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Escândalos imobiliários: histórico de crise inclui subprime, Encol, PDG e Evergrande

Escândalos imobiliários: histórico de crise inclui subprime, Encol, PDG e Evergrande

Redação EuQueroInvestir

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22 Set 2021 às 13:00 · Última atualização: 22 Set 2021 · 7 min leitura

Redação EuQueroInvestir

22 Set 2021 às 13:00 · 7 min leitura
Última atualização: 22 Set 2021

crise imobiliária

A recente crise no mercado imobiliário da China, impulsionada pela possível quebra da gigante Evergrande, tem mexido com os mercados mundiais, provocando instabilidade, pânico e um risco grande e real de um calote bilionário.

Na história recente, outras crises de grandes empresas do setor imobiliário renderam impactos profundos seja nas bolsas locais ou mundiais.

Abaixo, listamos alguns dos casos mais emblemáticos de crises do setor imobiliário.

Subprime: bolha arrastou o mundo para a crise

13 anos, em 15 de setembro de 2008, o Lehman Brothers decretava falência, arrastando o mundo para uma crise histórica que teve origem no ramo imobiliário.

Instituição com 164 anos de atuação, a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers foi o símbolo da crise financeira dos Estados Unidos em 2008.

A origem da crise remonta ainda ao fim da década de 1990, quando o mercado imobiliário dos EUA estava aquecido pela oferta de crédito. Anos depois, com uma grande bolha imobiliária em expansão, o Lehman foi uma das empresas que adquiriu credores hipotecários.

Enquanto o Lehman Brothers registrava recordes de receitas e suas ações subiam sem parar, no início de 2007 o mercado imobiliário dos EUA começou a dar sinais de que iria ruir em breve. A inadimplência em hipotecas subprime atingia números cada vez maiores.

Quando os juros dos EUA subiram, quem havia conseguido empréstimo a taxas baixas começou a ter dificuldades para continuar pagando as parcelas de sua casa ou apartamento. Assim, a inadimplência começou a aumentar gradativamente nos EUA, colocando as instituições financeiras em risco.

Com uma crise generalizada de confiança, inadimplentes crescendo progressivamente e o valor dos imóveis caindo, a bolha imobiliária estourou. Em 15 de setembro de 2008, o Lehman Brothers anunciou falência e a crise que se iniciou apenas no mercado financeiro se alastrou.

As bolsas ao redor do planeta desabaram, a quebra de confiança se alastrou e a crise do subprime obrigou os bancos centrais a injetarem centenas de bilhões de dólares nas economias.

Em todo o mundo, houve mais de 400 milhões de pessoas desempregadas na pior crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial, só comparável à quebra da Bolsa de Nova York, em 1929.

Crise no PDG: no Brasil, processo de recuperação judicial

De maior incorporadora do Brasil a um pedido de recuperação judicial, a empresa brasileira se viu em meio a uma grande crise a partir de 2012 que dura até hoje.

Fundada em 2003, a PDG Realty (PDGR3) nasceu a partir de um negócio do ramo imobiliário dentro do banco de investimentos Pactual.

Nos primeiros anos, a empresa surfou uma grande onda do mercado imobiliário brasileiro. Entre 2007 e 2011, no auge da operação da companhia, as ações da PDG valorizaram 124%.

Porém, com expectativa de rápido crescimento nos anos seguintes, a empresa se endividou para tirar do papel inúmeros projetos.

Em 2012 vieram os primeiros sinais de que uma possível crise. Com o esfriamento do mercado imobiliário, a PDG se viu com um banco de terrenos de R$ 29,6 bilhões, uma dívida alta e vendas fracas. Isso tudo aliado a uma gestão que não tinha domínio sobre o mercado imobiliário e contribuiu para agravar a crise.

Como consequência, o valor de mercado da companhia derreteu. Assim, saiu de R$ 12,5 bilhões em 2010 para R$ 111 milhões hoje.

O pedido de recuperação judicial veio em 2017. Com vários projetos paralisados e uma onda de distratos contratuais realizadas por milhares de consumidores insatisfeitos com o curso dos empreendimentos, a PDG precisou recorrer à Justiça para tentar reverter uma falência.

