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Ibovespa mantém queda, na contramão de Nova York

Ibovespa mantém queda, na contramão de Nova York

Claudia Zucare

Claudia Zucare

23 Jun 2022 às 16:44 · Última atualização: 23 Jun 2022 · 6 min leitura

Claudia Zucare

23 Jun 2022 às 16:44 · 6 min leitura
Última atualização: 23 Jun 2022

Futuros de NY operam sem direção definida com investidor aguardando relatório CPI

O Ibovespa hoje (23) opera em queda de 1,26%, aos 98.265 pontos, depois de ficar no positivo por boa parte da manhã desta quinta-feira.

Em mais um dia de agenda esvaziada, novamente as atenções se voltam para a Petrobras (PETR3, PETR4) e a crise instalada pela política de preços da empresa, que segue a Política de Preços Internacional (PPI), mas vem sofrendo pressão por mudanças em tempos de inflação alta e eleições à vista. 

Amanhã (25), o conselho da empresa deve aprovar o nome de Caio Paes de Andrade à presidência. Paralelamente, o Congresso segue colhendo assinaturas (ainda não suficientes) para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), além de cogitar alterações na Lei das Estatais.

A novidade fica por conta da proposta de aumentar o possível voucher do diesel aos caminhoneiros, que saltou de R$ 400 para R$ 1 mil. Ainda assim, não satisfez: o que os caminhoneiros buscam é a certeza do fim da paridade internacional. 

Hoje (23), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, falou sobre política monetária, em coletiva de imprensa transmitida no canal do Youtube do Banco Central.

O BC aumentou sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2022, de 1% para 1,7%.

Entretanto, segundo a autoridade monetária, a incerteza e o risco fiscal ainda pairam no radar do banco.

Em se tratando da Selic, o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, avalia que o ciclo que elevou a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 2% ao ano para 13,25% ao ano no período de um ano e meio, é um fator que vai limitar o desempenho futuro do PIB.

Ele também disse que a hipótese de que a Selic não vai se alterar até 2024 é uma hipótese forte, e acrescentou que grande parte do aperto monetário ainda vai ser sentido, tanto na inflação, quanto no crescimento. “Então, nós esperamos uma desaceleração da atividade nos próximos trimestres”, frisou.

O mercado projeta uma última alta de 0,25 ou 0,50% da Selic na reunião de 2 3 de agosto. Na ata da última reunião do Copom, os membros do comitê deixaram claro que a expectativa deve ser por alta de “igual ou menor magnitude” do que a de 0,5 p.p. do último dia 15.

Para Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, as revisões do Banco Central já eram esperadas e se aproximam do que boa parte do mercado já vem apontando.

“Essa projeção de 1,7% do Banco Central para o PIB está muito em linha com a da EQI, que é de 1,8%”, diz.

“A gente entende que essa revisão mais cedo ou mais tarde iria acontecer e ela tende a pressionar as projeções do Banco Central para cima. A projeção para inflação segue em 4% e a meta é 3,25%, por isso o BC deve continuar subindo juros na próxima reunião”, ele explica.

E complementa que a Selic, taxa básica de juros, deve fica para nesse patamar alto durante um longo período ainda, até que os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) tenham convicção de que a inflação está convergindo para meta e a intensidade e velocidade disso está de acordo com o que eles gostariam de observar.

“Seguimos trabalhado com ideia de juros a 13,75% (a partir de 4 de agosto deste ano), começando a cair a partir de abril de 2023, mas tudo depende do que vai acontecer com a inflação e com o crescimento até lá”, afirma.

Em indicadores, o Índice de Preço ao Consumidor – Semanal (IPC-S), da FGV, mostrou que a inflação subiu 0,76% na terceira leitura de junho.

Mercados do exterior

Destaque nesta quinta para os Índices dos Gerentes de Compras (PMIs) industrial, de serviços e composto de zona do euro e EUA, com sinalizações sobre o recuo da atividade econômica.

Nos EUA, o PMI composto ficou em 51,2, de 53,6 da leitura anterior. O PMI industrial foi de 52,4 pontos, ante leitura prévia de 57 e projeção de 56. E o de serviços foi de 51,6 pontos, ante 53,4 anterior e 53,5 de projeção.

Na zona do euro, o PMI industrial ficou em 52 pontos, ante leitura prévia de 54,6 e projeção de 53,9. O PMI de serviços ficou em 52,8 pontos, também com redução ante a prévia (56,1) e abaixo da expectativa (55,5). O PMI composto (que une indústria e serviços), ficou em 51,9, ante 54,8 prévios e 54 de projeção.

PMIs acima de 50 indicam crescimento da atividade, enquanto leituras abaixo indicam retração. 

Jerome Powell, presidente dos EUA, falou novamente ao Congresso, desta vez à Câmara, e repetiu o discurso que deu ontem (22) ao Senado.

Ele voltou a falar que uma série de altas de juros será necessária para conter a inflação, sem no entanto se comprometer com passos de 0,5 ou 0,75 ponto porcentual, como o mercado esperava ouvir.

Ele disse que será necessário o Fed alcançar uma política restritiva para desacelerar a economia e controlar os preços, elevando os juros para além do nível neutro – que seria de 2,5%.

No último dia 15, o Fed promoveu a maior alta de juros desde 1994, de 0,75 ponto porcentual, para conter a maior inflação em 40 anos. E os investidores seguem atentos a sinais das próximas movimentações do banco central americano.

O dia teve ainda divulgação dos novos pedidos de seguro-desemprego dos EUA, que ficaram em 229 mil na última semana, abaixo do consenso de 231 mil.

Mercados de Nova York

  • Dow Jones: +0,69%
  • S&P: +1,12%
  • Nasdaq: +1,84%

Mercados Europa

  • DAX, Alemanha: -1,76%
  • FTSE, Reino Unido: -0,97%
  • CAC, França: -0,56%
  • FTSE MIB, Itália: -0,80%
  • Stoxx 600: -0,82%

Mercados Ásia

  • Nikkei, Japão: +0,08%
  • Xangai, China: +1,62%
  • HSI, Hong Kong: +1,26%
  • ASX 200, Austrália: +0,31%
  • Kospi, Coreia: -1,22%

Petróleo

  • Brent (dezembro 2021): US$ 110,05 (-1,51%)
  • WTI (novembro 2021): US$ 104,27 (-1,80%)

Ouro

  • Ouro futuro (dezembro 2021): US$ 1.828,20 (-0,55%)

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