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Estreito de Ormuz impõe desafio para as petroleiras

Estreito de Ormuz impõe desafio para as petroleiras

Casa de análise alerta que mercado pode estar subestimando os impactos do bloqueio da principal rota de exportação de petróleo

A continuidade do fechamento do Estreito de Ormuz segue como um dos principais riscos para o mercado global de petróleo e pode manter os preços da commodity em patamares elevados por mais tempo do que o mercado atualmente projeta. A avaliação é da Genial Investimentos, que vê um cenário favorável para petroleiras brasileiras como a Prio (PRIO3) e a Petrobras (PETR4) caso a crise geopolítica no Oriente Médio se prolongue.

Em relatório, a casa de análise alerta que o equilíbrio atual do mercado depende de medidas temporárias, como a liberação de reservas estratégicas, a redução das atividades de refino, o redirecionamento de fluxos comerciais e até a destruição parcial da demanda causada pelos preços mais elevados.

Na visão dos analistas, esses mecanismos ajudam a amortecer os efeitos imediatos da crise, mas não são capazes de substituir de forma permanente a oferta perdida da região do Golfo Pérsico.

Impacto nos preços

O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas energéticas mais importantes do planeta. A região é responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo, além de volumes relevantes de gás natural liquefeito e fertilizantes. Segundo a Genial, o bloqueio da passagem já se aproxima de 100 dias, em meio ao agravamento das tensões entre Irã e Estados Unidos.

O impacto sobre os preços já é significativo. O barril do petróleo Brent, principal referência internacional, saltou de cerca de US$ 66 no início do ano para uma máxima de US$ 138 ao longo de 2026.

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Apesar disso, a Genial avalia que os mercados futuros ainda embutem uma expectativa relativamente otimista de normalização da oferta no curto prazo. Os preços negociados no mercado físico permanecem superiores aos indicados pela curva futura, sinalizando que agentes do setor estão pagando um prêmio adicional pela disponibilidade imediata da commodity.

Para os analistas, essa diferença sugere que o consenso do mercado continua apostando em um acordo entre Estados Unidos e Irã capaz de restabelecer o fluxo de embarcações pela região. O risco, segundo o relatório, é que essa expectativa se mostre excessivamente otimista caso o conflito se prolongue.

Estoques globais entram no radar

Outro ponto de atenção destacado pela Genial é a rápida redução dos estoques globais de petróleo. Embora os níveis de inventário tenham iniciado a crise em patamares considerados confortáveis, a velocidade recente de consumo desses estoques preocupa.

Dados citados da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a interrupção em Ormuz retirou mais de 14 milhões de barris por dia da oferta dos produtores do Golfo. Parte desse impacto foi compensada por ajustes no mercado, mas os estoques globais ainda registraram queda de cerca de 250 milhões de barris entre março e abril.

A IEA estima um déficit de aproximadamente 6 milhões de barris por dia entre março e junho e um déficit acumulado de 900 milhões de barris até setembro, mesmo considerando a liberação coordenada de 400 milhões de barris das reservas estratégicas dos países membros.

Nesse contexto, a Genial considera que o mercado pode estar subestimando os riscos de uma normalização mais lenta dos fluxos pelo Estreito de Ormuz. A corretora destaca que o patamar de 7,5 bilhões de barris nos estoques globais deve ser monitorado como uma zona de estresse relevante para o sistema energético mundial.

Caso o bloqueio seja mantido, esse nível poderia ser alcançado entre 67 e 100 dias, dependendo do ritmo de redução dos inventários. Isso aumentaria a probabilidade de um mercado mais apertado, com preços mais elevados no curto prazo, escassez relativa de derivados e sustentação do Brent acima dos níveis atualmente implícitos na curva futura.

Petrobras e Prio aparecem como favoritas

Para os investidores, a casa de análise acredita que o cenário favorece empresas produtoras de petróleo, uma vez que a manutenção do bloqueio tende a elevar tanto os preços à vista quanto os preços futuros da commodity.

Entre as petroleiras brasileiras, a preferência da casa permanece com a Prio e a Petrobras. Segundo os analistas, as duas companhias combinam crescimento de produção, baixo custo de extração e maior exposição direta à valorização do petróleo.

O relatório ressalta ainda que ambas possuem menor grau de restrições financeiras ou operacionais capazes de limitar a captura dos ganhos proporcionados por um ciclo prolongado de preços elevados da commodity, como estruturas de proteção por derivativos ou outros mecanismos que reduzam a sensibilidade da geração de caixa às oscilações do petróleo.

De acordo com o documento, caso o fechamento do Estreito de Ormuz persista, as duas empresas estão entre as mais bem posicionadas para atravessar um cenário de maior tensão no mercado energético global e transformar a alta do petróleo em geração adicional de caixa e valor para os acionistas.