As dívidas alcançavam R$ 7,9 bilhões e 23 mil credores.

Impactada pela crise do coronavírus, a PDG hoje luta para cumprir o plano de recuperação judicial, enquanto paralisou seus lançamentos. Com troca na gestão e mudanças no controle da empresa, recentemente a PDG aprovou um aumento de capital no valor de R$ 302 milhões.

A empresa mantém conversas com bancos para conseguir suplementação de recursos para dar continuidade às obras interrompidas.

Crise da Encol: problemas de gestão, sonegação e desvios levaram à falência

Diferente da PDG que tenta encontrar uma solução para suas dívidas, a Encol faliu, após deixar milhares de mutuários no prejuízo.

A companhia foi fundada em Goiânia, em 1961, e tornou-se uma das maiores construtoras do Brasil. Pelas mãos da empresa foram construídos mais de 100 mil imóveis em todo o país, com foco em moradias mais populares e para a classe média. Eram 23 mil pessoas empregadas pela empresa.

Com facilidade de pagamentos e possibilidades de parcelamentos, a Encol cresceu progressivamente ao longo das décadas.

Mas a oferta de apartamentos se mostrou maior do que a capacidade do mercado de absorver novos projetos. Assim, a Encol começou a entrar em declínio.

Além disso, a companhia era gerida com métodos pouco eficientes e lucrativos, e isso fez com que ela perdesse muito dinheiro. A empresa também era saqueada por esquemas de sonegação de impostos e outros desvios de dinheiro que acabaram com a saúde financeira dos negócios.

Mais de 30 bancos chegaram a se reunir para tentar salvar a Encol, mas não houve conclusão. A empresa faliu em março de 1999, deixou mais de R$ 2,5 bilhões em dívidas e mais de 42 mil clientes de imóveis no prejuízo.

O dono da construtora, o engenheiro Pedro Paulo de Souza, chegou a ser preso em abril de 2010 por crime contra o sistema financeiro. Mas um dia depois conseguiu um habeas corpus. Ele foi condenado em 2000 a quatro anos de prisão em regime semiaberto e a 266 dias de multa. Porém, o processo só foi concluído em 2010, quando já tinha prescrito.

Mais de duas décadas depois da falência, hoje em dia há vários processos ainda tramitando contra a Encol. Nos últimos anos, houve algumas decisões e acordos, mas ainda há processos em aberto com fornecedores, funcionários e clientes.

Evergrande: gigante chinesa ameaça abalar o mundo

Na última segunda-feira (20) os mercados globais registraram quedas expressivas com o temor de um calote bilionário de uma grande empresa chinesa do ramo imobiliário, a Evergrande.

O passivo da empresa é gigantesco: US$ 300 bilhões (mais de R$ 1,6 trilhão em reais). E é essa grandiosidade que tem deixado o mercado financeiro de cabelos em pé nos últimos dias.

A incorporadora imobiliária da China pode estar à beira da falência. E o temor mundial é de que, com a possível queda da empresa, possa ocorrer um colapso do mercado imobiliário chinês, com potenciais impactos ao redor do mundo.

Alguns especialistas correlacionaram a situação inclusive com a falência do Lehman Brothers e o caso do subprime dos EUA.

Com a primeira oferta pública em 2009, a companhia cresceu vertiginosamente nos últimos anos. Assim, começou a ampliar seu ramo de atuação. Atua com carros elétricos, parque temático, seguros, saúde, alimentos, mercado financeiro e comprou até um time de futebol.

Até 2018 os negócios prosperaram. Mas as dívidas da Evergrande aumentaram à medida que a empresa fazia empréstimos para financiar suas várias atividades e projetos.

Desta forma, o passivo chegou aos atuais US$ 300 bilhões. E, nas últimas semanas, a situação tem se agravado, com a piora das condições de liquidez em meio à desaceleração geral das vendas de imóveis na China.

Com o rebaixamento dos ratings da empresa, o mundo está de olho nos desdobramentos da crise da Evergrande que, assim como o subprime, a PDG e a Encol, pode se tornar mais um escândalo imobiliário.

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