A GOL (GOLL4) reportou um segundo trimestre melhor, mas abaixo do consenso, disse o BTG Pactual (BPAC11) em relatório.
Os resultados do segundo trimestre ficaram acima das estimativas do BTG, com receita líquida de R$ 1,0 bilhão (+ 187% a/a, 21% acima do BTG), e EBIT de R$ – 810 milhões (contra R$ – 898 milhões um ano atrás e a projeção de R$ – 908 milhões do BTG).
Considerando as despesas estritamente relacionadas às operações do segundo trimestre, o EBIT ajustado foi de R$ 144 milhões (acima de R$ 20 milhões no ano passado e acima de – R$ 108 milhões do BTG).
O EBITDA foi de -R$ 592 milhões (vs. – R$ 754 milhões no ano passado e os R$ – 708 milhões do BTG) e o EBITDA ajustado totalizou R$ 222 milhões (vs. R$ 99 milhões e acima dos R$ 92 milhões do BTG).
Por fim, o lucro líquido foi de R$ 658 milhões (vs. prejuízo de R$ 2 bilhões ano passado e os R$ 98 milhões do BTG).
O lucro líquido foi impulsionado por itens pontuais: (i) ganho cambial (+ R$ 1,5 bilhão); (ii) depreciação e amortização (R$ – 218 milhões); (iii) eventos não recorrentes (R$ – 126 milhões); e (iv) imposto de renda (R$ – 12 milhões).
O resultado final recorrente foi de R$ – 1,2 bilhão (vs. R$ – 772 milhões no ano passado).
Alavancagem líquida da GOL cai para 10,1x
Conforme já divulgado, o PRASK caiu 11% a/a, principalmente devido a um maior volume de ASKs vs. o mesmo período do ano passado, em 4 bilhões contra 990 milhões no 2T20.
A RASK caiu 30% a/a, rendimento líquido diminuiu 18% a/a e o fator de carga foi de 85% (+ 700 bps a/a).
O CASK caiu 46% (ex-despesas não recorrentes e ociosidade). O CASK ajustado ex-combustível diminuiu 54%.
Os custos de melhorias refletem principalmente um aumento de 23% na utilização das aeronaves.
A alavancagem financeira líquida (ex-perps) caiu para 10,1x dívida líquida/EBITDA LTM (vs. 11,4x no último trimestre), ajudado pela depreciação do dólar americano.
No 2TRI21, foi fechado o negócio da Smiles (R$ 745 milhões), amortizando integralmente o empréstimo da Delta (R$ 420 milhões).
O negócio Smiles deve gerar R$ 400 milhões em sinergias anuais devido à gestão mais dinâmica do estoque de assentos, unificando iniciativas de marketing, otimizando o gerenciamento de rendimento e mais eficiência tributária.
E com o avanço da vacinação no Brasil, a GOL espera que as viagens de negócios se recuperem fortemente a partir do 1TRI22, quando prevê crescer sua rede para habilitar altas frequências em São Paulo, Rio e Brasília, restaurando essas rotas aos níveis pré-pandêmicos.
A empresa vai ainda retomar voos internacionais para a América do Sul e os EUA e, até o fim de 2021, retomar os voos para o Caribe.
Pontos para melhorar no segundo semestre
A Gol também divulgou estimativas para o terceiro trimestre e números revisados para o segundo semestre, que deverá continuar melhorando (embora em um ritmo mais suave do que se pensava inicialmente) à medida que a aplicação de vacinas se intensifica e nos aproximamos da temporada de verão, refletindo um quadro mais forte do que o esperado impacto da segunda onda.
“Acreditamos que os investidores devem prestar menos atenção aos resultados do segundo trimestre, pois os números fracos foram já esperados”, diz o BTG.
Os principais focos são: (i) gestão de liquidez e passivo, (ii) volume de recuperação; e (iii) dinâmica competitiva do mercado.
Apesar de alguns atrasos na campanha de vacinação no Brasil, o BTG espera uma recuperação constante do volume no final do ano, impulsionada principalmente por viagens de lazer.
“Novas variantes de Covid continuam sendo o principal risco do semestre e a imunização da população continua sendo o principal gatilho do período. Vemos a Gol como um interessante player de reabertura econômica, com uma avaliação mais atraente vs. pares locais”, afirmam os analistas.
Por fim, a recomendação é de compra até R$ 31.






