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CEO da Marcopolo (POMO4) sobre o 1TRI20: “Difícil estimar o retorno à normalidade”

CEO da Marcopolo (POMO4) sobre o 1TRI20: “Difícil estimar o retorno à normalidade”

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

27 Mai 2020 às 00:27 · Última atualização: 08 Jun 2022 · 6 min leitura

Redação EuQueroInvestir

27 Mai 2020 às 00:27 · 6 min leitura
Última atualização: 08 Jun 2022

Ainda sem refletir toda a intensidade da crise pós-pandemia – maior a partir de abril último – a Marcopolo (POMO4), fabricante de carrocerias de ônibus, obteve no primeiro trimestre de 2020 (1T20) receita líquida total de R$ 919,4 milhões.

Esse resultado representa um crescimento de 2,3% sobre igual período do ano passado (1T19), que chegou a R$ 898,6 milhões.

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O CEO da Marcopolo, James Bellini, adiantou “não ser possível projetar no tempo quando a empresa poderá recuperar a normalidade da produção”.

Revezar é preciso

Segundo ele, os contratos de trabalho de seus funcionários, após suspensos, foram substituídos pelo regime de revezamento.

Assim, um contingente deles deverá voltar ao trabalho em junho, ‘rendendo’ aqueles que já estavam em atividade.

Este sistema de rodízio, que permeia toda a companhia, do chão de fábrica às diretorias, deverá permanecer por, pelo menos, quatro meses, ou seja, até o fim de agosto, afirma o CEO.

“Nesse período, devido à crise, a empresa adotou férias coletivas, férias estendidas, flexibilização, suspensão da jornada de trabalho em todas as operações, nos mais diversos formatos”, revelou.

Medidas administrativas

Além de medidas de contenção de custos e preservação de caixa, a Marcopolo cortou, ao máximo, ‘despesas não obrigatórias’, reduziu custos com folha de pagamento e restringiu  investimentos.

O escopo de medidas emergenciais incluiu, ainda o cancelamento de novas etapas do programa de redistribuição de proventos, a renegociação dos prazos de pagamento, além de atenção redobrada em áreas, como contas a receber e cobrança.

“Os estoques de matérias-primas também estão sendo adequados à nova realidade”, acrescentou Bellini.

Com um baixo nível de endividamento, boa situação de caixa e uma estrutura enxuta de custos fixos, o CEO da Marcopolo entende que a companhia reúne condições de enfrentar os desafios  impostos pela crise.

Lucro ‘tomba’

Em comparação ao primeiro trimestre de 2019, o lucro líquido ‘tombou’ 60,3%, ao despencar de R$ 27 milhões, no 1T19 para R$ 10,7 milhões no 1T20.

Margem pela metade

Com isso, também se reduziu a margem líquida, que desceu de 3% no 1T19 para 1,2% no primeiro terço deste ano.

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EBITDA avança

Com uma EBITDA que saltou, em valores, de R$ 60,6 milhões, no 1T19, para R$ 101,9 milhões no 1T20.

Em decorrência, a margem EBITDA avançou 4,4 pontos percentuais (p.p.), passando de 6,7% para 11,1% nos trimestres cotejados.

Essas informações fazem parte da teleconferência promovida pela Marcopolo, nessa terça-feira (26), para divulgação do resultado da empresa no primeiro trimestre de 2020 (1T20).

O desempenho positivo da receita líquida, destaca o documento, foi ‘puxado’ pelo quesito receitas no Brasil, que avançaram 14,2%.

Receita em queda

Em contrapartida, pelo mesmo comparativo, a receita de exportação indicou queda de 19,4% da receita de exportação.

Esse desempenho negativo se deve à adoção de medidas de restrição à locomoção nos principais destinos externos da companhia, como Chile, Peru e Argentina.

A expectativa da Marcopolo é de que a recuperação de volumes nos mercados da América do Sul ocorra somente no longo prazo, em razão das perspectivas poucos animadoras de reação da economia no continente.

Rentabilidade compensa

Ainda assim, o menor volume de entregas foi, em parte, compensado pela maior rentabilidade nas operações, haja vista a disparada firme do dólar.

No momento, a expectativa da empresa é em relação ao potencial de crescimento do mercado africano, levando em conta negociações avançadas ocorridas no ano passado.

Prioridade à segurança

No contexto de segurança sanitária, a Marcopolo disponibilizou quantidades substanciais de álcool em gel, aumentou o número de pias em suas unidades, adotou maior espaçamento nas linhas de produção e nos serviços de transportes dos ‘colaboradores’.

Também houve preocupação da empresa com a ministração de palestras informativas sobre medidas preventivas em relação a covid-19.

China na lanterna

Quanto ao desempenho das unidades da empresa no exterior, o pior deles coube à China, com queda de produção de 82,2% e resultado negativo de R$ 3,3 milhões no primeiro trimestre deste ano.

Já a unidade Marcopolo México se ressentiu da desvalorização expressiva do peso mexicano diante do dólar – considerado moeda funcional para a empresa – em função da elevação de custos com importações, o que determinou um resultado negativo de R$ 10,7 milhões no 1T20.

Outro indicador que confirma a tendência negativa é a retração (13,7%) na produção de caminhões, no comparativo entre primeiros trimestres (2020/2019), de 4.549 veículos para 5.272 veículos, respectivamente.

Mercado interno responde

Tanto em um período quanto em outro, a participação da produção voltada ao mercado interno foi majoritária, pois passou de 3.666 veículos, no 1T19, para 3.680 veículos no 1T20.

Ainda sobre venda de veículos, destaque para a queda acentuada de comercialização para a China, que acusou recuo de 46,7%, no comparativo entre trimestres.

Essa é a maior queda individual, entre os destinos externos da companhia.

Já a receita líquida relativa ao gigante asiático apresentou baixa mais intensa, de 69,1%.

Nesse caso, o melhor resultado de receita líquida coube ao México, que avançou 12,4% no mesmo comparativo, apesar do recuo de 9% nas vendas.

Dívida líquida industrial dispara

No polo oposto, a dívida líquida industrial saltou de R$ 108,4 milhões em 2019, para R$ 532,7 milhões no primeiro trimestre deste ano.

Com isso, a dívida líquida industrial em relação à EBITDA da companhia aumentou de 0,3% para 1,3%, nessa mesma comparação.

Em contraste com a menor demanda por veículos rodoviários (atividades de fretamento, turismo e linhas regulares), ao longo do primeiro trimestre deste ano, o segmento teve seu crescimento puxado pela antecipação de demanda, em razão da obrigatoriedade de instalação de elevadores nesses modelos.

“Caminho da escola”

Já a demanda pelos chamados “veículos urbanos”, que vinha recuperando seus volumes históricos, recebeu reforço importante por parte do programa “Caminho da Escola”.

No entanto, este também foi atingido, em razão da pandemia que determinou a redução das frotas municipais em grandes cidades.

Ainda assim, as perspectivas são de manutenção das entregas até o final do ano.

Quanto ao micros e volares, esse segmento apresentou estabilidade no 1T20, alavancado pelos volumes gerados pelo programa “Caminho da Escola”.

Nos primeiros três meses do ano, a empresa entregou 623 unidades vinculadas ao programa, das quais eram 259 micros, 318 urbanos e 46 modelos Volare.

Para 2020, está prevista na carteira a entrega de 4.800 unidades – 2 mil micros, 1,6 mil urbanos e 1,2 mil modelos volare.

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