IBGE.
Tá, e aí?Stephan F. Kautz, economista-chefe da EQI Asset

De acordo com o economista-chefe da EQI-Asset, Stephan F. Kautz, a Casa projetava uma deflação de 0,83% e essa diferença em relação ao número que veio foi explicada por poucos itens, como leite e gasolina, sendo que os combustíveis foram impactados por medidas do governo federal.

Segundo ele, quando se olha para a abertura, se vê números bons, principalmente na parte de fusão, cuja quantidade de itens em alta foi reduzida. Então, há menos itens dentro da cesta calculada pelo IBGE subindo de preço.

Já as medidas de núcleo como um todo, elencou, vieram um pouco mais comportadas, a exemplo de automóveis e linha branca reportando pequenas deflações (ou desacelerações).

Para Kautz, o ponto negativo continua sendo a inflação de serviços que se mantém muito alta, apesar de ter parado de subir adicionalmente, e estar oscilando ali ao redor de 12%, algo bastante alto para esse componente.

Para o fechamento de agosto, Kautz diz esperar uma deflação de 0,30%, basicamente por conta do impacto menor da redução dos impostos que estão valendo e foram capturados no efeito máximo do IPCA-15. “Então, teremos aí julho e agosto com deflação e, no mês de setembro, uma alta ao redor de 0,30%”, concluiu.

A deflação

O relatório aponta, também, que a deflação no grupo dos Transportes (-5,24%) deve-se, principalmente, à queda no preço dos combustíveis (-15,33%). A gasolina caiu 16,80% e deu a maior contribuição negativa ao índice do mês (-1,07 p.p.). Também foram registradas quedas no etanol (-10,78%), gás veicular (-5,40%) e óleo diesel (-0,56%). O subitem passagem aérea (-12,22%) também recuou, após subir quatro meses consecutivos. No lado das altas, os veículos próprios (0,83%) continuaram subindo: motocicleta (0,61%), automóvel novo (0,30%) e automóvel usado (0,17%).

No grupo Habitação (-0,37%), a queda está relacionada ao recuo nos preços da energia elétrica residencial (-3,29%). Após a sanção da Lei Complementar 194/22, vários estados reduziram a alíquota de ICMS cobrada sobre os serviços de energia elétrica. Além disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou as Revisões Tarifárias Extraordinárias de diversas distribuidoras que operam em áreas de abrangência do índice, reduzindo as tarifas a partir de 13 de julho. As variações foram desde -16,18% em Recife, onde o ICMS foi reduzido de 25% para 18% e houve retirada da incidência sobre os serviços de transmissão e distribuição, até 2,96% em São Paulo, onde foi aplicado um reajuste de 10,43% nas tarifas de uma das concessionárias pesquisadas, em vigor desde 4 de julho.

Regiões

O IBGE ressalta que em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro o reajuste ocorreu em apenas uma das concessionárias pesquisadas em cada área. No Rio de Janeiro, a Revisão Tarifária Extraordinária foi suspensa a partir de 2 de agosto.

Ainda em Habitação, destaca-se a alta da taxa de água e esgoto (0,52%), que decorre do reajuste de 18,16% em uma das concessionárias de Porto Alegre (4,66%), a partir de 1º de julho. A alta de 0,07% em gás encanado se dá por conta dos reajustes de 0,20% nas tarifas no Rio de Janeiro (0,08%), a partir de 1º de agosto, e de 2,26% em Curitiba (0,30%), a partir de 9 de agosto.

Em Comunicação (-0,30%), o destaque ficou com os planos de telefonia fixa e de telefonia móvel, cujos preços caíram 2,29% e 1,04%, respectivamente, em agosto. Por sua vez, os aparelhos telefônicos registraram alta de 0,57%, após queda de 0,52% em julho.

Grupos

O resultado do grupo Alimentação e bebidas (1,12%) foi influenciado principalmente pelo aumento nos preços do leite longa vida (14,21%), maior impacto individual positivo no índice do mês (0,14 p.p.). No ano, a variação acumulada do produto chega a 79,79%. Outros destaques no grupo foram as frutas (2,99%), que também haviam subido em julho (4,03%), o queijo (4,18%) e o frango em pedaços (3,08%). Com isso, a alimentação no domicílio variou 1,24% em agosto.

A alimentação fora do domicílio teve alta de 0,80% em agosto, desacelerando em relação ao mês anterior (1,27%). Tanto o lanche (0,97%) quanto a refeição (0,72%) tiveram variações inferiores às de julho (2,18% e 0,92%, respectivamente).

A alta registrada em Saúde e cuidados pessoais (0,81%) foi influenciada pelos planos de saúde (1,22%), correspondente à fração mensal do reajuste de 15,50% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 26 de maio para os planos novos. Cabe ressaltar que, em Porto Alegre (2,23%), também foi incorporada a fração mensal de julho, que não havia sido incorporada no índice anterior. Além disso, os itens de higiene pessoal aceleraram de 0,67% em julho para 1,03% em agosto.

Mais grupos

O resultado do grupo Despesas pessoais (0,81% e 0,08 p.p.) apresentou variação próxima à do mês anterior (0,79%). Os principais destaques foram os subitens empregado doméstico (0,80%) e cigarro (3,32%), este último por conta de reajustes nos preços dos produtos comercializados por duas empresas pesquisadas (uma entre 4,44% e 8,70%, a partir de 3 de julho, e outra entre 4,44% e 5,13%, a partir de 1º de agosto).

Por fim, cabe comentar a alta do grupo Educação (0,61%). Os cursos regulares subiram 0,52% principalmente por conta dos subitens creche (1,47%), ensino fundamental (0,71%) e ensino superior (0,44%). Os cursos diversos registraram alta de 1,18%, cuja influência veio dos cursos de idiomas (2,15%) e cursos preparatórios (2,04%).

No que diz respeito aos índices regionais, todas as onze áreas pesquisadas no IPCA-15 tiveram variações negativas em agosto. A menor variação ocorreu em Belo Horizonte (-1,58%), especialmente por conta da gasolina (-20,50%) e da energia elétrica (-13,11%). A maior variação, por sua vez, foi em São Paulo (-0,11%), cujo resultado foi influenciado pelas altas de 11,31% no leite longa vida e de 2,96% na energia elétrica.

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